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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Divagações 119


Havemos de procurar, para a perda de ontem, algum consolo, hoje. Mesmo que indefinido e vago.
Com os anos, vamos tendo cada vez mais dificuldade em nos despedirmos daquilo a que nos habituamos ou gostamos. Pode ser um cinzeiro que se parte, uma companhia teatral que acaba, um restaurante que fecha, um amigo de infância que resolveu partir mais cedo, uma livraria afectuosa que se vai transformar num banalíssimo café, como dezenas de outros...
Nestes casos, creio que uma boa memória nem sempre nos ajuda. Porque diminui as expectativas, as novidades inteiras, as situações inéditas, para a frente; e, por outro lado, afeiçoa-nos demasiado àquilo que nos acompanha, ou tem vindo a acompanhar, naturalmente, até que se começa a perder para sempre.
Como se fora um tango de que tanto se gosta, mas que se vai esgotando à medida que se vai ouvindo.