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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Últimas aquisições (63)



Vou agora muito pouco a livrarias, mas de cada vez que as frequento, não venho de mãos vazias. Por outro lado, já não estou em idade de arriscar nomes badalados dos top-10 ou capas bonitinhas, normalmente foleiras e de gosto duvidoso. Trouxe Hemingway e Cavafi, saídos recentemente. Só espero que tenham  traduções portuguesas à altura dos escritores referidos.



quinta-feira, 27 de abril de 2023

Um poema de C. P. Cavafy (1863-1933)



Há muito 

Gostava de falar dessa lembrança,
mas ela vai tão diluída - como se nada tivesse ficado -
porque foi há muito, nos meus anos juvenis.

A pele como se fora jasmim...
nessa tarde de Agosto - seria Agosto? -
mas eu posso ainda lembrar-me dos olhos: azúis, penso...
Ah sim, azúis, cor de safira.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Poema de Cavafy, em versão portuguesa




Anna Dalassena (1030-1102) *

No decreto imperial que Aleixo Comneno **
fez de propósito para celebrar sua mãe, 
- a muito inteligente Senhora Anna Delassena
- dava conta das obras, virtudes e maneiras
que muito a distinguiam.
Aqui ofereço apenas uma frase,
que é, ao mesmo tempo, bela e sublime:
"Ela nunca proferiu aquelas gélidas palavras:
«minha» ou «vossa»".


C. P. Cavafy (1863-1933)



** Aleixo Comneno (1057-1118), imperador de Bizâncio.
* Anna Dalassena, dama nobre bizantina.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Da leitura 33


Os pequenos prazeres. Não é todos os dias que, na mesa, se nos oferecem à leitura dois autores dilectos, em edições bonitas, apetecíveis de ler.
Cavafy (1863-1933), com a sua obra quase completa, em tradução inglesa que irei alinhar com a francesa, de M. Yourcenar, a espanhola e a versão portuguesa de Jorge de Sena.
René Char (1907-1988), com Retour Amont (1966), livro de uma fase de crise, surgida depois de uma ameaça cardíaca, em que o poeta deixou de fumar. Desábito que lhe teria provocada um vazio de criação.

agradecimentos cordiais a H. N..

sábado, 2 de novembro de 2019

Carta inédita de Jorge de Sena


Passam hoje 100 anos sobre o nascimento de Jorge de Sena, em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919.
A adolescência ou é atrevida e irreverente ou não será autêntica juventude. Da maturidade, há que esperar alguma recatada e avisada prudência, como é natural.
Foi assim que, há 49 anos, em Março de 1970, eu tive a ousadia de me dirigir ao catedrático e poeta, na altura radicado nos Estados Unidos, e informá-lo de umas traduções, em castelhano, de 5 poemas de Cavafy, feitas por José Ángel Valente*, que não constavam da bibliografia** do livro 90 e mais Quatro Poemas de Constantino Cavafy  (1970), que Jorge de Sena (1919-1978) publicara pouco antes (Editorial Inova, Porto).


A resposta foi rápida e o agradecimento generoso. Mais tarde, acabei por enviar a Sena cópia dos poemas traduzidos por J. Ángel Valente. Que o Poeta veio também a agradecer, numa segunda carta, que consta do arquivo do Arpose, em poste publicado a 2 de Novembro de 2010. E por aqui ficou a nossa breve troca de mensagens. Esta primeira carta mantive-a inédita, a pedido (1989) de Mécia de Sena (1920). Hoje, julgo que nada justifica não a tornar pública.


Sendo que me parece a melhor forma de lembrar e de homenagear Jorge de Sena, neste centenário do seu nascimento, através das suas palavras, ainda que escritas.


* insertas na  Revista de Occidente, nº 14, Madrid, Maio de 1964.
** na segunda edição do livro (Centelha, Coimbra, 1986), a bibliografia foi acrescida do trabalho de José Ángel Valente, de que eu tinha informado Jorge de Sena.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Um poema de C. Cavafy (1863-1933), traduzido


Desejos

Como belos corpos possuídos pela morte em plena juventude,
que hoje jazem, sob lágrimas, em mausoleus esplêndidos,
coroados de rosas e, a seus pés, jasmins -
assim aqueles desejos de uma hora
que nunca foram cumpridos; e os que nunca gozaram
o prazer de uma noite, pela manhã radiante celebrado.

domingo, 23 de setembro de 2018

Foi o que se pôde arranjar...



Como quase toda a sua obra, Ítaca é um bom poema de Constantino Cavafy (1863-1933).
A legendagem, em português, parece-me uma versão satisfatória*. Sugiro que a vão lendo, com o vídeo.
Quanto a Sean Connery, ainda bem que não dedicou a sua vida a declamar poesia, porque, com aquele acento escocês cerrado, faz-me lembrar um beirão, com sotaque regional a ler "A Tabacaria" de Fernando Pessoa...
O Vangelis está a mais, no vídeo. Um bom poema tem sempre música própria. E ritmo, bastante.
Mas foi o que se pôde arranjar...

