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sábado, 26 de novembro de 2016

Curiosidades 60


Muita gente saberá que o uso de beber chá veio da China. E que foi Catarina de Bragança (1638-1705), filha de D. João IV, quem, ao casar com o rei inglês Carlos II, levou para a Grã-Bretanha o costume de se beber chá, a meio da tarde.
O que nem todos saberão - lenda ou história verdadeira - é que terá sido o imperador chinês Chen Nung, no ano 2737 A. C., que, por acaso, o criou pela primeira vez e o bebeu. Este imperador tinha bons conhecimentos de medicina e, por questões de saúde, ordenou que os seus súbditos sempre que pudessem deviam beber apenas água depois de fervida. Ele próprio cumpria, escrupulosamente, a regra.
Num dia de grande calor, Chen Nung sentou-se à sombra de uma árvore selvagem, bebendo a sua água fervida. Uma leve aragem fez desprender algumas folhas do grande arbusto e duas ou três cairam no seu copo. Ao levar aos lábios esta inesperada tisana, o imperador ficou maravilhado com o sabor requintado da bebida. A nova feliz espalhou-se e o uso do chá começou a ser hábito na China.

domingo, 3 de agosto de 2014

Retratos de Catarina


No dote, com outras preciosidades, levou Catarina de Bragança (1638-1705) para Inglaterra, Tanger e Bombaim, que deixaram de ser portugueses. Por lá introduziu o vício do chá e a receita da geleia de laranja, que viria a generalizar-se de nome, para todas as compotas, em marmelade, já que os britânicos são monótonos e grosseiros, no que à gastronomia diz respeito. Para a Grã-Bretanha, levou também consigo uma pequena orquestra de câmara porque, tal como o pai (D. João IV), gostava de música.  O marido, Carlos II, apesar de mulherengo, privilegiava a beleza feminina e, por isso, antes de se comprometer, mandou a Portugal o pintor Dirk Stoop, para que retratasse a Infanta. O quadro (1660-1661) saíu como se vê acima, que Catarina tinha ainda a frescura da juventude, pese embora a testa alta, mal dissimulada sob um caracol enorme...
Mas na corte inglesa acharam-na feia, pouco simpática, além disso, era católica, para lá de ser discreta.

Cerca de três anos depois, Peter Lely, em 1663, faz ressaltar a sua maturidade e, embora os olhos negros fossem bonitos, trazem no retrato uma distância ou miopia ligeira. Carlos II, porém, não ficara desagradado e assim escrevera à irmã: "...o seu rosto não é exactamente uma beleza, embora os seus olhos sejam excelentes e a face não tenha traços grosseiros. Pelo contrário, o seu aspecto é agradável". Mas, e como refere Júlio Dantas (Cartas de Londres), a rainha seria muito pequena e algo roliça de corpo. Teria boa voz - vários autores referem o facto -, cabelos pretos, mas os dentes eram um pouco salientes. Por outras qualidades, atribuem-lhe ponderação e gravidade, bem como inteligência. E, é certo, Carlos II muitas vezes lhe ouvia o conselho avisado sobre questões políticas de difícil decisão.

O retrato, acima, que dela fez Caspar Netscher terá sido executado pouco antes de ficar viúva. Catarina manteve-se ainda uns anos, em Inglaterra, depois da morte de Carlos II e, ao que se diz, era respeitada e bem tratada, embora tivesse saudades de Portugal. Por isso, obtidas as respectivas autorizações, em 1692, partiu no final do ano, tendo chegado a Lisboa, no início de 1693, onde foi recebida, com alegria festiva.
Viveria ainda mais 12 anos, em solo português, vindo a falecer no seu palácio da Bemposta, no ano de 1705, reinava D. Pedro II, seu irmão mais novo.
Devo acrescentar que Catarina de Bragança é, das personagens portuguesas régias, talvez, a que tem uma mais ampla iconografia. O facto de ter sido rainha de Inglaterra terá contribuido, indubitavelmente, para isso. 




sexta-feira, 10 de maio de 2013

Catarina


É o exemplo acabado e naïf de uma arte decorativa, em contas de vidro, muito em voga no séc. XVII inglês. No fundo de um cesto de uso doméstico, esta representação de Catarina de Bragança (1638-1705) e do seu régio esposo, Carlos II, que terá sido feita em 1665, por alguma jovem fidalga, nos seus ócios interiores. Registe-se o ar airoso da rainha, de origem portuguesa, ao contrário da ideia difundida pelos ingleses de que era muito feia, talvez para justificar as infidelidades constantes de Carlos II.
Este precioso exemplar da decoração em contas de vidro encontra-se, entre alguns outros, desde 1/5/13, em exposição no Holburne Museum, em Bath (Inglaterra).

