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sábado, 26 de abril de 2025

Do conto

 

A arte do conto tem que se lhe diga e eu penso que atingiu o seu grau de perfeição nos séculos XIX e XX.
Fui grande apreciador desta variedade literária, embora exigente, e esperava sempre que, a exemplo de um bom e clássico romance policial, o conto me trouxesse uma conclusão inesperada no final.
Não creio que, actualmente, haja grandes contistas portugueses ou estrangeiros, pelo menos, da qualidade, talvez inultrapassável, de La Parure (O Colar), de Guy de Maupassant (1850-1893) ou O Sacristão, de Somerset Maugham (1874-1965).

sexta-feira, 2 de março de 2018

Dos contos, como ficção

Não sei se hoje os leitores contumazes costumam ler muitos contos. Mas creio que as editoras preferem editar aqueles tijolos, que vemos muito pelos transportes públicos. E que permitem aos putativos e ocasionais leitores, sem grande concentração (eu creio que também há leitura automática!...), entreter, sem pensarem muito e à tona, o seu tempo de deslocação.



Durante uma boa parte da minha vida, sobretudo até à maturidade, eu comprava muitos livros de contos. E havia bons contistas portugueses. O meu tempo livre não era muito, mas era muito intercalado e havia contos, de 3 ou 4 páginas, admiráveis, que deixavam um rasto prolongado, e imorredouro, na minha memória. Estou a lembrar-me de pequenas narrativas de Somerset Maugam ou de Guy de Maupassant, por exemplo.



Na altura, eu não era esquisito. Quanto aos de temática policial, Edgar Allan Poe ou Conan Doyle eram dos meus preferidos. Na índole histórica, Alexandre Herculano e as suas Lendas e Narrativas mereciam-me emoção e respeito. De pura ficção, mais moderna, para ser justo, terei de lembrar vários contos de  Jorge de Sena e Cardoso Pires. E muitos outros, que seria fastidioso, aqui, enumerar.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

As poucas certezas, que nos chegam de longe


Com os anos que levo, poucas certezas me assistem. Porque, se juventude é certeza (ligeira ou caprichosa, quase sempre), a velhice, na sua eventual lucidez, de experiência feita, é, sobretudo, terreno fértil de dúvidas. Humildemente humanas.
Eu teria muitas hesitações, se me perguntassem, de toda a Literatura (que conheço), qual o romance ou poema que prefiro. E considero como sendo o melhor, entre os melhores.
Mas, se me perguntassem, sobre o conto, ou pequena ficção narrativa, eu não teria dúvidas. Elegeria, categoricamente, esse pequeno (12 páginas), e enorme conto de Jorge de Sena (falei dele aqui, em 13/4/2010), sobre Camões, intitulado: Super Flumina Babylonis. Porque é toda uma vida.

para Margarida Elias que, com o seu comentário no Arpose, me suscitou estas pequenas reflexões. 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Contos, descrença e leituras


Será que poderei anunciar o fim da minha ingenuidade ou início da minha descrença, em relação à ficção? E, aos contos, em particular. O meu primeiro abandono, em leituras, deu-se com a ficção científica, há muitos anos atrás, ao quinto ou sexto livro lido, desta temática - não gosto. Desertei da infanto-juvenil, quando o meu filho mais novo atingiu a adolescência. E, quase em simultâneo, da BD, onde apenas vim a ter uma recaida proveitosa com Hugo Pratt e o seu Corto Maltese. Não mais. O cinismo e o dogmatismo põem sempre alguns perigos, guardo-me deles, porque nunca se sabe se podemos vir atrás. Mas já Afonso Duarte (1884-1958) avisava: "...Voltar atrás é uma falta de saúde..."
Acontece que, por desfastio, nos últimos 3 dias, me dediquei à leitura de curtas narrativas de ficção. Contos, quero eu dizer. Comecei por Maupassant (Guy de): reli O adereço, depois li Uma "vendetta" que, quanto a trama imaginativa, são soberbos. Mas os assuntos são datados, os sentimentos das personagens, obsoletos, hoje em dia. Já não colam ao leitor.
Depois, patrioticamente, fui aos nacionais. Afonso Ribeiro (1911-1993), com Uma luz nas trevas, deixou-me descalço de piedade e simpatia, pela sua caridadezinha neo-realista. Alves Redol (1911-1969) acordou-me um pouco com O combóio das seis, pelo seu realismo e diálogos movimentados de subúrbios fabris, bem sugestivos. Mas o final do conto (deus meu!) estraga tudo. Finalizei com Aquilino Ribeiro (1885-1963), de que reli: António das Arábias e seu cão Pilatas, que, no seu pendor cinegético e rural, me reconciliou um pouco com a boa literatura nacional; mas que não chegou para me entusiasmar (fiz batota em duas ou três páginas, de intensidade mais onírica, quase no final), por aí além.
Terei de chegar à conclusão que já me vai faltando aquela supension of desbelief - de que falava S. T.  Coleridge - e que caracteriza os leitores com fé? Com boa fé - melhor dizendo. Talvez.
Mas dou-me por feliz, ao pensar que há muitos livros de História, Poesia, Biografias e Ensaio, que nunca li...

domingo, 7 de setembro de 2014

Contos : breve balanço de leituras


A palavra escrita, para quem sabe ou gosta de ler, tem o condão de despertar o respeito e/ou a curiosidade, por todo e qualquer documento impresso. Ainda hoje, ao depositar os jornais antigos, no contentor do papel, não pude deixar de sobrevoar uma olhadela platónica pelo que por lá havia. Folhetos de publicidade e jornais velhos, na sua quase totalidade. De vida breve, portanto.
Lidos os 25 contos de ficção, para intervalar a prosa longa de "Guerra e Paz", das duas antologias que comprei, há dias, há que fazer um balanço curto. Há dois de que poderei contar a história resumida, para algum amigo ou conhecido, que tivesse curiosidade. O primeiro que li, "A senhora do cãozinho", de Anton Tchekhov, passado em Ialta; e "A piscina orfã", de John Updike, ajudado talvez pela - julgo - magnífica tradução de Luísa Costa Gomes. À distância, e com benevolência, poderia fazer alinhar, ainda, uma curta narrativa de David Lodge e, outra, de O. Henry (Primavera à la carte). Os restantes contos são esquecíveis.
E foi tudo: magra colheita...

domingo, 31 de agosto de 2014

Contos


Um número restrito de personagens e páginas (senão, transforma-se em novela), uma certa concisão narrativa, um leitmotiv forte, a tensão musculada das frases, de preferência breves (Hemingway, por exemplo), fazem do conto um caso à parte na prosa literária.
Há contos que são uma aguadilha, outros, um concentrado forte que não medrou para romance, talvez por impaciência do escritor. O remate, como no soneto, terá que ser apropriado e impressivo. Se possível, surpreendente, como num bom policial.
Esse clarão final, que fica na memória, é que nos permite, depois, reconstituir os antecedentes narrativos e recontar o conto a algum amigo nosso, que o não conheça. Muitos desses contos exemplares vieram da pena de Maupassant ou da caneta de Maugham.
E eu já andava com saudades de ler contos. Por isso, ontem, comprei duas antologias, na rua Anchieta, para me regalar e fartar. Ou talvez tivesse sido para funcionar como antídoto à leitura de "Guerra e Paz", de Tolstoi, que é um romance enorme, em 3 volumes. Estes contos são pequenos microcosmos narrativos...para intervalar.