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sábado, 30 de março de 2024

Mudança de Hora

 

Na madrugada deste Domingo de Páscoa (31/3/2024), os relógios deverão ser adiantados sessenta minutos, da 1h00 para as 2h00, iniciando-se assim o horário oficial de Verão.

Boa Páscoa, para todos os que por aqui passem!

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Mercearias Finas 170

 

Nunca fui muito de restaurantes superfinos ou de moda, e também não fui atraído jamais pela estética de encher a barriga com a nova cozinha que ajudou a promover alguns cozinheiros inteligentes e oportunistas. As minhas experiências gastronómicas nunca foram muito além da Cozinha Velha (Queluz), da Bica-do-Sapato (Lisboa) ou do Palace do Bussaco, onde infelizmente até me serviram, à sobremesa, um bolo de chocolate ressequido, que, reclamando, deixei quase inteiro no prato, dessa vez que lá fui. Não fossem os vinhos...



Depois do 25 de Abril, um dos meus restaurantes predilectos era o Rio Grande, ao Cais do Sodré, que apresentava, pelo Verão, uns Mexilhões à Espanhola, de apetite, um aprimorado Cozido à Portuguesa, pelo Inverno, e um bem confeccionado Polvo à Lagareiro, bem saboroso. A garrafeira, no entanto, era modesta e limitada nas opções. O restaurante mudou e rejuvenesceu de gerência, em tempos recentes, mas não deixou os seus créditos por mãos alheias. Há poucos meses, em companhia de HMJ, comemos lá uma magnífica Chanfana que fazia jus às melhores da Bairrada.
E não posso esquecer que foi lá que jantei, pela última vez, com o meu bom amigo J. J. C. G., (Retratos [4], 10/10/2011) antes dele regressar a Moçambique (onde viria a falecer), numa noite de Verão, de há muitos anos atrás. Estes factos ficam na memória para sempre, enquanto estivermos vivos.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pessoana e lisboeta


Procurei-os, em vão, aos patos selvagens sobre o rio. Mas as nuvens carregadas, que depois deram em chuva, devem tê-los afastado para longe. Mesmo as gaivotas eram escassas e fugidias sobre as águas escuras.
O travo da dessaborida dobrada vinha-me ainda no gosto desencantado, ao começo da tarde. Reforçada que fora, por nós, com sal e pimenta, nada adiantou à confecção desajeitada da cozinha. Ainda perguntei se a cozinheira estava de folga ou férias, mas não me souberam responder. Vinha, ao menos, quente, como recomendava o Eng. Álvaro de Campos: "...Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria."
O Cais do Sodré estava mais conforme ao "ano da morte de Ricardo Reis", com a chuva desalmada caindo. E, no Chiado global, começaram a surgir, não se sabe donde mas como sempre, os oportunos indianos e paquistaneses a vender os pequenos guarda-chuvas extensíveis a cinco euros cada. Devem ter herdado, por trespasse, o negócio dos chineses que, entretanto, se sumiram para as bandas da EDP...

sábado, 7 de janeiro de 2012

A força das águas


Em finais dos anos 60 (Novembro de 1967, creio) experimentei, pela primeira vez, a grande força das águas, ao ter de atravessar a Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa. A avenida parecia o leito de um rio enfurecido, fortíssimo e caudaloso, pelas grandes chuvas que tinham caído. Consegui fazer a travessia, mas a muito custo.
Depois, recordo as duas únicas vezes em que senti verdadeiro medo. Nos anos 70, no alto mar de Esposende, mês de Agosto e de madrugada, a bordo de uma frágil traineira. Cheguei a terra completamente ensopado em água salgada e a tremer de frio (e medo?). Da segunda vez, em finais dos anos 80 (1988?), numa simples travessia fluvial (Cais do Sodré-Cacilhas), em que o cacilheiro em que eu seguia andou à deriva durante mais de meia hora. Dentro do pequeno barco, só se ouviam rezas e choros. Quando conseguimos, finalmente, aportar a Cacilhas, esperavam-nos bombeiros, 2 ambulâncias e muitos populares curiosos, alguns deles, familiares dos passageiros, aflitos. E, mesmo assim, tivemos de saltar do barco para o cais, porque o cacilheiro não parava quieto, pela fúria do Tejo...
Ora, o meu amigo AVP, em retribuição da dedicácia que lhe fiz, no poste sobre as naus portugueses dos decobrimentos, teve a amabilidade de me enviar um vídeo, onde é bem visível a ira das águas e as vicissitudes por que passam, tantas vezes, os homens do mar. Pelo testemunho impressionante que representa, aqui fica.