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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Bibliofilia 146


Anos e anos ambicionei ter uma Corografia, que me informasse, pelo menos geograficamente, sobre as terras portuguesas. Não estava sequer nos meus horizontes o Portugal Antigo e Moderno, obra maior de A. Pinho Leal que, além dos aspectos geográficos, informa exaustivamente o leitor sobre os detalhes históricos das povoações nacionais, por pequenas que sejam. Esta obra foi-me oferecida, há pouco, gentilmente.
Mas ao dobrar do século actual, no meu alfarrabista de referência, encontrei a bom preço (que as Corografias são caras habitualmente) este Diccionario Chorographico de Portugal... (1874), obra sucinta mas competente, que me encheu de satisfação e fui usando com proveito, com referência à parte geográfica. Encadernado modestamente, o volume encontra-se em muito bom estado, para os anos que já conta.
Por adenda e curiosidade vou referir algumas terras, e respectivo distrito, com nomes mais singulares:
- Ana Loura, distrito de Évora.
- Beberriqueira, distrito de Santarém.
- Farinha Podre, distrito de Coimbra.
- Mamarrosa, distrito de Aveiro.
- Minhocal, distrito da Guarda.
- Rosto de Cão, distrito de Ponta Delgada (Açores).
- Rio Cabrão, distrito de Viana do Castelo.
- Sobradelo da Goma, distrito de Braga.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Bibliofilia 123


Corografia, em explicação sucinta dos dicionários, é a descrição de um país.
Não parece ser nossa vocação, de portugueses, o trabalho extenso, moroso e aturado, no que diz respeito a obras de investigação profunda e ampla. O Dicionário de Inocêncio Francisco da Silva (1810-1876), completado por Brito Aranha, com mais de 20 volumes, é uma das poucas excepções laboriosas, no abarcar alargado de escritores portugueses e suas publicações. A pioneira Biblioteca Lusitana, trabalhada pelo Abade de Sever, Diogo Barbosa Machado (1682-1772), entre 1741 e 1758, é outra obra de fôlego, nesta mesma temática.
Outro incansável investigador terá sido Augusto S. A. B. Pinho Leal (1816-1884), professor e combatente do Buçaco, que dedicou os seus últimos anos de vida à elaboração do seu Portugal Antigo e Moderno, obra maior em 12 volumes, de que, por morte, deixou o décimo tomo a meio. O remate foi efectuado pelo seu amigo Pedro Augusto Ferreira, abade de Miragaia.
A obra (1873-1890), com uma tiragem de 500 exemplares, foi em grande parte para o Brasil e é, por isso, rara na sua edição original. Em 1990, foi executada uma edição fac-similada, que é a que possuo. Muito completa, a obra dá descrições muito detalhadas sobre as cidades, vilas e muitos lugarejos portugueses. As informações vão dos aspectos históricos e arqueológicos até heráldicos e etimológicos. E é utilíssima.

Adenda pitoresca: quando o escultor Salvador Barata Feyo (1899-1990) tomou posse como director do Museu Soares dos Reis, ao consultar a lista do pessoal deu conta de um contínuo que tinha um grande nome, e pomposo, terminado em Pinho Leal. Quis conhecê-lo, ficando então a saber que ele era sobrinho neto do autor de Portugal Antigo e Moderno. O Escultor falou-lhe com grande entusiasmo da obra magna de corografia, gabando-a sobre vários pontos de vista.  E o modesto contínuo comentou: "Talvez fosse por isso que, lá na aldeia (Vimieiro?), nos chamavam, por alcunha, os Portugais..."