Mostrar mensagens com a etiqueta Caligrafia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Caligrafia. Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de agosto de 2019

Voltando a Simenon


A fidelidade, no seu sentido mais lato, é também uma virtude da atenção que, por sua vez, é um dos suportes mais sensíveis da amizade. Pelo menos, para quem assim o entenda e pratique.
Vem isto a propósito de eu, ao folhear um livro de Georges Simenon (1913-1989), recentemente, ter pensado que o leio desde o princípio da adolescência e continuo fiel à ideia de o considerar um dos 3 grandes romancistas policiais. E não só.


Este Novembre (1969), considerado um dos seus roman dur, teve mais duas edições (1983 e 2011), pelo menos. O meu exemplar, em imagem, é da edição original da Presses de la Cité e encontra-se em muito boas condições, apesar de conservar a marca de posse manuscrita da anterior proprietária, que o terá comprado em Bruxelas, no mês de Setembro de 1978, muito provavelmente também já usado. Mas os donos estimaram bem o volume, que conserva ainda a sobrecapa em bom estado.


Diz-se que Simenon escrevia os seus Maigret em menos de uma semana e poucas emendas lhes fazia. Os roman durs eram porém um longo exercício, rodeado de alguns rituais austeros. Com algumas correcções no final. E um emagrecimento acentuado do seu peso normal, ao finalizar o livro.
Por curiosidade, reproduzo o verso das folhas de guarda final e da pasta posterior, que a edição original ostenta, notando-se 9 breves emendas manuscritas introduzidas, no texto escrito à máquina.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Traços geracionais


A paleografia permite-nos descodificar documentos do passado, em que as inscrições assumiam sinais diferentes dos de hoje e, por isso, um cidadão normal não os conseguiria perceber.
Por outro lado, o tipo de caligrafia usado na escrita ajuda-nos a localizar, quase sempre uma época e o tempo em que viveu o autor do texto manuscrito. Sobretudo, se esse tempo for próximo de nós e nos tivermos habituado a esses sinais.


Já hoje não se usam, creio, os cadernos de caligrafia que disciplinavam, padronizando, os cânones prescritos para as letras do alfabeto dos núbeis alunos da Instrução Primária.
Essa escolar e forçada uniformização contribuía, assim, para caracterizar e revelar ainda mais os traços de cada geração humana.


Desses traços, porém, escapavam-se as caligrafias daqueles ou daquelas que, por circunstância estética  e singularidade de gosto, iam aperfeiçoando a sua escrita, ao longo da vida. E, em sentido inverso, as ditas "escritas de médico" que, por vezes, se tornavam autênticos hieróglifos para os outros...
As imagens, aqui usadas, seguindo uma ordem cronológica, exemplificam modelos de caligrafias de 3 gerações  abarcando um período de cerca de 75 anos. E ilustram vários matizes de: idade, género, mas também estéticos e culturais.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Grafologia, caligrafias e outras considerações avulsas


Há vidas que são uma única e só hesitação. Outras, que se pulverizam em fragmentos inúteis e se perdem em pequenos nadas, sem fim à vista. Outras, ainda, de uma coerência a toda a prova, que parecem uma recta perfeita, em direcção ao infinito. Numa pulsão que ignora os obstáculos e os empecilhos.
Parece que, quem tiver acesso a um poema manuscrito de Keats, poderá ter a impressão de que os versos teriam sido escritos na véspera, tal a beleza caligráfica e a linearidade fresca e limpa da escrita do poeta inglês. Sabe-se quanto a escrita (pequeníssima) de Agustina é críptica e difícil de ler - era o Marido que passava, à máquina, os manuscritos. A de Vergílio Ferreira era poupada, ocupando todo o espaço das folhas de papel. Proust (ver imagem) era muito desarrumado a escrever.
E, ao que dizem, Hitler raramente escrevia à mão (até o testamento foi dactilografado), tentando decerto evitar futuras análises grafológicas à sua caligrafia.