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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Curiosidades 116



Estes remetentes timbrados no papel de carta de algumas empresas de dimensão significativa serviam também para difundir os serviços que elas prestavam e os produtos que podiam fornecer, em tempos de antigamente. Por aqui deixamos dois exemplos: um de Lisboa e outro do Porto, ambos dos anos 70 do século XIX. Com algumas singularidades vocabulares...


sábado, 2 de agosto de 2025

Divagações 208

 

Gradual e normalmente, com o tempo, a minha correspondência foi-se reduzindo ao mínimo e/ou ao que seria educado e obrigatório, ou meramente formal. Mas dele, amigo meu, reencontro-a do passado, para mim, a cada passo. em livros, gavetas, nos sítios mais improváveis. Postais ilustrados, sobretudo, da Itália, de França, Espanha, Alemanha, até da Lituânia, dando notícias ou narrando algum episódio pitoresco. De Portugal nem se fala, um número imenso de sinais e imagens.
Através deles reunidos e agrupados se poderia, de algum modo, reconstituir o percurso de uma vida e seus estados de espírito.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Correspondência

 

Sempre tive uma grande relutância em rasgar cartas de pessoas próximas ou amigos, depois de as receber e ler. Assim, de quatro correspondentes do passado, dois deles já falecidos, acumulei uma enorme quantidade de correspondência. Este aspecto tem factores de utilidade, mas também negativos pela ocupação do espaço. Os aspectos úteis ligam-se a lembrarmo-nos, ao reler os textos, de acontecimentos esquecidos do passado, de situar determinadas datas que nos eram duvidosas, ou até ressuscitar opiniões pessoais antigas sobre determinados casos reconstituindo assim, melhor, a nossa maneira de ser e de pensar, nessa altura do tempo.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Bibliofilia 205



É dificil avaliarmos hoje o que se vai perdendo pela ausência de correspondência escrita de artistas, para uma melhor e aprofundada compreensão da sua obra. A internet, com as suas virtualidades, se trouxe algumas ligeiras utilidades, rasurou em definitivo outras perspectivas importantes e talvez essenciais, nos últimos tempos. Este terceiro volume de correspondência da escritora neozelandesa Katherine Mansfield (1888-1923) para o seu marido John Middleton Murray (1889-1957), que editou a obra em 1951, exemplifica o que se ganhou com a impressão e existência física e intelectual deste oaristo publicado.



O livro (704 páginas) usado foi comprado, por mim, no inicio do século XXI por um preço acessível, e tenho-o vindo a ler intermitentemente, com interesse. Tem a curiosidade de, com grande probabilidade, ter sido uma oferta, pela dedicatória escrita afectuosa, entre um casal. Aqui fica a sua reprodução.



quarta-feira, 1 de março de 2023

Da leitura (50)



A cerca de 1/3 da leitura, do livro Correspondência Fernando Lemos e Jorge de Sena (Documenta, 2022), não posso dizer que o andamento e assuntos me levem entusiasmado. Os interlocutores, na altura, Jorge de Sena (1919-1978), em Portugal,  e Fernando Lemos (1926-2019), no Brasil, teriam cerca de trinta anos e é bem possível que o tom mais ligeiro do segundo tenha contagiado o estilo mais solto do poeta de As Evidências.

Duas transcrições darão o tom, ou andamento. De Lemos, em carta de 1954: "...Todos os dias acontecem ocupações. Bailados, teatro, exposições, jantar em casa de um, almoçar em casa de outro; eu sei lá! É cansativo, claro, mas dá gosto e vibra-se com tanta gente ao mesmo tempo, ansiosa de novidades e acontecimentos. A quantidade e qualidade de mulheres, faz o eixo ao fim de contas de toda esta movimentação. Nada se faz sem elas e sem ser por elas. Aparecem em todo o lado aos cardumes, sempre com um ar disponível, mesmo quando casadas, morenas, loiras alemãs, e outras meio japonesas. Tenho feito os maiores escândalos, e o Casais (Monteiro) sempre que me pode ajuda-me na luta pela mentira..."



