A fidelidade, no seu sentido mais lato, é também uma virtude da atenção que, por sua vez, é um dos suportes mais sensíveis da amizade. Pelo menos, para quem assim o entenda e pratique.
Vem isto a propósito de eu, ao folhear um livro de Georges Simenon (1913-1989), recentemente, ter pensado que o leio desde o princípio da adolescência e continuo fiel à ideia de o considerar um dos 3 grandes romancistas policiais. E não só.
Este Novembre (1969), considerado um dos seus roman dur, teve mais duas edições (1983 e 2011), pelo menos. O meu exemplar, em imagem, é da edição original da Presses de la Cité e encontra-se em muito boas condições, apesar de conservar a marca de posse manuscrita da anterior proprietária, que o terá comprado em Bruxelas, no mês de Setembro de 1978, muito provavelmente também já usado. Mas os donos estimaram bem o volume, que conserva ainda a sobrecapa em bom estado.
Diz-se que Simenon escrevia os seus Maigret em menos de uma semana e poucas emendas lhes fazia. Os roman durs eram porém um longo exercício, rodeado de alguns rituais austeros. Com algumas correcções no final. E um emagrecimento acentuado do seu peso normal, ao finalizar o livro.
Por curiosidade, reproduzo o verso das folhas de guarda final e da pasta posterior, que a edição original ostenta, notando-se 9 breves emendas manuscritas introduzidas, no texto escrito à máquina.