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sábado, 28 de setembro de 2024

Divagações 197



Talvez por sermos, sobretudo agora, um país geograficamente pequeno, quase sempre fomos um povo de alma reduzida, desconfiada e invejosa, por onde sobressaem alguns gigantes: o infante D. Henrique, D. João II, Afonso de Albuquerque, o marquês de Pombal...
Até em coisas corriqueiras escondemos aspectos básicos de elementar saber, com medo de nos copiarem a receita e perdermos o negócio. É o caso, por exemplo da "discreta" Sogrape, que nunca revela as castas de que fez os vinhos, ainda que anteriormente, elas constassem, noutros produtores mais descomplexados, seguros de si, e que ela absorveu entretanto. É o caso do Planalto, branco, Douro, que fora da Casa Ferreirinha. 

Nota pessoal: por vias travessas, aqui vai o lote das castas, à partida, que a Sogrape não queria revelar - viosinho (25%), malvasia fina (20%), gouveio (20%), rabigato (10%), códega do larinho (10%) e moscatel (5%). Assim fica desfeito este mistério enológico de polichinelo.

domingo, 20 de setembro de 2020

Mercearias Finas 161


 

É a vigésima edição deste icónico vinho. Sai este ano a colheita de 2011, do Barca Velha. E se no passado a casta maioritária era a Tinta Roriz, desta vez a Touriga Franca contribuiu com 45% do lote, anexando 35% de Touriga Nacional, mais aquela referida, e a Tinto Cão (10%) que julgo ser estreia.

Em meados dos anos 70, eu costumava namorar a montra de uma charcutaria da Braamcamp, que enriquecia, gulosamente, o escaparate de Barcas Velhas, e cujo preço costumava andar pelos Esc. 600$00 - era muito dinheiro, e eu não lhes chegava... Depois disso bebi 5 ou 6, oferecidas.

Embora não tenha preço marcado, esta colheita de 2011 do Barca Velha, deve andar pelos 400 euros, se não for mais. Daqui por uns anos, talvez chegue ao Pétrus ou ao Château d'Yquem, se lhe derem asas...

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Mercearias Finas 132


Dizia-se, na tropa: A antiguidade é um posto! No caso dos vinhos, tintos, é um risco. Que, às vezes, compensa principescamente. Lembro-me de um Garrafeira Aliança de 1960, que bebi em 2001 e estava um esplendor. Com 41 anos de idade, portanto. Em 1979, pelo Natal, e para acompanhar um queijo da Serra, abri com 30 anos, robustos ainda, um Garrafeira CRF 1949, que se portou lindamente e de feição.
Por cá, ninguém arrisca prognosticar a vida útil dos vinhos. Nenhum terá a resiliência garantida dos Sauternes ou dos Château d'Yquem. Mas há caves portuguesas que conservam algumas antiguidades preciosas. E, é claro, que para lá dos Vintage Porto que, nesse aspecto, se conservam gloriosamente. Lembro-me de uns cálices de um desses néctares, de 1871, que provei nos anos 80, do século passado. E que nunca esquecerei (tinha sido decantado e reengarrafado em 1973).
Vem isto à colação, para aqui agradecer fraternalmente ao meu amigo C. S., o ter aberto, com ímpar generosidade, o seu último Vinha Grande 1974, da Casa Ferreirinha, no almoço do passado Domingo. Recorde para mim do vinho mais velho que até hoje bebi, com a sua idade de 44 anos, maravilhosos. O vinho estava simplesmente excepcional...
Bem hajas!