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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Uso Pessoal 17

 

Militar próximo dizia-me, uma vez, que tinha habitado, pelo menos, 32 casas. É certo que, na altura, tinhamos a guerra colonial à porta, mas nunca mais me esqueci deste número desmedido, que abarcava três continentes. Eu nem metade de moradias contabilizava e apenas na Europa, nesse tempo. 
Creio que uma forma de avaliarmos as nossas errâncias ou sedentarizações é fazermos o balanço das habitações que ocupámos ao longo da vida por períodos de mais de um ano consecutivo ou em fases intercaladas que atingissem esse tempo total. Se bem me lembro, não ultrapassarei os 14 locais.
A cada um as suas deambulações e residências...

sábado, 10 de janeiro de 2015

Cosmopolitismos


No coração de Lisboa, cheirava a pão quente, via-se o fumo evanescente das castanhas assadas, uma coladera despropositada contorcia-se em dois corpos jovens e morenos, secundados por instrumentos africanos sob a benção flectida do poeta Chiado, metálico e eterno. Francês era a língua dominante.
Três cavalheiros de aspecto nobre e trajar distinto, embora não tão neutro como os bibes bancários e reconhecíveis, que por lá passam, mais uma tia chanel número 5, graciosamente, distribuiam encartes preciosos, sugestivos de rico grafismo, como o da imagem, por alguns passantes escolhidos.
Coube-me um a mim, que ia de sobretudo digno e de marca, nas minhas cãs enganosas de prosperidade tranquila. As legendas do encarte vinham em caracteres sóbrios e elegantes da língua portuguesa - como manda a lei - mas também em russo, inglês e chinês, fazendo a apologia e louvando a segurança do Golden Visa ERA na compra de mansões milionárias. Foi ontem.
Veio-me Cesário à memória: "Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo..."