terça-feira, 1 de maio de 2012

Produtos Nacionais 7 : Chá



É sabido de muitos que o chá, bem como a geleia de laranja, foram introduzidos na corte inglesa pela filha de D. João IV, Catarina de Bragança (1638-1705), que casou com Carlos II, e foi a única portuguesa que reinou na Grã-Bretanha. Contribuiu, assim, para amenizar um pouco a sensaboria da gastronomia britânica e deu início ao tradicional five o'clock tea. O que nem todos saberão é que somos o único país europeu a produzir chá. Mais concretamente, na ilha de S. Miguel, dos Açores, no lugar da Gorreana, concelho da Ribeira Grande.
É bastante provável que o chá açoreano tenha sido produzido já no séc. XVII, mas há várias datas em litígio: 1750, 1801 e 1878. Ao que parece, o primeiro envio da planta aromática para o Continente, deu-se em 1801. Mas o seu tratamento ainda não era perfeito, por isso, em 1878 vieram 2 macaenses (Lau-a-Pan e Lau-a-Teng) especialistas na matéria, para os Açores, fazer formação e aperfeiçoar os conhecimentos dos ilhéus, no cultivo da famosa planta. Aí se demoraram cerca de ano e meio.
Numa altura em que devemos, por várias razões, preferir os produtos portugueses, sobretudo quando são bons, quero sublinhar a excelência do Chá Gorreana, que se produz nos Açores: preto ou verde. Das variedades, eu prefiro o Orange Pekoe, mas todas elas são boas, sendo que esta é mais aromática. Pode comprar-se em Lisboa, nas lojas da especialidade, ou no ponto de venda de artigos açoreanos, na rua de S. Julião. É uma aposta segura, e um chá delicioso para as tardes ou noites frias de Inverno, e não só - é um produto nacional.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Estatuária e jardim suspenso - itinerário pedestre


Quem vier da Almirante Reis e virar para a rua do Paço da Raínha, ainda tranquila à hora do almoço, encontra, à direita, junto da Academia Militar, um busto rendilhado da que foi a única portuguesa raínha de Inglaterra - Catarina de Bragança (1638-1705), mulher de Carlos II. Não deu herdeiros ao Rei, mas deixou um legado composto de geleia de laranja e chá à paupérrima e cinzenta gastronomia da Grã-Bretanha. Convenhamos que não foi coisa pouca.
Se continuarmos a avançar, já no Campo dos Mártires da Pátria (Campo de Santana), deparamos - e eu nunca me tinha apercebido - com o busto de El Inca Garcilaso de la Vega (1539-1616), obra do escultor peruano Miguel Baca Rossi (1917), que foi oferecido à cidade de Lisboa, pelo Peru, em 1984. El Inca foi um homem de duas culturas muito distintas. Criado, até aos 10 anos, na corte Inca, porque filho da princesa Isabel Palla Occlo, veio aos 21 anos para a corte espanhola, uma vez que era filho, também, de um nobre espanhol. Aí escreveu "Los comentarios reales...", cuja primeira edição foi impressa em Lisboa, obra singular de um renascentista desenraízado e dividido.
Continuemos. Há um pequeno lago, na Praça: há girinos, pequenos patos, garnisés lutando, entre si, por uma minhoca, há um gigantesco pombo castanho-róseo passeando a sua soberba; há velhos dando miolo de pão às pombas. Mas se seguirmos em direcção ao elevador do Lavra, pouco antes, podemos descer preguiçosamente até ao chamado jardim (suspenso) do Torel. Infelizmente, tem muito mais betão que verde vegetal...é uma pena. Mas, mesmo assim, dos vários patamares podemos alcançar horizontes únicos, no meio do casario. Para trás o que parecem sumptuosas "villas" italianas; em frente, a linda mancha verde, ao longe, do Jardim Botânico que, na Rua da Escola Politécnica, se esconde atrás da antiga Faculdade de Ciências.
Há uma esplanada quieta, silente, convidativa. Uma caipirinha ou um "mojito" são sempre bem vindos na canícula, ao princípio da tarde. Quando acabarmos, mesmo que as palavras apeteçam demorar-se, é só descer mais alguns patamares deste jardim suspenso. Até à Rua das Pretas, para regressar, de novo, ao ruído e à civilização...

P. S.: para ms, com afecto.