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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Marechais

Dignidade honorífica, nos tempos mais recentes, o posto de marechal destinava-se, principalmente, a premiar uma relevante carreira militar de um oficial superior do exército. Muito embora, do ponto de vista histórico, o cargo tenha sido criado pelo rei D. Fernando, em 1382.


Quando comprei o livro (imagem acima), interessavam-me, sobretudo, alguns nomes, que eu não sabia se teriam chegado ao posto de marechal: Junot, Ney, Bernardotte, Soult, Loison, Massena, Murat...  Fiquei a saber que Junot, atacado de loucura, não chegou lá, e Loison que, no Minho e aquando da invasão, espalhou o terror ("Vai tudo para o maneta!"), também não. Mas as biografias sucintas de Désiré Lacroix (Les Maréchaux de Napoléon, 1896, Garnier Frères) são um trabalho essencial para conhecer a vida destes militares franceses do tempo de Napoleão Bonaparte (1769-1821).


Chegaram a 26 os marechais franceses em exercício e alguns deles cobriram-se de glória em batalhas conhecidas. Por cá, em Portugal, o posto de marechal foi, única e recentemente, honorífico. No século XX, tivemos apenas 6 marechais (dois da Força Aérea: Craveiro Lopes, e Humberto Delgado a título póstumo) e só Francisco da Costa Gomes (1914-2001) alcançou o século XXI. Lembremos os restantes: Gomes da Costa, Óscar Carmona e António de Spínola.



domingo, 27 de outubro de 2013

Críptica (ou só entendível para os muito próximos)


Sempre tive muita dificuldade em pronunciar ou escrever o verbo adorar.
E há situações limite a que devemos resistir com todas as forças da razão, sob o perigo de exagerarmos, de sermos levianos ou mesmo, despudoradamente, ridículos. É um facto que, hoje em dia, a impropriedade no uso da língua portuguesa é abundante, mesmo em pessoas com credenciais académicas, responsabilidades públicas e obrigações éticas ou políticas. O exagero acabou por banalizar-se, da mesma forma que Hannah Arendt falava da banalização do mal.
Lembro-me do cuidado e do tempo que Costa Gomes demorou para decidir-se a  declarar o estado de sítio, em Portugal, numa altura convulsa do PREC.
É por isso que se deve aplicar, com usura e muita parcimónia, a caracterização de mais dois casos de situações limite:
- o estado interessante
- o estado de choque.

sábado, 22 de setembro de 2012

A última semana

Nos últimos oito dias, do ponto de vista político, assistimos a inúmeras declarações que primavam por uma linguagem de pau, entre a banalidade burocrática e o disparate dissimulado por belas palavras. Entretanto, o discurso popular agudizava-se nas ruas. Do semi-cerco ao Palácio de Belém, aquando da reunião do Conselho de Estado (Porque terá saído Mário Soares a meio, cerca das 20h00?) retive uma frase de um manifestante, que falava bem e tinha o discurso arrumado. Disse ele: "A polícia está cá fora, mas os ladrões estão lá dentro" - as generalizações são sempre injustas, foi o que pensei. E lembrei-me de 1975.
Creio que terá sido Karl Marx, no seu trabalho sobre o 18 Brumário que postulou que a História, normalmente, se repete, a primeira vez, como tragédia, a segunda vez, como farsa. Em 1975, o general Costa Gomes, Presidente indigitado, veio, cá fora e pessoalmente, arengar e serenar a multidão de manifestantes. Convenhamos que era um militar de craveira, e estava habituado a multidões. O seu sucessor, ontem, mandou um porta-voz de 3ª classe, cujo nome desconheço, ler um curto comunicado de 7 pontos, em linguagem de pau, aos jornalistas, já muito tarde. Não sei a que horas os sitiantes/manifestantes debandaram.
Mas os petardos já começaram a arder nas praças e nas ruas.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais 1976 (VII)


A feliz imagem de autoria de Vitor Peón, na sua execução e traço, remete para uma cena do filme "Quo Vadis" (1951), de Mervyn LeRoy, baseado no romance homónimo de Henryk Sienkiewicz, na sua imaginativa adaptação à epoca conturbada do PREC, e de apoio à candidatura de Pinheiro de Azevedo à Presidência da República Portuguesa.
Ursus (o actor Buddy Baer, no filme) transforma-se em Pinheiro de Azevedo nesta pega de caras que, nas filmagens do filme de LeRoy, foi executada, na verdade, por Nuno Salvação Barreto, chefe de forcados português, corajoso e bem conhecido. Lygia, papel desempenhado por Deborah Kerr, no filme, é aqui a República Portuguesa. E Nero (Peter Ustinof), o imperador romano, é personificado pelo General Costa Gomes, na altura, Presidente da República, provisório.
A força física exuberante de Pinheiro de Azevedo, na imagem, não tinha correspondância exacta com a realidade. No dia do principal comício em Lisboa, no Pavilhão Carlos Lopes, o Almirante Pinheiro de Azevedo teve um enfarte, e entrou em coma, não podendo participar no evento, para grande consternação dos seus apoiantes. Creio que o comício não chegou, sequer, a realizar-se.