Em finais dos anos 60 (Novembro de 1967, creio) experimentei, pela primeira vez, a grande força das águas, ao ter de atravessar a Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa. A avenida parecia o leito de um rio enfurecido, fortíssimo e caudaloso, pelas grandes chuvas que tinham caído. Consegui fazer a travessia, mas a muito custo.
Depois, recordo as duas únicas vezes em que senti verdadeiro medo. Nos anos 70, no alto mar de Esposende, mês de Agosto e de madrugada, a bordo de uma frágil traineira. Cheguei a terra completamente ensopado em água salgada e a tremer de frio (e medo?). Da segunda vez, em finais dos anos 80 (1988?), numa simples travessia fluvial (Cais do Sodré-Cacilhas), em que o cacilheiro em que eu seguia andou à deriva durante mais de meia hora. Dentro do pequeno barco, só se ouviam rezas e choros. Quando conseguimos, finalmente, aportar a Cacilhas, esperavam-nos bombeiros, 2 ambulâncias e muitos populares curiosos, alguns deles, familiares dos passageiros, aflitos. E, mesmo assim, tivemos de saltar do barco para o cais, porque o cacilheiro não parava quieto, pela fúria do Tejo...
Ora, o meu amigo AVP, em retribuição da dedicácia que lhe fiz, no poste sobre as naus portugueses dos decobrimentos, teve a amabilidade de me enviar um vídeo, onde é bem visível a ira das águas e as vicissitudes por que passam, tantas vezes, os homens do mar. Pelo testemunho impressionante que representa, aqui fica.