Quanto à carta de Sena, de Lisbos e datada de 1955: "...Creio que nunca cheguei a dizer-lhe (pois se não respondi à carta) como achei admirável o seu poema «Que me importam as entradas e saídas dos barcos?», como o achei verdade. Por estas e por outras é que me repugna a «independência de capelista" dos seus ex-confrades e novos ex-confrades, quando proclamam as grandezas dos Cesarinys e outros Margaridos mais ou menos Euricos da Costa. Tudo isto meu caro, passe a vaidade, é uma merda que cada vez menos nos merece, a menos que, parafraseando o Casais, não se foda e, portanto, queira ser salva. Mas tenho para mim que não quer. ..."

Que cada um ajuíze da qualidade, após leitura da obra, e do seu interesse geral.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Do que fui lendo por aí... 55



Do Rio de Janeiro, em carta de 18 de Abril de 1954, de Fernando Lemos (1926-2019) para Jorge de Sena (1919-1978), em Lisboa, passo a transcrever um pequeno excerto da missiva:

"Estou a ler As memórias do cárcere (1953), do Graciliano Ramos. Gostaria que o lesse, mas não sei se já entrou em Portugal. Mande-me dizer se conhece, porque se assim não for, eu arranjarei maneira de lho mandar (são quatro volumes que, diga-se de passagem, cabiam apenas num, mas...). Vou ainda no primeiro volume, que achei chato, mas estou informado que é o pior dos quatro."


Nota pessoal: a obra acima referida, de Graciliano Ramos (1892-1953), veio a sair editada pela Portugália, em Setembro de 1970. Eu teria dificuldade em subscrever a apreciação radical de FL, e imagino que há por aqui uma certa confusão entre densidade e chateza. Admito porém que o livro de Graciliano Ramos não é de leitura fácil. Nem divertida... Que é o que muita gente procura.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Lembrete 71



O livro saiu em Setembro de 2022, mas só agora dei por ele. A correspondência abrange cerca de 25 anos. Da parte de Fernando Lemos, numa linguagem mais desatada; Sena, mais literário e contido.
A leitura promete, pelo pouco que já avancei.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Memória 141



A correspondência antiga na sua forma clássica  e formal é, muitas vezes, uma fonte inesgotável de informação e pormenores ligados à realidade. Presente e futuro, pelas circunstâncias conhecidas, não prometem grandes correspondências...
O postal (em imagens), datado de 12/7/1933, foi enviado de Bruxelas pelo diplomata e poeta Alberto d'Oliveira (1873-1940) para a sua filha, Maria d'Oliveira Reis, em Lisboa (rua da Escola Politécnica 195), tendo sido reexpedido (13/7/1933) para o Estoril (Hotel Palácio), onde porventura a dita Senhora passava férias de praia, nessa altura do Verão.
Adquiri o bilhete postal, nos anos 80, na rua do Alecrim, porque na época ia a meio de um pequeno trabalho sobre o poeta António Nobre (1867-1900), de quem Alberto d'Oliveira fora grande amigo. E ambos tinham habitado, enquanto estudantes da universidade de Coimbra, a conhecida Torre de Anto, que Oliveira conservou alugada até 1939. A Torre vem impressa, em jeito de ex-libris, no verso do postal. Na caligrafia, algo críptica de Oliveira, consegui descortinar uma referência ao escritor Carlos Malheiro Dias (1875-1941).


sexta-feira, 2 de abril de 2021

Balanços



Termino, algo defraudado (excepto pela qualidade da escrita), a desfolhada de Lettres à Anne (Gallimard, 2016), nas suas 1.280 páginas. Mas de que é que eu estava à espera? Segredos do poder, confidências demasiado humanas, retratos inescapáveis de alguns homens públicos? Nada disso aparece, as cartas de François Miterrand são inócuas, quase diria, cuidadosas, talvez por precaução futura ou para não enfastiar a jovem enamorada (Anne Pingeot) com aspectos políticos ou com minudências burocráticas do estado. Inesperadamente, nem sequer encontrei referências a Mário Soares. E, quanto a Portugal, apenas aparece um curto apontamento favorável sobre o Porto (pg. 1116), no dia de S. João, de 1977.



