Qualquer fanático que, porventura, tentasse decorar todo o Proust, palavra por palavra, e tentasse depois recitá-lo em público, numa sala de estar, depois do jantar, imagino eu que as probabilidades seriam grandes de que, em pouco mais de meia hora, uma boa parte da audiência começaria a dormir e o seu veredicto sobre Remembrance of Things Past concluiria que se tratava de uma história entediante e incompreensível. A dificuldade de avaliar, favoravelmente, uma edição impressa de contos folclóricos, que nunca foram pensados para serem objecto particular de leitura, é também grande. A nossa sensibilidade para a literatura transmitida oralmente é distorcida pela natureza peculiar deste tipo de narrativas, que ainda se encontram vivas. Para nós, um conto falado é um conto que não se deve imprimir...
W. H. Auden (1907-1973), in The Dyer's Hand (pg. 149).