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terça-feira, 24 de julho de 2018

A facilidade e o entretenimento


Com a ligeireza característica que é apanágio da reflexão bloguística, vou escrever uma blasfémia (só para alguns) foleira: Eça é melhor que Camilo. Que tenho grandes dúvidas em subscrever.
Predominantemente, como em todos os países europeus, e até finais do século XIX, a literatura portuguesa situou-se em cenários rurais, onde, aliás, grande parte da população vivia.
Eça, por cá, foi a grande excepção, Camilo, a regra.
Depois, o neo-realismo do sul da Europa, sobretudo, acabou por prolongar essa agonia.
É evidente que há grandes romances de cenário rural, por esse mundo. De Lampedusa, de Steinbeck, até de Mauriac. Mas tão só de grandes escritores, que, em Portugal, não são muitos. Façamos então justiça a Camilo e a Aquilino, cada vez menos lidos. Pelos mimosos citadinos lusitanos.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Ficções


É ponto assente, na opinião da crítica inglesa, que, a partir da I Grande Guerra e, com muito maior intensidade, a partir do final da II G. G., o cenário da ficção britânica passou a ser mais citadino, quando, anteriormente, tinha um predomínio campestre. A transumância das populações para as cidades, com a Revolução Industrial, foi apenas o início de um processo, que a ficção, e até mesmo a poesia, acompanharam de perto.



Em Portugal, Eça foi sobretudo um ficcionista de cidade, se exceptuarmos A Ilustre Casa de Ramires e o híbrido A Cidade e as Serras, mas quase toda a ficção camiliana é situadamente campestre, como grande parte da literatura portuguesa anterior. O Neo-realismo privilegiou largamente os campos (Redol, Manuel da Fonseca) e as zonas ribeirinhas ( Soeiro Pereira Gomes e Loureiro Botas) e, que me lembre, apenas Tavares Rodrigues e Namora (na sua segunda fase) se atreveram a devassar as ruas mais escuras e escusas da cidade. Ainda hoje, no entanto, Rentes de Carvalho e Riço Direitinho encenam as suas ficções campestres, em algumas obras.


Embora eu frequente, pouco e mal, a ficção portuguesa de agora, julgo que os cenários são, maioritariamente, citadinos. Passou o tempo de Aquilino, embora o Mestre tenha situado alguns dos seus romances em Lisboa. Como, de algum modo, Miguéis, mais cosmopolita, porém. A obra de Carlos de Oliveira divide-se, ambivalente. Mas, para os novos escritores, o cenário é urbano, até porque são, na maioria, citadinos os seus leitores e a vivência de ambos. E o regresso da alguns vegans aos campos e à natureza, bem como a fruste troca da cidade pelo campo, de alguns jovens casais idealistas, não irá alterar o cenário das ficções portuguesas - creio eu.