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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Bom senso e bom gosto

 

A tentação portuguesa pelo exuberante ou excessivo é notória. Parece que somos barrocos por natureza e vocação. No falar e no escrever, o excesso, normalmente, predomina sobre o equilíbrio estético. Até nas capas dos livros, hoje em dia, as cores são quase sempre estridentes e berrantes - de mau gosto, em suma. Basta ver as montras da Bertrand, no Chiado...
Por isso, dá gosto ver esta duas capas, em imagem acima, de uma simplicidade e de um notável bom senso discreto gráfico. Do livro de Ernest Jünger, é Ana Jotta (1946) a autora.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Em sequência de Simenon, e apoio iconográfico do poste anterior


Há tendência um pouco generalizada para esquecer os roman durs de Georges Simenon (1903-1989), em benefício dos extraordinariamente populares, ainda hoje, Maigret. É entendível e fácil de perceber.
Se os polar do escritor belga estão praticamente todos traduzidos na colecção Vampiro (73 volumes) e pela Bertrand (49 livros), dos durs, só uma pequena parte foi vertida para português.
Também a Bertrand publicou alguns e na colecção Miniatura se podem encontrar (hoje, só nos alfarrabistas, claro!...) quatro títulos (n.º 42, 83, 89 e 107), que aqui vão em imagem.
Agora reparem nas magníficas capas de Bernardo Marques (1898-1962) e comparem com a indigência estética que capeia grande parte dos livros que, hoje, se publicam em Portugal...


terça-feira, 5 de março de 2019

Ainda as capas, o sentido estético e o deixar andar, ou as memórias de um poeta bissexto


Tenho por certeza que a maioria das editoras, com raríssimas excepções, não se preocupa, hoje em dia, minimamente com a qualidade gráfica e estética das capas dos seus livros. Mas alguns autores também pouco se incomodam com a embalagem visual que os apresenta. Ou, então, ambos têm mau gosto...
Não me considero um árbitro de gosto, muito menos possuído de infalibilidade estética. Mas tenho critérios para separar o trigo do joio, permitindo-me ao luxo do duvidoso, como terceira categoria, nas minhas avaliações pessoais. Às vezes, não tenho a certeza e acolho-me, humildemente, ao avisado parecer de quem sabe. Agradecendo.


Quando estava para publicar o meu primeiro livro de poemas, Escrito para a Noite (1984), na IN-CM, pensei inicialmente reproduzir na capa um desenho de Augusto Gomes (1910-1976), que tenho em casa e de que gostava, e gosto, muito.


Falei nisso ao meu amigo pintor Pedro Chorão (1945) e ele, com a delicadeza que lhe é própria, demonstrou-me que aquela linda campesina jovem, com o seu quê boticeliano mas brejeiro, era excessivamente neo-realista e datada. Mas prometeu ajudar-me. Foi assim que um seu quadro veio enobrecer a capa do meu primeiro livro.


Em 1988, numa noite primaveril, Henrique Cayatte perdeu comigo, ao telefone, mais de uma hora para sintonizar, no seu labor exemplar, uma capa coerente com os meus versos, que a Caminho iria editar em Maio. Ainda hoje lhe estou grato por esse seu respeito intelectual. Pedro Chorão, mais uma vez, ajudou, com um desenho seu, feito de propósito. Assim se publicou, na Caminho, Equilíbrio, o meu segundo livro de poemas.




O António, sempre fraterno e próximo, fez a sua entrada de surpresa e inesperadamente, em 2013. Eu tinha-lhe confiado um manuscrito, em 1971, com poesias juvenis, de que ele gostava e de que declamava algumas, em recitais. Nunca pensei publicá-lo. E ele resolveu oferecer-mo editado (Arquivo Mortal), em circuito restrito (20 exemplares, de tiragem). Aí, eu não meti nem prego nem estopa, quanto a capas ou estética. Mas foi quase como se eu tivesse escolhido as opções, que o gosto artístico, meu e dele, são semelhantes. E fez-se rodear, para o design excelente da edição, do engenho e arte da Mariana e do Miguel.


