... - perguntarão as crias implumes desta Primavera, dentro dos ninhos, aos pais.
Porque as únicas aves que vi hoje, quando saí de manhã para comprar o jornal, foram três rolas, com ar desconsolado e penas desalinhadas, que se abrigavam, nervosas, debaixo da frondosa Árvore da Borracha, à beira da Escola. Criaturas saíam dos carros, canhestras, abrindo desabituados guarda-chuvas para enfrentar os pingos. Eu próprio me pareci ridículo, de camisa de manga curta, e desajeitada umbrela aberta.
É certo que desconfiei, ontem à tarde na varanda a Leste, ao ver as nuvens mudarem de direcção. Em vez do Sul-Norte, passaram repentinamente para o rumo Norte-Sul. Era um sinal da Natureza, pelos vistos, que eu não entendi. Mas, afinal, a chuva sempre veio, depois de tão longa seca.
E, assim, é uma boa altura para relembrar esse duplamente galego Dominguez Alvarez (1906-1942), embora nascido no Porto, pintor que se naturalizou português, em 1936, para escapar à Guerra Civil Espanhola. E que pintava muito bem, embora de modo agreste e melancólico, à Rosalía poeta, também ela galega. Ambos, dessa terra a que chamaram sem ossos, acima de Portugal...