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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Da última ceia do ano velho

 

Para memória futura, convém lembrar os exemplares ingredientes:

- 1 lagosta nacional.
- 1 alface portuguesa.
- torradinhas de bom pão.
- maionese Hellmann's.
- Vinho Chablis (Chardonnay) 2020 Domaine Fèvre (12,5º).*

* oferta gentil de um bom Amigo.

sábado, 21 de outubro de 2023

Mercearias Finas 194


Creio que terei bebido o primeiro Chablis em finais dos anos 70, oferecido que me fora pelo meu grande amigo, na altura, Edgar S., e que teria sido talvez surripiado da adega, porventura especiosa, do seu tio materno e rico de Cascais. Monocasta de Chardonnay, mas produzido na região (terroir) que lhe dá o nome, tal como o nosso Bucelas, onde o Arinto ganha mais esplendor a ser produzido, ou o Riesling alemão que, nas margens do Reno e Mosela, desenvolve melhor o seu potencial de qualidade, o Chablis é um dos meus vinhos brancos estrangeiros preferido. Muito embora não tenha, até hoje, bebido mais do  que umas 5 ou 6 garrafas.



E, por isso, quando se anunciou um belo e fresco cantaril assado no forno, com quase um quilo de peso, logo decidi imolar a bem da comunidade, o único Chablis (do produtor Pierre Chanau) que me restava na garrafeira. De 2018 e com 12,5º, estava no ponto e pronto. Batatinhas novas e brócolos acompanharam, e tudo combinou na maravilha ao almoço.

domingo, 29 de maio de 2011

Mercearias Finas 32 : Vinhos velhos


As nuvens vinham do Sul, magníficas, opacas e velozes, algumas afogueadas, quase rubras, outras de um azul célere que, ao passar, ia ficando cinzento muito escuro. Todas iam para Norte com o vento que me esfriava, na varanda a Leste, o Chardonnay da Quinta de Cidrô. Viera de Trás-os-Montes, fora até França para obter uma medalha de bronze, em 2005, e estava agora a acabar, de novo em Portugal, um pouco velho, em Maio de 2011, bendito. Para ser franco, este vinho branco da Real Companhia Velha, já conhecera melhores dias, mas ainda se comportava condignamente. Guardara uma nobreza de carácter, um frutado muito personalizado e deixava, na boca, um prolongado sabor amendoado que não era doce, mas comungava, de memória, com tempos felizes de juventude. Entenda quem souber...
O "aladino", entretanto, abriu os olhos ensonados às 21,03, ainda estremunhado, mas decidido a despertar para a noite; todavia o irmão pequeno (que HMJ comprou, há dias), o "pirilampo" só acordou mais tarde, quase 10 minutos depois - cada um é que sabe da sua própria noite... E foi aí que me lembrei do meu amigo E. S. e do primeiro Chablis que me passou pelo "estreito". Anos 70, de certeza, e pós-PREC. Até porque o guardei uns 3 ou 4 anos, depois do meu amigo mo ter oferecido. Nunca lhe perguntei, até porque era uma boa colheita, mas suspeito que ele o fanou da esplêndida adega do Tio, cavalheiro abonado e baixinho, que morava em Cascais. Devo confessar que, quando abri aquele mavioso Chablis, fiquei convertido para sempre. E foi assim que provei o primeiro monocasta Chardonnay, na minha vida.
Moral da história: às vezes, se o vinho é bom, vale a pena esperarmos e guardá-lo - ajuda a reencontrarmo-nos e a convocar tempos antigos, agradáveis. Mas não é conveniente guardar vinhos brancos portugueses mais do que 5 anos. Salvo casos muito excepcionais.

sábado, 9 de outubro de 2010

Mercearias Finas 19 : Vinhos estrangeiros preferidos


Fora os vinhos que bebi em viagens, fora de Portugal, e de que não tenho a menor recordação, cá dentro o primeiro vinho estrangeiro, que me lembro de provar, foi um Chablis, nos anos 70. Só mais tarde vim a saber que era um monocasta Chardonnay. E, ainda mais tarde, tomei conhecimento de que, em Portugal e durante muitos anos, a casta Chardonnay era apenas usada, na Bacalhôa, na produção do Catarina embora não exclusivamente ( por vezes entram também a casta Fernão Pires e outras da zona de Azeitão). A Quinta da Bacalhôa é aliás pioneira no uso de castas estrangeiras. O tinto da Quinta sempre teve Cabernet Sauvignon, pelo menos, desde que o conheço. Só depois apareceu no Vale Pradinhos, de Trás-os-Montes. Hoje, é a proliferação que sabemos...
Em meados dos anos 80 provei, pela primeira vez o Tokay (Hungria), o Vega Sicília ( o Barca Velha espanhol) e o Châteauneuf-du-Pape (de França, com predominância, no lote, da casta Grénache). Deste último já aqui falei, no Arpose. Em finais dos anos 90, ou já talvez neste século, um amigo, que tinha estado em Veneza, falou-me do Barolo. Memorizei o nome e informei-me, posteriormente. Era e é um vinho monocasta, feito de Niebollo, numa zona muito restrita do Piemonte. Na sua robustez e cor vermelho-escura lembra alguns Douros, mas alguns Bairrada, muito bons, fazem-mo lembrar, no sabor. Não é muito difícil encontrá-lo à venda, em Portugal, nalgumas cadeias de supermercados de origem estrangeira.
Há cinco ou seis anos, num jantar ali para as bandas do Areeiro, e numa mesa que juntava pessoas de, pelo menos, quatro nacionalidades, ouvi, pela primeira vez, falar no Brunello di Montalcino. Que era um dos melhores vinhos do mundo - disse uma senhora belga. Ora os belgas e os ingleses, embora quase não produzam vinhos, são peritos a descobrir os melhores... Pedi à Senhora que escrevesse o nome, num papelinho. E, em menos de um ano, acabei por prová-lo; depois, no Porto, na boa companhia de um Amigo, degustamos duas marcas do Brunello. Concordamos os dois que não era o melhor vinho do mundo. Já tinhamos provado melhor. Mas era um vinho suave e agradável. Tem região demarcada na Toscânia, e é também um monocasta feito de Sangiovese, ou na base etimológica - Sanguis Jovis: Sangue de Jove, ou Júpiter. O Brunello de Montalcino bem como o Barolo são vinhos tintos de boa longevidade. Ainda não cheguei, no entanto, ao Château d'Yquem, nem ao Pétrus...Não se pode ter tudo. Agora, se tivesse que dar classificação aos 3 tintos referidos acima, segundo o meu gosto, poria em primeiro lugar o Châteauneuf-du-Pape. Seguir-se-iam o Barolo e, em último, o Brunello di Montalcino. E, para um primeiro contacto de prova, a minha sugestão é simples: um bom pão e um bom queijo português (Serra ou Serpa), por companhia - numa destas noites de Outono ou Inverno, que são frias.