Vinha cedinho da Costa, com o seu cântaro de leite à cabeça, muito a tempo do nosso pequeno almoço vimaranense. Que o leite tinha que ser fervido, antes de se beber. Deveria ter uma ou duas vacas, a nossa leiteira, e bom pasto, donde vinha também o musgo, no princípio de Dezembro para se montar o Presépio. Acabada a volta pelos fregueses, o leite remanescente era vendido, ao fim da manhã, na Feira do Pão, praça ampla aonde acorriam os clientes retardatários e alguns donos das leitarias da cidade. Foi isto nos finais de 40 e iniciais anos 50, porque em Coimbra e Lisboa, nos anos 60, já o leite só aparecia embalado, industrialmente.
Não sei, por isso, como fizeram a reconversão, estas profissionais da venda ambulante, sindicalizadas, de que encontrei os respectivos cartões de associadas (nº 48 e 381), passados pelo respectivo sindicato, no já longínquo ano de 1955. Talvez tivessem ficado desempregadas... O que posso garantir é que a nossa leiteira da Costa não estava inscrita no sindicato.