Retive alguns sinais do gosto pessoal de ambos, ou de cada um, através de uma notação cinéfila: Les Parapluies de Cherbourg (Jacques Demy), na página 323. E quanto à música clássica as referências abundam. No que diz respeito à música ligeira, não consegui saber qual era a interpretação preferida da canção Anyone who had a heart (Cilla Black?, Dionne Warwick?, Dusty Springfield?). Resta-me a consolação indubitável de que Je chante pour passer le temps, poema de Aragon, refere certamente a versão de Léo Ferré, que aqui fica.




sexta-feira, 26 de março de 2021

Lettera Amorosa


 

O título do poste é sedutor, e aqui o uso eu de forma muito restrita, que não como Monteverdi, René Char, Eugénio de Andrade ou João César Monteiro o usaram em obras suas. E tudo depende da perspectiva, muito embora estas cartas de François Miterrand (1916-1996), para Anne Pingeot, não confirmem inteiramente a conhecida afirmação irónica de Fernando Pessoa, até por evitarem o derrame excessivamente romântico, apesar da relação que, de algum modo, foi clandestina. Bem escritas as cartas, sem dúvida, pela extensão, talvez um pouco fastidiosas (são mais de 1.200 páginas). Mas o que seria de esperar deste oaristo de um grande político para uma competente estudiosa de Arte, embora 27 anos mais nova? Também não se esperem revelações bombásticas ou segredos de estado, pois Mitterrand, neste particular, foi cuidadoso na escrita.

Confesso que tenho feito alguma batota na leitura... tenho andado um pouco impaciente de humores, mas não dei ainda por terminado o folhear das páginas do livro, nem o devassar inteiro desta história de amor.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Mistérios...

 


O livro, que o meu amigo H. N. me recomendou, emprestando-mo, foi editado em 2011. Com 528 páginas e em bom estado, foi comprado, usado, num alfarrabista da rua da Misericórdia (Lisboa). E tinha a particularidade de trazer apensa, com um clipe, uma carta, dirigida, cordial e intimamente, ao Professor Diogo Freitas do Amaral (1941-2019), por um amigo, Alberto, de seu nome.


Por indícios e alguma investigação, que fiz, julgo que a oferta da obra terá sido feita por um colega de Direito mas, sendo as provas insuficientes, não revelo o nome do cavalheiro que se hospedou no Hotel Ritz, utilizando envelope e carta dessa unidade hoteleira.

com agradecimentos a H. N.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Carta de J. Guimarães Rosa para Óscar Lopes

Desconheço se esta carta, do singular romancista brasileiro Guimarães Rosa (1908-1967) para o professor e historiador de literatura Óscar Lopes (1917-2013), está inédita. Quem me poderia elucidar, já não pertence ao número dos vivos - o meu grande amigo António de Almeida Mattos (1944-2020).

Provavelmente, a fotocópia da missiva destinava-se a ser usada no Jornal Letras & Letras, do Porto, em algum dossiê sobre o professor universitário, e que este a teria facultado ao meu amigo António. Que, dentro de um envelope, que já me estava endereçado, o meu Amigo não me chegou a enviar. Foi a Isabel, a quem agradeço, que, encontrando-a, ma fez chegar.



Nota pessoal: resta-me acrescentar o interesse da carta. E, lateralmente, lembrar as amenas relações que existiram entre o António e o Professor Óscar Lopes. O que ajuda a explicar que eu tenha a oportunidade de publicar, no Arpose, este documento.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Citações CDXLII


... Posto isto, continua aquilo a ser o belíssimo país (Portugal) que amamos, cheio de um povo doce e amável quando não esfaqueia a gente por uma questão de águas ou de vinho. Mas o nosso amor é um amor infeliz e mal pago. Acontece que não temos outro. ...

De carta de Jorge de Sena a Sarmento Pimentel, datada de 3/1/1972.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Recomendado : oitenta e sete


O já lido (316 de 496 páginas) permite-me algumas conclusões: é das correspondências publicadas de Jorge de Sena (1919-1978), aquela em que mais afloram as questões políticas, embora as de ordem literária também abundem. João Sarmento Pimentel (1888-1987) era um velho exilado republicano, no Brasil. E deste livro se depreende que foi um grande amigo de Jorge de Sena, bem como este correspondeu, da mesma forma ao velho capitão honrado. Muito haveria a destacar, mas para não ser excessivo limito-me a referir a carta de Sena (de 14 de Dezembro de 1965) ao chegar aos E. U. A., para Sarmento Pimentel, e que, não sendo a Nova do achamento de Vaz de Caminha, é um grande momento, de sempre, de toda a epistolografia portuguesa conhecida.
Ora, nesta silly season lusitana, em vez de nos dedicarmos a tantas miudezas inúteis, que por aí se publicam, mais valia lermos esta prosa límpida  de dois portugueses de lei e condição.
Que, naturalmente, recomendo.