Posso porventura não estar excessivamente ufano de tudo aquilo que produzi, em verso, mas não deixei ao deus dará aquilo que publiquei. E preocupei-me, acompanhando, os trabalhos preparatórios da impressão, até os livros sairem, excepto no último caso - como, aliás, referi acima.
É por isso que responsabilizo e atribuo o mau gosto do que se publica por aí, não só às editoras, mas também ao desleixo estético dos autores dessas obras.


com agradecimentos a tutti quanti me ajudaram a fazer obra limpa.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Do mau gosto, como corrente editorial maioritária e dominante


Já por aqui me tenho feito eco das capas indigentes que as editoras portuguesas produzem para os livros que publicam. Basta parar em frente da montra da Bertrand, ao Chiado, para ver a feira de horrores de capas e capas. Já não bastava, para pouparem, as editoras terem dispensado os revisores competentes. Livros há, que são um amontoado de gralhas...
O uso aleatório de bancos de imagens, normalmente fotográficos, utilizados nas capas, revela um mau gosto estético generalizado, por parte dos conselhos editoriais que geram estes abortos impressos.
António Guerreiro, na ípsilon do jornal Público de hoje, põe o dedo na ferida. De forma responsável e capaz. É só lê-lo, com atenção.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Estéticas de outros tempos


Grande parte das capas dos livros, hoje em dia, são de um mau gosto horroroso. As editoras recorrem a bancos de dados de fotografias, na maioria dos casos, mas as escolhas concretas demonstram, à evidência, a falta de sentido estético dos seleccionadores gráficos (?). A menos que a exuberância berrante das cores e a infantilidade das imagens se destine a atrair a comunidade alargada e mais inculta da população - que, por aí, também anda muita gente mal vestida, embora, muitas vezes, bem adornada...


De 1957 a 1973, pelo Natal, a Estúdios Cor editava uns livrinhos para oferta. De grande apuro gráfico, as obrinhas (17, no seu total) são hoje muito procuradas. Com textos (contos, habitualmente) de escritores conhecidos, os pequenos livros foram ilustradas, nas capas e interior, com desenhos de alguns dos mais importantes artistas portugueses, da época: Maria Keil, Pomar, Sá Nogueira, Lima de Freitas, Cipriano Dourado, Carlos Amado...
No meu alfarrabista de referência, os 17 voluminhos estavam à venda, há dias, por 75 euros. Soube hoje que foram vendidos a uma senhora estrangeira, por certo conquistada pela beleza deles.
Por curiosidade bibliófila, posso informar que a BestNet tinha à venda a colecção completa, ao preço de 80 euros. Enquanto que a Frenesi, que normalmente se destaca nestes casos, os vendia por 280 euros.

endereçado a H. N., com estima.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Colagem comparativa


Tudo está
eternamente
escrito
(Spinosa)

Tudo está
eternamente
em Quito
(Uma Rosa)

Mário Cesariny
As capas de livros, em imagem, foram produzidas por 2 editoras (respectiva e cronologicamente, Editorial Inquérito e Alfaguara), com um intervalo de cerca de 70 anos, entre si.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Simenon


Passam hoje, exactamente, 112 anos sobre o nascimento de Georges Simenon (1903-1989), em Liège.
Lembrá-lo pela criação do comissário Jules Maigret, seria uma redundância, sobretudo, para quem gosta de o ler. Preferi ilustrar a efeméride, através das imagens de 4 dos ditos "romances duros".
O meu preferido é, sem dúvida, Les soeurs Lacroix, publicado em 1938. Cuja trama ficcional poderia ser resumida pelo ditado português: "Ódio velho não cansa". E mais não conto...


sábado, 22 de novembro de 2014

Duas capas de Leal da Câmara


O pintor português Tomás Júlio Leal da Câmara (1876-1948) foi também um inspirado caricaturista e ilustrador. Por razões políticas, passou alguns anos em Paris.
L'Assiette au Beurre, revista satírica francesa, de inspiração anarco-marxista, fundada por Samuel-Sigismond Schwartz, judeu húngaro naturalizado francês, teve uma vida intermitente e publicou-se entre 1901 e 1936. Contou com a colaboração de Anatole France e teve ilustradores de qualidade: Félix Nadal, Benjamin Rabier e Juan Gris, entre outros. Leal da Câmara teve, também, uma colaboração assídua e vasta em L'Assiete au Beurre. São dele as duas capas, em imagem: uma representando o rei D. Carlos (1905) e a segunda o rei de Espanha Afonso XIII.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Capas e capas