* Em tempo: com a passagem do vídeo para o Arpose, a legendagem em português desapareceu. Lamento...

quarta-feira, 21 de março de 2018

Sobre transvases, nomeadamente, em poesia


Os poetas chegam normalmente tarde a outras línguas, ou, pelo menos, mais tarde do que os prosadores. Quero eu dizer, através de traduções e em tempo muito diferido. Por outro lado, nem sempre encontram o língua exacto e merecido. Que os traia, ao menos, com nobreza e honestidade profissional. Depois, muitas das vezes, o crivo é rarefeito e datado, e a sua poesia perdeu esse frescor de novidade no tempo, acabando por obedecer a critérios de academia e a internacionais de gosto conservador e a interesses muito particulares.
Se, por exemplo, Pessoa teve sorte e oportunidade temporal em França (Pierre Hourcade, nos anos 30), que dizer, em contrapartida, do conhecimento tardio de Cavafy, que chegou a Portugal, somente pela voz esforçada e redentora de Jorge de Sena, já só nos anos 60.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Condomínio fechado


Teremos de voltar ao poema de Cavafy, em que se falava da chegada dos bárbaros, que não chegaram a vir? Ou, mais perto, aos versos de Pessoa, e aos seus ocidentais jogadores de xadrez. Até porque os bárbaros já estão entre nós. De pouco valerá bombardear os navios ou os armadores traficantes das frágeis embarcações mediterrânicas, que partem, insistentemente, da Outra Banda, que os bárbaros já estão entre nós. E bárbaros somos nós, deuses impiedosos, ao expulsar os gregos, novos Adão e Eva reciclados, deste condomínio fechado e climatizado, em que a inefável Europa se foi transformando. Em que cada país é um castelo sitiado por arrogâncias, egoísmos e cegueira suicida.

sábado, 7 de março de 2015

Pinacoteca Pessoal 93


Para quem o aprenda cedo na vida e o vá praticando, o xadrez pode ser um jogo fascinante. Só os 4 primeiros lances de uma partida permitem, nada menos, de 318.979.584.000 opções combinadas (G. Steiner dixit). Fernando Pessoa e Cavafy dedicaram-lhe 2 poemas célebres e o jogo de xadrez entre o Cavaleiro e a Morte preenche uma boa parte de um conhecido filme de Ingmar Bergman.
O pintor neerlandês Lucas van Leyden (1489?-1533) era um nocturno, quanto a hábitos de trabalho. Tanto, que sua mãe frequentemente lhe ralhava por ele gastar tantas velas, durante a noite, enquanto jovem. Mas devia, também, apreciar imenso os jogos. Além de um quadro sobre o jogo do Gamão e outro com jogadores de Cartas, pintou uma obra intitulada "Jogadores de Xadrez" (em imagem), por volta de 1510, que hoje se guarda no Staatliche Museen, de Berlim. Parece-me uma pintura notável e tem a particularidade de ser uma das primeiras, se não a primeira - tanto quanto sei -, dedicada ao nobre e fascinante jogo do xadrez.

domingo, 24 de agosto de 2014

Ficções


Se no TLS se anuncia que uma das temáticas mais frequentadas por romancistas, na actualidade, é a auto-ficção, o "Obs.", por sua vez, informa sobre uma "rentrée historique", com uma abada de biografias romanceadas. Que vão  de umas memórias imaginadas, aos 93 anos, de Carla Bruni ("La veillesse de Carla B."), escritas por Patrick Besson, até ao Trotski mexicano dos anos 30 ("Trotski, Lowry & Cie."), de Patrick Deville, passando pela revisitação desportiva de Zidane - "Chant furieux", de Philippe Bordas, a ser  publicado pela Gallimard.
E tudo isto me fez lembrar que, aqui há uns anos, e por motivos que não vem ao caso, pude constatar, por comparação cronológica, a prática possibilidade temporal de Eça se ter podido cruzar com Cavafy, nas ruas de Alexandria. Quando por lá passou (1869), para assistir à inauguração do Canal do Suez. Viagem que talvez lhe tivesse proporcionado matéria e inspiração para a escrita de "A Relíquia" (1887).
Por isso, se poderá concluir que, para a ficção, haverá sempre motivos. Desde que a imaginação discorra, fluindo, e o romance não se torne obsoleto, por falta de leitores...

domingo, 20 de janeiro de 2013

O esbatimento das ideologias


Os resultados, hoje, verificados nas eleições de Niedersachsen (Baixa Saxónia), na Alemanha, com uma vitória tangencial do SPD (mais 1 deputado) do que a CDU, de Angela Merkel, só vêm justificar este quase empate técnico das consciências que, já antes, nas eleições gregas se tinha  traduzido pela pulverização e dispersão dos votos dos eleitores por vários dos partidos helénicos. Como numa quase conclusão de que um é = a outro. A descaracterização política, os centrões, o esbatimento das ideologias, os políticos de aviário são em grande parte os responsáveis pelo desencanto dos jovens e pelas abstenções, cada vez maiores, nas eleições do mundo ocidental. Este indiferentismo poderá abrir a porta, num futuro próximo, a novos populismos ou ditaduras mais sofisticadas e subtis que, pé ante pé, já se têm vindo a instalar. 
No inverso, o Islão cavalga, iroso e num mundo cada vez mais próximo, um fanatismo ideológico medieval, que nos parece - para lembrar Pessoa e Cavafy - colocar, a todos, como peões ou jogadores de xadrez, à espera dos bárbaros.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

À espera


Esperamos o vento, à noite, como os romanos esperavam os Bárbaros, no poema de Constantino Cavafy (1863-1933), que Jorge de Sena, exemplarmente, traduziu. Abrimos as janelas, as portadas das varandas, à espera da mais pequena brisa, que corra e refresque a casa. Que não se cumpra, em relação ao vento, o destino inscrito no poema de Cavafy, na tradução de Sena:

...Porque a noite caíu e os Bárbaros não vieram.
E umas pessoas que chegaram da fronteira
dizem que não há lá sinal de Bárbaros.

E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros?
Essa gente era uma espécie de solução.