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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Aguarelas em Cambridge


A professora de Cambridge, Susan Owens (1954) refere, muito sabiamente, que "os pigmentos da aguarela oferecem aquilo que a pintura a óleo não pode dar: a sua transparência, que permite que a luz se possa reflectir para fora do papel, criando um efeito luminoso."
Não será só por isso que eu tenho um particular apreço pelas aguarelas, mas também pela frágil suavidade das suas cores precárias.
O museu Fitzwilliam, de Cambridge, tem um acervo considerável destas pinturas e decidiu promover uma exposição temática, em torno do século XVIII e da paisagem inglesa. A mostra estará aberta ao público até 27 de Setembro de 2015. E integra obras de Turner, Ruskin, Cozens e muitos outros.
Deixo em imagens, sequencialmente: "Lake Nemi" (1788) de J. R. Cozens (1752-1797), "Yorkshire Fells" (1812), de Peter de Wint (1784-1849) e "Appledon, Devon", de Thomas Girtin (1775-1802).

sábado, 26 de outubro de 2013

Traduzir


A propósito da saída de mais um volume da Library of Arabic Literature, edição bilingue (inglês e árabe) de obras importantes da cultura muçulmana, sob o patrocínio do Abu Dhabi e da New York University Press, o penúltimo número do TLS (5767) traz um artigo de Lydia Wilson (do Departamento de Filosofia Árabe Medieval, da Universidade de Cambridge), muito interessante. A estudiosa inglesa, além de referir algumas das obras traduzidas, que vão de relevantes textos Sufi, a tratados de medicina, poesia e até o livro de gastronomia Scents and Flavors the Banketer Savors, de Ibn al-Adim, Lydia Wilson - dizíamos - tece algumas considerações pertinentes sobre a tradução, que achei que valeria a pena verter para português e deixar aqui no Blogue. Seguem:
Traduzir é uma luta, e o resultado inevitavelmente um compromisso entre o literal e o lúcido; uma luta para preservar as associações de palavras e as referências culturais (muitas vezes impossível, por exemplo, nos trocadilhos e jogos de palavras). Se a tradução é literal e espera-se que o seja, em parte, e desejável, de algum modo, os resultados podem ser desajeitados e muitas vezes incompreensíveis - como o provam versões de pessoas impreparadas. A substituição mecânica, de palavra por palavra, sacrifica o sentido e torna-se disparatada, muitas vezes, como se pode ver nas traduções do Google. ...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Mercearias Finas 1


Vou começar por fazer uma declaração de interesses : não sou um "gourmet", mas aprecio comer bem e beber vinhos que me agradem, e tento que cada iguaria se case o melhor possível com a bebida certa. Dito isto, continuo. Conheço bem a gastronomia portuguesa e, razoavelmente, a alemã, a espanhola, a belga e a inglesa. Conheço mal a francesa.

Até hoje nunca percebi como é que a gastronomia inglesa é tão pobre, dessaborida e monótona. Se fosse britânico diria : "dull", ou "gloomy". Sendo um povo que eu admiro culturalmente - e gastronomia, para mim, também é cultura - em muitas áreas : literatura, história, arte em geral, etc., quando comem, contentam-se com umas burundangas corriqueiras e assépticas. E, no entanto, o meu amigo Américo Guerreiro de Sousa (conhecedor emérito da vida inglesa) diz-me, e eu acredito, que os "colleges" de Oxford e Cambridge, em matéria vinícola, têm autênticas preciosidades nas suas caves. Acredito, até porque há provas dadas do seu "feeling" e apetência de criadores: o nosso vinho do Porto! Portanto, a culpa deve ser do nevoeiro ... Em terras do sol, os ingleses florescem e dão o seu melhor.

Felizmente que a nossa gastronomia é rica, diversificada e apelativa. Os estrangeiros que conheço gostam imenso da comida e dos vinhos portugueses. Não tivessemos nós, entre outros, dois pratos tutelares de peixe e de carne: a caldeirada e o cozido à portuguesa. Um, óptimo no Verão, outro, um conforto prandial para o Inverno.

Vem isto tudo o propósito de um queijo e de um vinho, casados por mim, no almoço de hoje, ao final, como sobremesa.

Uma amiga teve a gentileza de me trazer e oferecer um queijo de Alcains, mais concretamente de Monte da Pedra da Légua (veja-se o rótulo). Era excelente: pasta irregular, artesanal, mas com sabor divino - se é que isto existe na Terra. Afortunadamente acompanhei-o com um Tinto da Adega Cooperativa de Pegões, colheita seleccionada de 2007 que cumpriu, com honra, a exigência que se lhe pedia.

Aconselho, aos que me lerem, este casamento particularmente feliz. E se puderem, no Tinto, trocar o de 2007 pela colheita de 2005, o casamento será ainda mais completo. Porque está mais no ponto. Não sei se será como o arroz de favas do Jacinto d'"A Cidade e as Serras" (pp. 212-213, 9ª ed. de 1924) de Eça de Queiroz, mas, com certeza, ninguém se deve arrepender do dinheiro que vier a gastar.