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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Ofícios, religião e patronos


É já do século XIV, em Portugal, a disposição régia que obrigava a que arruassem, no mesmo local das cidades, os mesteirais do mesmo ofício. Daí, ainda se poderem encontrar, em Lisboa, a rua dos Sapateiros, a rua dos Remolares (fabricantes de remos), a rua dos Correeiros... Ou, por exemplo, em Guimarães, existir uma zona da cidade que dá pelo nome de Caldeiroa. Do ponto de vista imaterial, também era comum os artífices das diversas corporações colocarem-se sob a invocação de um santo patrono. E, se a corporação fosse rica, até lhe erigiam capela própria, se não, davam assistência e cuidavam, numa igreja próxima, de um altar dedicado ao santo patrono do respectivo ofício. Variando, ligeiramente, de terra para terra, eis alguns dos patronos dos diversos ofícios:
Sto. Elói: ourives.
N. Sra. da Silva: ferreiros (no Porto).
S. Jorge: barbeiros, serralheiros, cutileiros.
S. Miguel: canteiros, luveiros, albardeiros.
Sta. Catarina: livreiros.
S. Crispim (às vezes em conjunto com S. Crispiano): sapateiros, curtidores.
N. Sra. das Mercês: pasteleiros, torneiros.
S. José: pedreiros, carpinteiros.
S. Gonçalo: vidraceiros, tintureiros e tecelões.
N. Sra. das Candeias: alfaiates.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O suicídio das corporações


Hoje, os três canais televisivos, nos seus telejornais, dedicaram grande espaço a um caso mediático da Justiça, e adjacências. Além disso, dois dos canais, ainda promoveram debate, um deles, e outro, uma entrevista com a Ministra da Justiça. Não será demais?
Era Unamuno que dizia ser Portugal um país de suicidas. É evidente que se referia a seres humanos e devia ter em mente: Antero de Quental, Camilo, Soares dos Reis, Manuel Laranjeira ... Mas, nos últimos anos, -  ao que temos observado - têm sido notórios os hara-kiris de diversas Corporações (aqui, no bom sentido), num espectáculo de morte assistida na praça pública, através duma antropofagia inter-pares. Professores, Juízes, Homens da Igreja, Políticos, Advogados... Poucas  Corporações escaparam ao suicídio. Até os Arquitectos, normalmente discretos, esboçaram uma tentativa de duelo mortal a propósito de um qualquer projecto de uma eventualmente polémica igreja a construir no Restelo ou Belém.
Eu penso que o que os motiva é a projecção mediática a qualquer preço, porque se fossem razões de fundo, essenciais à profissão, e técnicas, é evidente que as discussões deveriam ser em sede própria, acompanhadas de séria ponderação e discrição profissional.
É obvio que isto contribuiu, tremendamente, para a degradação da imagem das Corporações. Hoje, um professor não goza do prestígio que gozava aqui há 30 anos. Um médico é questionada na sua honra e conhecimentos por um zé-ninguém. Um polícia, em vez de ser respeitado, facilmente é sovado, na rua. Mas é bom lembrar que este denegrir das imagens profissionais começou por dentro, não veio de fora. E embora eu reconheça que se não deve generalizar, e haja em todas as Corporações, profissionais sérios, discretos e competentes, o vulgo não os distingue e a imagem que tem, é de descrédito e desconfiança.