sábado, 1 de agosto de 2020

Joaquim Veríssimo Serrão


Escalabitano ilustre, o historiador Joaquim Veríssimo Serrão (1925-2020) faleceu ontem, com 95 anos, completados há pouco. Fui-lhe comprando a sua História de Portugal que, a partir de 1977, ele foi publicando através da Verbo.  A obra tem-nos sido muito útil, cá por casa - é o mínimo que posso dizer.
E, embora não comungando da sua visão ideológica, politicamente, e sendo eu  um mero amador sempre interessado pela história portuguesa, desde longe o considerei um homem probo e de firmes convicções, que não cedia às conveniências do tempo e da fortuna.
Venho entretanto lembrar um pequeno episódio epistolar (ver carta acima, em imagem), por mim iniciado, que se passou em 1988. Tendo eu acabado de ler o volume X da sua História de Portugal (1890-1910) encontrei um lapso na data do nascimento de D. Mauel II, de que me fiz eco em carta para a Editorial Verbo.
Pois Veríssimo Serrão teve a amabilidade de me responder pessoalmente, e com simplicidade. Coisa que, por certo, muitos não fariam...

domingo, 29 de março de 2020

Mécia de Sena (1920-2020)


Irmã de Óscar Lopes e esposa de Jorge de Sena, Mécia de Sena faleceu ontem, poucos dias depois de completar cem anos de vivíssima existência. Mulher simples, mas de convicções, prolongou incansavelmente a memória do Marido, defendendo a sua obra sempre que foi necessário. Quase não valeria a pena referir o sabido: atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.
Tive o prazer de me cartear com ela, a propósito de assuntos que não vêm ao caso, mas que constam do registo do Arpose, e ainda mais afortunadamente me ter dado a conhecer, ao vê-la, por mero acaso, uma tarde na rua do Alecrim, nos anos noventa
É desse encontro que ela fala no cartão de Boas-Festas, datado de Dezembro de 1993, que reproduzo abaixo. E que, modestamente, aqui deixo a recordar a grande Mulher que ela foi.


segunda-feira, 23 de março de 2020

De JRJ, sobre Camões


Ler correspondência alheia constitui, uma boa parte das vezes, uma forma daquilo a que eu costumo chamar com ironia: coscuvilhice nobre. Noutros casos, permite saber melhor como foram e pensaram alguns homens célebres, no passado, para o efeito de melhor os conhecermos ou à sua obra.
Esta carta em tom bem humorado, do poeta Juan Ramón Jiménez (1881-1958), dá-nos uma ideia da opinião que ele tinha sobre Camões e, por isso, resolvi traduzi-la para o Arpose.
Segue:

                                                                                                                 Madrid, 13 de Janeiro de 1924

Senhor Dom Juan Guixé, El Liberal.

Meu querido amigo:

