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sábado, 13 de outubro de 2018

A cegueira no turismo


O restaurante, nas Avenidas Novas, mantém-se em gestão familiar, como há cinquenta anos atrás, quando na zona morei, ainda estudante. Modesto e de preços justos, quanto à qualidade da cozinha e à generosidade das doses. Tradicional, atende sobretudo clientela de meia idade que por lá habita ou trabalha. Mas, ultimamente e quando lá vamos, temos vindo a assistir a um crescendo de comedores estrangeiros. Falantes, sobretudo, de francês e de língua inglesa.
Penso que o turismo também se faz de cheiros, como fundamentalmente é feito de olhares, de sabores, de sons que perpassam pelas ruas, até do tactear de tecidos estranhos e roupa de cama, agreste ou macia, que nos cobre, nas noites que passamos em hotéis desconhecidos. Numa miscelânea curiosa de novidades.
Há meses, vi com estranheza uma japonesa ( ou chinesa?) cega, amparada por uma companheira que a guiava, subindo a rua da Misericórdia. E achei insólito. Talvez a companheira lhe fosse contando o que via, como às crianças que, ao ouvir histórias, vão recriando a narrativa com a sua imaginação nascente.
Nessa altura, achei que seria um caso desgarrado. Há dias, porém, nesse restaurante de que falei a princípio, estávamos nós a jantar, vimos entrar 4 cegos(/as), com os (/as) respectivos (/as) acompanhantes, para nossa total surpresa. Que ocuparam tranquilamente, embora com vagar, uma mesa de 8 lugares. Creio que o grupo era inglês.
Eu seja ceguinho - como diz o povo -, se compreendo...

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A cândida cegueira


Há pessoas que, encerradas nos seus pequenos mundos, claustrofóbicos, nhúrrios, não conseguem nunca ver a realidade e o horizonte. Mesmo que os vejam do alto...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Cegueiras


Por três vezes, hoje, a cegueira se cruzou comigo.
Para quem, como eu, utiliza com alguma regularidade o metropolitano, faz sentido eu dizer que, a maioria dos desprotegidos residentes (embora móveis através das carruagens) são ou músicos, ou cegos. E as nacionalidades serão duas: a portuguesa, quanto aos cegos, a romena, quanto aos músicos. Ambos se manifestam pelo som. Não deixa de ser desagradável o batimento seco da bengala, no chão das carruagens, de um dos cegos nacionais. E, no meu entender, ele acentua a batida (como hoje) quando está mais mal disposto - fantasia minha, talvez...
À tarde, chegou-me à mão um postal amigo reproduzindo um quadro, onde a personagem principal é Dom Pérignon. Cego, ele, também, e ao que consta.
Finalmente, à noite, estive a ouvir uma magnífica conferência (1977) de Jorge Luis Borges, em que ele fala da sua própria cegueira e aborda as cores da sua vida. Destaca o seu gosto pelo amarelo que ele recorda como primordial, desde que o viu, pela primeira vez, nos tigres do jardim zoológico. Contrastando com o negro. Da cegueira?