Talvez os autores tenham as capas que merecem, no bom e no mau sentido. Mas também é verdade que, até há pouco, por cá, os escritores não abdicavam e tinham sempre uma palavra final a dizer sobre as capas dos seus livros. Mesmo que não fossem autores de primeira linha.
Não sei o que se passa, hoje, em Portugal, mas parece-me existir uma enorme falta de gosto estético, neste particular. Ontem, em diálogo com um bom Amigo, falámos do equilíbrio gráfico das capas dos livros franceses, que se tem mantido e apurado, ao contrário das nossas.
Da Vinci e Musil, certamente, mereciam o melhor, e estas capas francesas, já do século XXI, testemunham respeito, bom gosto e qualidade indiscutível.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Capas e Prémios


Sempre fui sensível à qualidade (ou falta dela) estética das capas dos livros. E, aqui no Blogue, algumas vezes falei disso. Do meu ponto de vista pessoal, e talvez  injustamente, considero os anos 60 como a idade de ouro da ilustração portuguesa, de que salientaria os nomes de Sebastião Rodrigues, Victor Palla, Lima de Freitas, Bernardo Marques, José Cândido, entre muitos outros.
Lá fora, a editora britânica Penguin Books criou até um prémio anual para o melhor design de capas de livros que, em 2013, galardoou o inglês Hayley Warnham, pelo seu trabalho para uma nova edição do policial "The Big Sleep", de Raymond Chandler. Embora não faça o meu gosto, aqui fica a notícia e a imagem do design da capa de livro premiada. Bem como um cartaz, do mesmo designer britânico, executado para o "Print Club Londons".

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Capas com gosto


Não faço na menor ideia por onde anda o gosto estético da grande maioria dos actuais capistas gráficos portugueses. Se calhar, nunca o tiverem. Mas, se o têm, deve andar pelas ruas da amargura, do mau gosto chineleiro. É evidente que Sebastião Rodrigues e Victor Palla eram únicos. Mas mesmo outros capistas, mais modestos em génio, nos anos 60 e 70, faziam capas estimáveis que não envergonhavam ninguém. Hoje copia-se (mal) o que há (de pior) lá fora. E, se calhar, ficam todos contentes, editoras inclusive, com o (péssimo) trabalho feito. Primam a foleirice e o quitche mais parolo e provinciano, sobretudo.
O bom gosto, antigamente, era quase obrigatório nas capas de obras de autores conhecidos, até porque eles se empenhavam, também, nisso. Lá fora, como em Portugal. Das muito sóbrias capas dos romances de Aquilino, da Bertrand, às inovadoras e mais exuberantes capas modernas de Cardoso Pires. Mas todas primavam pelo predomínio de um nítido equilíbrio estético, que acompanhava os conteúdos de qualidade. Lá fora, a preocupação era idêntica, mesmo que a edição fosse modesta  e popular, como se pode ver pelas capas inglesas e americanas (anos 50/60), que deixo em imagem, a encimar este poste.
Porque, hoje em dia, contemplar as montras das livrarias portuguesas (Bertrand, ao Chiado, inclusive), quase me dá vontade de vomitar. Esteticamente - quero eu dizer.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A estética do passado



As imagens não carecem de legendas. Pertencem a capas de livros dos finais do séc. XIX e início do séc. XX, e do mais fino gosto, para a época. Algumas são de Alfredo de Morais e, outras, de Alberto de Sousa. Pertencem a uma colecção de postais, em estojo de cartão, que a BNP editou sob o título "Antes das Playstations - 200 anos do romance de aventura em Portugal". A qualidade do grafismo português manteve-se, progrediu e aperfeiçoou-se até aos anos 70 do século passado. Depois, e até hoje, foi um fartar vilanagem de mau gosto quitche, quase generalizado, a puxar para o chinelo da indigência estética ou da nula criatividade.

com os melhores agradecimentos à estimada ofertante.