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domingo, 3 de agosto de 2014

Retratos de Catarina


No dote, com outras preciosidades, levou Catarina de Bragança (1638-1705) para Inglaterra, Tanger e Bombaim, que deixaram de ser portugueses. Por lá introduziu o vício do chá e a receita da geleia de laranja, que viria a generalizar-se de nome, para todas as compotas, em marmelade, já que os britânicos são monótonos e grosseiros, no que à gastronomia diz respeito. Para a Grã-Bretanha, levou também consigo uma pequena orquestra de câmara porque, tal como o pai (D. João IV), gostava de música.  O marido, Carlos II, apesar de mulherengo, privilegiava a beleza feminina e, por isso, antes de se comprometer, mandou a Portugal o pintor Dirk Stoop, para que retratasse a Infanta. O quadro (1660-1661) saíu como se vê acima, que Catarina tinha ainda a frescura da juventude, pese embora a testa alta, mal dissimulada sob um caracol enorme...
Mas na corte inglesa acharam-na feia, pouco simpática, além disso, era católica, para lá de ser discreta.

Cerca de três anos depois, Peter Lely, em 1663, faz ressaltar a sua maturidade e, embora os olhos negros fossem bonitos, trazem no retrato uma distância ou miopia ligeira. Carlos II, porém, não ficara desagradado e assim escrevera à irmã: "...o seu rosto não é exactamente uma beleza, embora os seus olhos sejam excelentes e a face não tenha traços grosseiros. Pelo contrário, o seu aspecto é agradável". Mas, e como refere Júlio Dantas (Cartas de Londres), a rainha seria muito pequena e algo roliça de corpo. Teria boa voz - vários autores referem o facto -, cabelos pretos, mas os dentes eram um pouco salientes. Por outras qualidades, atribuem-lhe ponderação e gravidade, bem como inteligência. E, é certo, Carlos II muitas vezes lhe ouvia o conselho avisado sobre questões políticas de difícil decisão.

O retrato, acima, que dela fez Caspar Netscher terá sido executado pouco antes de ficar viúva. Catarina manteve-se ainda uns anos, em Inglaterra, depois da morte de Carlos II e, ao que se diz, era respeitada e bem tratada, embora tivesse saudades de Portugal. Por isso, obtidas as respectivas autorizações, em 1692, partiu no final do ano, tendo chegado a Lisboa, no início de 1693, onde foi recebida, com alegria festiva.
Viveria ainda mais 12 anos, em solo português, vindo a falecer no seu palácio da Bemposta, no ano de 1705, reinava D. Pedro II, seu irmão mais novo.
Devo acrescentar que Catarina de Bragança é, das personagens portuguesas régias, talvez, a que tem uma mais ampla iconografia. O facto de ter sido rainha de Inglaterra terá contribuido, indubitavelmente, para isso. 




sexta-feira, 10 de maio de 2013

Catarina


É o exemplo acabado e naïf de uma arte decorativa, em contas de vidro, muito em voga no séc. XVII inglês. No fundo de um cesto de uso doméstico, esta representação de Catarina de Bragança (1638-1705) e do seu régio esposo, Carlos II, que terá sido feita em 1665, por alguma jovem fidalga, nos seus ócios interiores. Registe-se o ar airoso da rainha, de origem portuguesa, ao contrário da ideia difundida pelos ingleses de que era muito feia, talvez para justificar as infidelidades constantes de Carlos II.
Este precioso exemplar da decoração em contas de vidro encontra-se, entre alguns outros, desde 1/5/13, em exposição no Holburne Museum, em Bath (Inglaterra).