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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ex situ


Se, este ano, o zilreio contínuo dos estorninhos, ao fim da tarde, se me foi tornando habitual, na sua soada buliçosa, o mesmo não poderei dizer do bando de aves corpulentas que, ontem, domingo, por aqui estadiou, por cerca de meia hora.
Também nunca os tinha visto, em tão grande número, por estas bandas, nem mesmo por Portugal; em quantidade semelhante, só pelos campos da Germânia, na altura em que os tractores lavram a terra, os vira eu. Sobranceiros e altos, apareceram 2 ou 3 em az, primeiro, como exploradores, vindos de Noroeste; foram chegando mais até completarem um grupo de onze corvos. Empoleiraram-se nos pontos mais altos - antenas de tv - e, de lá, iam crocitando, de vez em quando. Pombas e pardais fugiram logo, até que os corvídeos, por volta das 17h30, seguiram para Oeste.
Com estes novos visitantes aéreos, quase apetece dizer que a ornitologia regional está a mudar de figurantes. Mas não deixei de me perguntar o que teria feito vir os corvos para estas bandas, pela primeira vez, pelo menos, em 30 anos...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ante-manhã


Para chegar de novo até aqui, tenho que recuar quase cinquenta anos, até uma praia do Norte, batida pelo vento, porque o vermelho ardia e parecia contagiar o azul intensíssimo, por cima. O areal quase deserto, ainda não iluminado pelo Sol. E, pouco depois, chegaram os pescadores de sargaço, uma horda gritante, com as suas jangadas de cortiça, correndo para o mar, coberto que ele estava por um tapete de algas, imenso.
Mas não havia pássaros, na altura. Hoje, três corvos, também de intensa negrura acrescentaram essa memória longínqua. Crocitaram, pesados e grandes, sobre o largo outrabandista ainda vazio de pessoas, marcando o espaço. Depois ficaram, vigilantes, dominando, no alto de dois pinheiros altos.