 Recebi esta noite, às sete, a sua amável carta pedindo a minha opinião sobre a ideia de O Liberal enviar a Portugal uma "embaixada" extraordinária de poetas espanhóis, tendo como motivo o centenário de Camões. E solicita-me que eu lhe responda hoje mesmo.
 Há tempos que não leio jornais e, por isso, não posso senão referir-me à sua missiva: um juízo meu sobre Camões "glorificado" não teria qualquer valor, uma vez que só li do poeta luso as suas poesias dispersas e estou certo de que não é por umas belas poesias soltas que um país celebra oficialmente os centenários dos seus vates. O seu poema "nacional", salvo das águas pelo seu braço e seu único olho, nos anos quinhentos, nunca me atraiu excessivamente, apesar de me ter obrigado a folhear as suas páginas húmidas; nem sou capaz de abordar, esta noite, as suas oitavas - somente creio na saborosa crítica espontânea - para improvisar um desses apagados, estranhos, antipáticos, infecundos, ajuntadores circunstanciais - Azorín, dom Ramón Perez de Ayala, dom E. de Ors - que se vão fazendo todos os dias por aí. Tão pouco, enfim, tenho sequer notícia de algum trabalho de dom Ramiro Maeztu sobre poesia épica portuguesa, que fosse bastante eloquente, sem dúvida, como outros seus ensaios, para que cristalizasse em mim, de súbito e definitivamente, uma opinião  contrária.
 Crêem os espanhóis competentes que o desventurado Camões é um grande poeta do trono terrestre, marinho e celestial? Nesse caso, é indubitável fazerem-se as coisas com elevação e respeito, e assim que seja dom Miguel Unamuno a "representar-nos" nessa comemoração, bem como dom Antonio Machado, os mais portugueses dos nossos actuais poetas. Se, pelo contrário, miscelâneas político-jornalista-literárias, como é costume fazer-se, decidam formar-se em amigável consórcio com os seus parceiros, como sejam O Menino de Vallecas e O Bobo de Coria - veja-se o documento inapreciável de dom Juan Echevarria - nosso actual e fulgurante Azorín das Hurdes, perito em tortas e papas; de que eu fujo como se fosse da fogueira.
 Não me é possível mandar-lhe o meu retrato, nem creio que seja necessário, neste caso, publicá-lo.
 Obrigado por tudo, deste seu afectuoso amigo,
                                                                                                                                 Juan Ramón Jiménez

Nota: a carta foi traduzida de JRJ Cartas / Antologia (Espasa Calpe, 1992).

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Ainda vai a tempo


Com a qualidade a que nos habituou a BNP, para celebrar o centenário do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978), apresenta-nos uma magnífica mostra alusiva, até 29 de Fevereiro de 2020.


Composta por bibliografia de e sobre o Escritor, correspondência e um acervo iconográfico notável.
A não perder, absolutamente.

sábado, 2 de novembro de 2019

Carta inédita de Jorge de Sena


Passam hoje 100 anos sobre o nascimento de Jorge de Sena, em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919.
A adolescência ou é atrevida e irreverente ou não será autêntica juventude. Da maturidade, há que esperar alguma recatada e avisada prudência, como é natural.
Foi assim que, há 49 anos, em Março de 1970, eu tive a ousadia de me dirigir ao catedrático e poeta, na altura radicado nos Estados Unidos, e informá-lo de umas traduções, em castelhano, de 5 poemas de Cavafy, feitas por José Ángel Valente*, que não constavam da bibliografia** do livro 90 e mais Quatro Poemas de Constantino Cavafy  (1970), que Jorge de Sena (1919-1978) publicara pouco antes (Editorial Inova, Porto).


A resposta foi rápida e o agradecimento generoso. Mais tarde, acabei por enviar a Sena cópia dos poemas traduzidos por J. Ángel Valente. Que o Poeta veio também a agradecer, numa segunda carta, que consta do arquivo do Arpose, em poste publicado a 2 de Novembro de 2010. E por aqui ficou a nossa breve troca de mensagens. Esta primeira carta mantive-a inédita, a pedido (1989) de Mécia de Sena (1920). Hoje, julgo que nada justifica não a tornar pública.


Sendo que me parece a melhor forma de lembrar e de homenagear Jorge de Sena, neste centenário do seu nascimento, através das suas palavras, ainda que escritas.


* insertas na  Revista de Occidente, nº 14, Madrid, Maio de 1964.
** na segunda edição do livro (Centelha, Coimbra, 1986), a bibliografia foi acrescida do trabalho de José Ángel Valente, de que eu tinha informado Jorge de Sena.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Recepção e correspondência entre confrades


Como Sophia (1919-2004) está na ordem do dia e anda nas bocas do mundo (português), achei oportuno aqui registar, em poste, cópia de uma carta que Herberto Helder (1930-2015) lhe mandou de Santarém (a 5 de Junho de 1962), acusando a recepção do Livro Sexto (1962) e referindo o seu gosto pela leitura da obra.
Quanto ao meu exemplar, que é da 3ª edição (1966), lembro-me bem do prazer que tive a lê-lo, com destaque especial para os poemas A Conquista de Cacela, O Velho Abutre e As Pessoas Sensíveis. Creio que terá sido, na obra de Sophia Andresen, o seu livro talvez ostensivamente mais interventivo, do ponto de vista político, que publicou.