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segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Correspondência

 

Sempre tive uma grande relutância em rasgar cartas de pessoas próximas ou amigos, depois de as receber e ler. Assim, de quatro correspondentes do passado, dois deles já falecidos, acumulei uma enorme quantidade de correspondência. Este aspecto tem factores de utilidade, mas também negativos pela ocupação do espaço. Os aspectos úteis ligam-se a lembrarmo-nos, ao reler os textos, de acontecimentos esquecidos do passado, de situar determinadas datas que nos eram duvidosas, ou até ressuscitar opiniões pessoais antigas sobre determinados casos reconstituindo assim, melhor, a nossa maneira de ser e de pensar, nessa altura do tempo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Piedosos votos, os meus


Submerso pela mediocridade do seu século XVII, do ponto de vista literário, Francisco Manuel de Melo (1608-1666) foi um dos portugueses da época que mais mundo teve, em posições altaneiras. Mas também conheceu baixas prisões (Torre Velha [Trafaria], Torre de Belém - má enxovia na altura -, o Castelo de S. Jorge) e degredo no Brasil, onde terá feito um filho e um belo soneto, pelo menos. O homem era de grande qualidade, que o próprio Quevedo reconheceu e o teve por amigo e correspondente. Para além disso, um grande escritor, com obra ampla, em português de lei.
Creio que Manuel de Melo foi arredado, ultimamente, dos programas escolares, talvez por uma simplificação provinciana e reaccionária em relação àquilo que temos de melhor. E para facilitar a vida aos meninos e meninas, a quem se quer dar sempre festa e pouco pensar. Que havemos de fazer?
Foi com alguma emoção pessoal que me dei conta que a Livraria Olisipo, no seu próximo leilão* de 6 e 7 de Fevereiro, vai leiloar (lote 540) duas cartas autógrafas do Poeta Melodino, com uma estimativa prevista de venda entre 800 e 1.600 euros. Únicas, é óbvio que as cartas serão raríssimas e poderão até ser inéditas: não as encontrei, orientando-me pela data (9 de Março de 1650 e 1 de Julho de 1651, cujo ano está errado no catálogo da Olisipo, que regista 1950 e 1951...), na edição primeira das Cartas Familiares (1664), por exemplar na minha posse, que consultei.
Em tempos infaustos, deixámos ir para Harvard (E.U.A.) a riquíssima biblioteca de Fernando Palha, com exemplares únicos e raríssimos que poderiam ter ficado em Portugal. Perdeu o património nacional.
Se eu fosse director da BNP ou da Torre do Tombo não estaria sossegado, mas nervoso. E faria tudo aquilo que me fosse possível para que essas 2 cartas autógrafas de Francisco Manuel de Melo viessem a ficar à guarda, integrando o acervo, de uma das duas instituições portuguesas. Para memória futura e consulta de quem as mereça estudar.


* ver poste, no Arpose, de 16/1/2019.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Filatelia XCIV


Oriundas, muitas vezes, de arquivos comerciais de empresas já desaparecidas, estas cartas têm, normalmente, muita procura, por parte de filatelistas que se dedicam à temática  da marcofilia. O seu interesse aumenta consoante o percurso da missiva e os carimbos que ostenta, bem como a forma como foram franqueadas.
Na imagem, podem ver-se uma carta do voo inaugural Lisboa /Bolama (Guiné-Bissau), da Pan American Airways, outra da Linha Aérea Imperial, no seu primeiro voo Angola (Luanda)/Lisboa, efectuado a 14/1/47, e finalmente o envelope de uma firma portuguesa do Porto, para Birmingham, endereçada à Austin Motor Company, por correio aéreo.
Não tendo a raridade das cartas pré-filatélicas, não deixam de ser interessantes, também por serem todas de Correio Aéreo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Simbologias


Não sabendo quase nada sobre Tarot, sempre achei que tem um grafismo de simbologia mais interessante, realista e concreto do que o da Astrologia. Aqui fica, em imagem, uma pequena amostra.

domingo, 5 de setembro de 2010

Filatelia II : Cartas





As cartas circuladas, antes da criação do selo postal (Inglaterra, 1840), são chamadas "pré-filatélicas". Tinham, normalmente, o carimbo da terra de origem, o do local do destinatário e o preço do porte pago ou a pagar, na cobertura ou rectaguarda da missiva.
A partir do primeiro selo português (1853), a taxa postal era 25 réis, no território continental português, para as cartas mais usuais e de peso normal. Inicialmente, não eram usados envelopes: as duas folhas da carta eram dobradas, habilidosamente, e fechadas a lacre ou pela colagem do selo utilizado.
A carta que se apresenta, data de Almeirim, a 21 de Junho de 1864, foi enviada dos correios de Santarém (carimbo numérico 136, identificativo) provavelmente pelo caseiro ou feitor (Francisco Alves de Carvalho) da Duquesa de Lafões (Maria Carlota de Bragança), a quem é dirigida.
A carta tem a particularidade de fornecer a indicação do preço, na altura, de alguns produtos agrícolas: azeite, trigo, cevada...