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sexta-feira, 5 de maio de 2023

Antologia 16





De Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (1900-1987), transcreva-se, a propósito de culinária brasileira: 

"Do traço importante de infiltração de cultura negra na economia e na vida doméstica do brasileiro nos resta acentuar: a culinária."
...
"No regime alimentar brasileiro, a contribuição africana afirmou-se principalmente pela introdução do azeite dendê e da pimenta malagueta, tão característicos da cozinha baiana; pela introdução do quiabo; pelo maior uso da banana; pela grande variedade na maneira de preparar a galinha e o peixe. Várias comidas portuguesas ou indígenas foram no Brasil modificadas pela condimentação ou pela técnica culinária do negro, alguns dos pratos mais característicamente brasileiros são de técnica africana: a forofa, o quibebe, o vatapá."
(pg. 431)
...
"Desses tabuleiros de pretas quituteiras, uns corriam as ruas, outros tinham  seu ponto fixo, à esquina de algum sobrado grande ou num pátio de igreja, debaixo de velhas gameleiras. Aí os tabuleiros repousavam sobre armações de pau escancaradas em X. A negra ao lado sentada num banquinho.
Por esses pátios ou esquinas, também pousaram outrora, gordas, místicas, as negras de fogareiro, preparando ali mesmo peixe frito, mugunzá, milho assado, pipoca, grude, manuê; e em S. Paulo, que nos fins do século XVIII se tornou a grande terra do café, as pretas de fogareiro deram para vender a bebida de sua cor a « dez réis a chícara acompanhada de fatias do infalível cuscuz de peixe, do pãozinho cozido, do amendoim, das pipocas, dos bolos de milho sovado ou de mandioca, ..."
(pg. 433).

domingo, 19 de março de 2023

Obituário


Embora eu deteste monopólios e a torra à espanhola, preferindo uma distribuição de arábica e robusta equitativa para um equilibrado e suave lote de café, com torra lusa ou, eventualmente, italiana, não posso deixar de ignorar a morte do sr. Nabeiro (1931-2023), de Campo Maior. Até pela sua competência comercial e conquista de Espanha raiana, quanto a café. Estas vitórias ibéricas, pela nossa parte, são sempre muito raras...

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Fé, café e música


16.000 igrejas abandonadas ou encerradas, no Reino Unido, segundo refere George Steiner, em entrevista concedida a Laure Adler, em 2015. A escassez ou ausência total de fiéis assim o justificou.
Em Antuérpia, ainda não há muitos anos, na paróquia de Sint-Norbertuskerk, na Dageraadsplaats, o padre da paróquia, em emergência, convocou os fregueses católicos para lhes dar conta que a igreja poderia vir a ser transformada em mesquita. Perante a fraquíssima afluência de fiéis, a autarquia ponderava a decisão, a pedido da comunidade islamita da zona, de a entregar para readaptação a mesquita. A reunião da comunidade católica decorreu com alguma preocupação e dramatismo, mas foram tomadas medidas, ajustadas à questão, para debelar o problema candente.
Ainda hoje, Domingo, depois da missa das 11h00, foram servidos bolinhos e café, aos fiéis que quisessem retemperar forças e também aos que se encontrassem em jejum, por causa da comunhão. A música passou também a ter lugar cativo (Cantatas de Bach, hoje) durante os ofícios divinos. A assistência de fiéis e frequência recompôs-se satisfatoriamente, nos últimos tempos...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Paternalismo por via administrativa


A notícia faz capa no jornal Público, de hoje.
As cafeeiras portuguesas embalam os pacotinhos com 6, 7, 8 e 9 gramas de açúcar para acompanhar a venda do café, consoante a torra, da sua marca, é mais carregada (à espanhola, como a Delta) ou mais leve (à portuguesa, como a Nicola). Pois agora a DGS, talvez porque não tem mais nada que fazer, decidiu propor ao governo uma redução para metade do açúcar nas saquetas... Exorbitou, quanto a mim, nas suas competências, por bizantinice.
Do meu ponto de vista trata-se de um paternalismo inqualificável e que revela uma visão infantilizada dos utentes. Uma autêntica ditadura administrativa sobre os consumidores de açúcar, e é por estes sinais que se vê como estes pequenos tiranetes burocráticos procuram formatar tudo à sua volta. Como se os utentes não tivessem vontade, nem cabeça ou tino. Ou não pudessem pedir 2 saquetas, no futuro, em vez de uma. Arre!, que são burras e pernósticas estas directorias-gerais.


Em post-scriptum e para desanuviar, aqui fica mais um pacotinho de açúcar, com a lenda de Coimbra (2/20), da série do Café Chave d'Ouro.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Café e Turismo


Não sei se esta nomenclatura será extensiva a toda a Andaluzia, ou mesmo a toda a Espanha, mas em Málaga poderá ser usada, com resultados satisfatórios, para pedir um café (bica ou cimbalino), de feição com o gosto de cada um. Cá fica, como orientação, para quem lá vá.