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domingo, 14 de abril de 2013

Silenciamentos


De algum modo, o TLS (nº 5739) dedica, não intencionalmente, uma boa parte das suas páginas a dois tipos de silêncio: o formal ou de apagamento social, e o sagrado ou religioso, nas suas formas de consentido, mas também imposto, por vezes.
Lembro-me, na minha juventude, de como algumas famílias "escondiam" em casas isoladas ou quintas afastadas, os seus filhos diminuídos ou mentecaptos, de forma a fazê-los escapar à irrisão social, mas também por vergonha ou conveniência - e para sua maior comodidade familiar. Muitas vezes, uma criada acompanhava este sepultamento em vida, dedicando-se por inteiro a estes seres humanos. Frequentemente, acontecia, em alternância, serem internados, para sempre em instituições psiquiátricas.
Mas segundo o TLS, na época vitoriana, com restritas normas de comportamento, essas instituições proliferaram e albergaram, muitas vezes com a cumplicidade de médicos, pessoas cuja extravagância, conduta (sexual, às vezes) e comportamento se afastavam da regra vigente. Mas não só em Portugal e na Inglaterra, a diferença se castigava com o silêncio. O caso da escultora Camille Claudel (1864-1943), em França, é exemplar, porque foi "sepultada" viva em hospitais psiquiátricos, desde 1913 até à morte. O caso - escandaloso para a época - do seu romance tempestuoso com Rodin, contribuiu também para justificar o seu apagamento social, imposto pela família.
Depois, há o silêncio religioso que, de algum modo, se religa, intrinsecamente, ao sagrado. Que, na sua forma mais visível, é observado nas Cartuxas. Mas também aqui houve um aproveitamento social para muitos apagamentos humanos, em Portugal, por conveniência familiar, pelo menos, até ao séc. XIX, e maioritariamente atingindo mulheres que se desviaram da norma. E mesmo que, no interior desses mosteiros e conventos, o diálogo fosse permitido, era-o apenas nessa comunidade. O contacto com o exterior era vedado, em princípio.
Nos dois casos, o silêncio foi sempre uma forma de punição social ou familiar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Auguste Rodin



Auguste Rodin nasceu a 12 de Novembro de 1840. Para além de várias, célebres e pessoalíssimas esculturas (Balzac, Os Burgueses de Calais, O Beijo, O Pensador...) que levaram a que fosse considerado o pioneiro da escultura moderna, há dois nomes de artistas que, culturalmente, lhe estão associados. De grande qualidade, também: Camille Claudel e Rainer Maria Rilke. O poeta checo, de língua alemã, foi seu secretário entre 1905 e 1906. Mas Rodin, ao que parece, mal deu por ele ou prestou-lhe pouca atenção. Mas Rilke escreveu algumas monografias sobre esculturas do artista francês e, por outro lado, em contacto com Rodin, ganhou uma perspectiva nova sobre a Arte. Entre o escultor e Camille Claudel (1864-1943), também escultora de grande mérito e, apesar da diferença de idades (24 anos), deu-se uma paixão fatal. A ruptura contribuiu para o agudizar de perturbações do foro psiquiátrico de Camille, que veio a ser internada em 1913, e até à morte. Há quem diga que algumas das mais conhecidas esculturas de Auguste Rodin terão tido, pelo menos, a colaboração activa de Camille Claudel. Rodin faleceu em 1917.

Nota: ao invés de reproduzir alguma escultura, preferi colocar um desenho de A. Rodin, por menos conhecido.