Mostrar mensagens com a etiqueta Casa dos Pombais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casa dos Pombais. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Recuperado de um moleskine (41)


O passado é um tempo em que tudo parece estar no seu lugar. Arrumado na sua razão e pela sua utilidade. Penso isso, ao contrário do que escreveu o romancista inglês L. P. Hartley (1895-1972) no início da sua obra "The Go-Between" (1953): The past is a foreign country; they do things differently there.
Apercebi-me que o Fanca perdera a compostura e a segurança habituais, quando teve a informação. Perguntou-me, quando soube que eu me aboletara 3 dias por lá, titubeante, em voz baixa: e trataram-te bem? Para o sossegar, eu disse-lhe que sim, mas omiti o muito visível alzheimer do visconde, seu tio avô, que nos apareceu em pijama e robe, ao cimo das escadas de pedra exteriores do palacete, quando chegámos, e o descuido visível da senhora viscondessa com o lixo e pó interior das dependências. O turismo local da casa apalaçada deixava muito a desejar. A começar pelas torneiras, gotejantes ou perras...
A natureza, naturalmente, cuidara dos jardins, com alguma visível assimetria selvagem, mas acabei por me esquecer de referir, ao Francisco José, o aviário pequeno do jardim da frente, bem como as rolinhas diamante que me tinham enternecido, para sempre. O que, em parte, tudo desculpou das atribulações passadas...

sábado, 7 de novembro de 2015

Entre Casas : por Ceca e Meca


Por entre a Casa dos Pombais, onde já dormi, há uns anos, e que vejo do hotel onde pernoito, agora, e a Casa do Arco, na Rua de Santa Maria, onde brinquei em criança, vai quase completa a minha geografia da memória e juventude passada. Uma e outra casa se mudaram de ofício e arte, no presente, mantendo, no entanto, a arquitectura exterior e os seus brasões antigos. Mas o dos Viamonte da Silveira está de luto, que o vejo envolvido em panos negros. Muito perto da Casa do Arco, almoçámos umas ricas Tripas Nortenhas, acompanhadas, por um Casa de Sezim, branco (Arinto e Loureiro), Grande Escolha 2014, juvenil e quase borbulhante. Toucinho do Céu, para rematar, neste início de Novembro, que S. Martinho, pontual e temporão, abençoou com tempo tépido e azul suave.  


domingo, 3 de junho de 2012

Trevos e Ciprestes


Há uma convivência natural que se adivinha, até pela Av. Conde de Margaride (que já não é sumptuosa) que confina com a estreita Rua do Gaiteiro - que não sei quem foi. Ou na armoriada casa dos Pombais, dos Viamonte, que não fica muito longe da laica Fábrica dos Pentes, já desactivada.
Mas, se subirmos até à Atouguia, acentua-se ainda mais esta proximidade inevitável. O mausoleu neo-gótico de Carlos Malheiro Dias não está longe da campa quase rasa do Mestre Caçoila. Um pintava com letras, o outro, com tintas e, cada um deles, tentou fazer o seu melhor, enquanto andou na Terra.
Nas cidades pequenas, as distâncias são difíceis. Um visconde pode acotovelar, ao balcão, com um honesto pedreiro, pedindo ambos um café curto. Talvez gostem os dois de um caldo verde com tora e uma rodela de chouriço, acompanhado por um naco de broa. A democracia, embora doseada, surge natural e quase obrigatória.
Como será previsivel a subida para a pequena colina da Atougia onde, ambos, irão repousar para sempre, não muito longe um do outro, por entre trevos e ciprestes.

domingo, 20 de março de 2011

Para um mini-zoo vimaranense





Aqui vai mais uma contribuição do Arpose, ainda bastante incompleta, para a memória deste mini-zoo vimaranense que nos fez companhia, algum tempo. Desta vez, os garnisés de crista: o branco e o preto. E os patos no pequeno tanque. Ficaram de fora periquitos, 4 pequenos cães de raça de patas muito mimosas e diversas aves, catatuas por exemplo que abundavam no aviário.

sexta-feira, 18 de março de 2011

O "Canta-claro" das Bahamas


O "Canta-claro" desfraldou o seu cantar, logo pela manhã, enquanto a Consorte se enroscava na rectaguarda, por causa do frio. As camélias caídas atapetavam-lhe o chão do terreiro. Não que ele precisasse, com aqueles polainitos de penugem branca e espessa até às patas... Disse-me quem sabia que o casal de galináceos era da raça Bahamas. E o "Canta-claro" foi assim o nosso despertador tonitruante durante quase 10 minutos, a afinar a voz! Morfeu fugiu assustado...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Andamos por aqui

Não fora a morriña rosaliana, até seria agradável. Assim, os montes em volta cobrem-se de nuvens baixas, como um nevoeiro fantasmático e persistente. No terreiro as cameleiras alternam de brancas para vermelhas, cujas folhas caídas e já um pouco meladas, um garnisé debica por desfastio. Três gerações de patos volteiam sobre o pequeno tanque. E um casal galináceo de grande porte, como eu já não via há muito, faz ronda à casa, e vai picando o chão. Penas abundantes, de um branco sujo da terra, que os cobrem até às patas, parecendo usar polainitos.
Não fora o ruído surdo dos carros, um pouco ao longe, ninguém diria que estamos na Cidade.