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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Bibliofilia 71 : Cancioneiro




Feito com grande esmero tipográfico e com numerosas e importantes notas e indicações para a época, embora, hoje, desactualizadas, esta pequena obra, em tamanho, foi publicada, em Madrid, por Caetano Lopes de Moura (1780-1860), no ano de 1849. Mulato brasileiro, o patrocinador-mecenas chegou a ser médico pessoal de Napoleão, tendo acompanhado o Imperador francês, pelo menos, nas batalhas de Marengo e Wagram. Lopes de Moura teve vida atribulada e acabou por morrer em Paris, em más condições económicas, apesar de D. Pedro II, imperador do Brasil, lhe ter atribuído uma tença.
O livrinho, que não é frequente aparecer à venda, foi feito sobre o manuscrito da Biblioteca da Vaticana, e impresso por Alexandro Gomes Fuentenebro, rua de las Urosas, nº 10 (Madrid). Contém dois fac-similes do Cancioneiro original, de que se reproduz, em imagem, um. Terá pertencido a Angel Uriarte, ostentando o ex-libris do bibliófilo. O nosso exemplar foi comprado num leilão da Livraria Antiquária do Calhariz, no início dos anos noventa do século passado. Mas não tenho elementos que me permitam indicar o preço por que foi adquirido. O livro está encadernado e em magníficas condições de conservação.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Um luso-brasileiro esquecido



Caetano Lopes de Moura, mulato da Baía, onde nasceu em 1780, é hoje um homem quase esquecido, muito embora tenha tido uma vida bem preenchida. Era médico, estudou em Coimbra e, provavelmente, também em França para onde foi, em 1803, e onde veio a morrer, em 1860. Todos os seus livros foram publicados em Paris e alguns deles são importantes. Destaco "Cancioneiro D'Elrei D. Diniz", de 1849, feito sobre o manuscrito da Biblioteca da Vaticana. E a interessante "História de Napoleão Bonaparte,...", (em 2 volumes) com vivas e precisas descrições de batalhas travadas: Marengo, Wagram em que participou, uma vez que era médico de Napoleão.
Lopes de Moura foi também tradutor para português de diversas obras de Walter Scott ("O Talismã", "Quintino Doward"...) e de James Fenimore Cooper - "O Derradeiro Moicano". Embora as biografias que se fizeram sobre a sua vida sejam um pouco fantasiadas, não há dúvida que este médico baiano teve uma vida atribulada e intensa. Em 1846, o imperador do Brasil, D. Pedro II fez-lhe alguma justiça, atribuindo-lhe uma pensão vitalícia de 400 francos (conforme se pode ver, também, pela folhinha ingénua, brasileira dos anos 50, que reproduzo). Mas Caetano Lopes de Moura não terá morrido no Brasil, como a folhinha refere, mas em Paris.