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domingo, 9 de julho de 2017

Para MR, que não sabia o que eram "beijinhos"...


Lá para o meio de Agosto, e antecipamente, se marcava uma expedição à praia das Caxinas, depois do almoço, para arranjar conchas pequenas, bonitas e exóticas. E íamos para essa praia de Pescadores, já perto de Vila do Conde, porque os areais da Póvoa estavam muito devassados pelos infantis pesquisadores de conchinhas, que todos os dias as procuravam, pela Praia dos Banhos.
O trunfo maior e mais precioso, eram os "beijinhos", pequenos e ovalados, normalmente, ornamentados com 3 (?) pintas castanhas ou pretas, no dorso. Três ou quatro "beijinhos", encontrados numa dessas expedições à beira-mar, eram um autêntico tesouro, que traziamos de lá...

domingo, 26 de abril de 2015

Retratos (14)


As Caxinas eram e são, para mim, a Senhora Margarida J., embiocada de negro que, por Agosto, quando a visitávamos, invariavelmente, me oferecia - era eu criança -, da prateleira, uma pequena embalagem de bolachas Maria, que era o que havia de melhor, na Loja. O que se via, do seu rosto, crestado por sol e mar, eram as rugas, oriundas quase todas das comissuras dos olhos.
Viúva, administrava, com zelo e autoridade, uma pequena tasca-mercearia, na fronteira entre a Póvoa e Vila do Conde. Essa visita anual, exemplo de austeridade e devoção, por parte de minha Mãe, agradava-me sempre, não tanto pelas bolachas, mas pelo ambiente que se respirava, tão diferente daqueles a que estava habituado. E tinha uma verdadeira simpatia pela velha Senhora, que pouco sorria, embora se agradasse de nos ver.
Não sei donde lhe vinha o luto, nem a rede imensa de rugas fundas que, provavelmente, pressupunham lágrimas passadas e, talvez naufrágios, pensava eu, na altura. E, agora, é já muito tarde para perguntar...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sons de infância e adolescência


Não será muito importante para a maioria dos portugueses, não fará a primeira página dos jornais, amanhã, será uma notícia insignificante para o mundo, mas nada do que se passa na Póvoa me é indiferente: desapareceram 5 pescadores anónimos das Caxinas, esta madrugada, e houve um único sobrevivente do naufrágio.
As minhas noites juvenis de Agosto, por volta da meia-noite, ainda chocalham, na memória, por um som metálico das maletas-lancheiras onde, provavelmente, balouçavam anzóis, pesos de chumbo, juntos com frugais viandas, provindos das mãos morenas dos pescadores invisíveis, que atravessavam a rua da Junqueira nocturna, em direcção ao mar...