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sábado, 13 de novembro de 2010

Curiosidades 22 : o Cego do Maio



Por razões várias a, hoje, cidade da Póvoa de Varzim (e não, "do" Varzim) é, na minha memória, uma das terras portuguesas mais emblemáticas. Duas estátuas perpetuam dois dos seus naturais mais ilustres: a de Eça de Queiroz, na Praça do Almada, e a do Cego do Maio, no Largo do Passeio Alegre, frente ao mar.
Este último Poveiro, de nome próprio, José Rodrigues Maio (8/10/1817 - 13/11/1884) é um herói regional, pouco conhecido para lá da Póvoa, de Vila do Conde e de Esposende. Ficou conhecido pelo nome de Cego do Maio, não porque fosse cego, mas pelo destemor com que se lançava (às cegas), com a sua catraia (pequeno barco), às águas do Mar da Póvoa, para salvar camaradas da sua profissão, em situações de perigo, ou em risco de perderem a vida em naufrágios. Resgatou, assim, dezenas de vidas de pescadores.
E de tal modo era respeitado que, a 14 de Maio de 1881, quando foi para a Póvoa de Varzim o primeiro salva-vidas, esse barco teve, como primeiro arrais ou mestre, o Cego do Maio. Pelos seus feitos solidários e notáveis, foi agraciado pelo rei D. Luís, com a Ordem de Santiago da Torre e Espada. Conta-se que, para retribuição, o Cego do Maio levou umas conchinhas (beijinhos), muito estimadas e procuradas por crianças nas areias da praia, e até pelos veraneantes. E, quando o Rei lhe impôs a condecoração, o Poveiro estendeu-lhe as pequenas conchas e disse para D. Luís: "Tome lá ó Ti' Rei, uns beijinhos para as suas criancinhas brincarem !"


sábado, 3 de julho de 2010

No início da época balnear


A princípio, era a foto de família. Com o Diana-Bar, por cenário de fundo e, para onde José Régio, às vezes, de manhã, ia escrever. Mas, ainda antes, tinha sido o mudar de casa: fosse para a Rua Santos Minho, a 31 de Janeiro, ou a Rua Luís de Camões. Em 1948, a Póvoa de Varzim era apenas uma vila piscatória, onde pontificavam, em memória ou estátua, Eça de Queiroz e o Cego do Maio. E aqueles nomes estranhos: os Agonia, os Frasco, os Mouco, os da Hora...
O tempo parecia correr, sempre, feliz e descuidado por entre alguma nortada e, mais raramente, o som da ronca que anunciava um súbito nevoeiro - adeus, praia!, viva o cinema...
E lá para meados de Agosto, todos esperavam o Catitinha, precedido pelo seu apito estridente.
P. S.: para a Fernanda, fraternalmente.