Mostrar mensagens com a etiqueta Constância. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Constância. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de abril de 2016

As favas de Constância


Lá voltámos às favas, que vem aí o tempo delas. Dadivosas primícias de um casal amigo que as trabalham lá para os lados de Constância, terra que se arroga ao privilégio de ter acolhido Camões, em tempos de juventude e de desventura amorosa. Frescas, macias e temporãs, deram uma favada deliciosa, à mistura com uns enchidos pecaminosos de gula, mais uns bocados generosos de entrecosto, de reco luso.
Estava eu a guardar um vinho, que trouxera do Fundão, para um momento auspicioso. E isto porque era lotado com as duas castas tintas minhas preferidas: a Tinta Roriz (Aragonez) e a Jaen. Mas eu podia lá esperar, tanto tempo!?... E abri-o, para ver no que dava a companhia. Perfeita.
É um vinho capitoso, nos seus 8 anos e 14º. E não digo mais nada, porque o silêncio é de ouro e o almoço foi soberbo...

sábado, 31 de agosto de 2013

Discretear sobre patronímica, com algumas implicações governativas


Nem sempre os nomes e apelidos são felizes. Alguns são ferretes e labéus insólitos que se colam a pessoas, para toda a vida. Há quem, muito justamente, se crisme ou registe em adulto, de outro modo, para escapar a classificações injustas e infamantes, outros...habituam-se. Até dos lugares, vilas ou cidades, há quem se liberte, razoavelmente: os naturais da antiga Porcalhota, transformaram-na na asséptica Amadora, os de Punhete adoptaram o sossegado nome de Constância. Mas se, com os nomes de terras, a resolução do problema é facil, com os nomes e apelidos de família, os casos fiam mais fino.
Atente-se no apelido Futre que significa: bandalho, homem desprezível, sovina. Ou no Cristas que talvez se aplicasse bem a um, ou uma, gerente de aviário; ou até Rosalino, com as suas conotações silvestres e florais, que se poderia aplicar lindamente a um pastor de cabras ou a um jardineiro profissional... Como é que um bebé, uma inocente criança fica logo, desde tenra meninice, marcado por esta irrisão para toda a vida? É, no mínimo, uma injustiça e uma crueldade patronímica.
Além disso, há expressões populares, criadas não se sabe bem como, que desaconselham em absoluto alguns nomes, para baptismo. Lembro-me de três casos, e aqui os deixo para reflexão, a quem goste desses nomes que, sendo ditos, provocam logo sorrisos:
- Isto não é da Joana!
- Ó Barnabé, toca tangos!
- Chamar pelo Gregório.
E haverá mais, decerto...

domingo, 5 de maio de 2013

As favas não contadas


Depois da matutina leitura do jornal, dou-me ao descasque sistemático de quase 4 quilos de favas, vindas de Constância. De entre a sua cama interior, que parece feita de veludo branco, elas saltam frescas, à razão de 3 a 5, de cada vagem oblonga, na sua verdura tenra.
No entre tempo, rememoro as duas entrevistas que li no "Público": uma ao historiador Cláudio Torres, outra a Nogueira Leite (ex-CGD), economista. Este último, na fotografia, parece que inchou, está nédio e luzidio - por associação, olho para o entrecosto, que já está na banca da cozinha, salgado, para acompanhar a favada, ao almoço.
Tão diferentes que eles são, penso. O historiador fez muito, e bem, pelo país, além de pôr Mértola, na agenda arqueológica nacional; o outro, o economista, fez imenso por si mesmo e com glutonaria. Mas, agora e na entrevista, até já pisca o olho ao A. J. Seguro. Deve andar a preparar-se para o transbordo, com alguns outros ratos, antes que o barco se afunde, de vez...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Mercearias Finas 69 : globalização, cavalos e batatas


Às vezes esquecemos que a primeira globalização, no séc. XVI sobretudo, contribuiu grandemente para o enriquecimento cultural, gastronómico e até para uma maior biodiversidade dos continentes. Por termos visto muitos filmes sobre o faroeste americano, temos dificuldade, por vezes, em lembrarmo-nos que os primeiros cavalos que pisaram o solo americano, foram levados da Europa, por Fernando Cortez.
Mas também recebemos em troca. Por exemplo a batata, que veio dos Andes e acabou por substituir as castanhas, no acompanhamento das refeições, em muitos países europeus. No entanto - e era aqui que eu queria chegar, para o dizer -, nunca, até há 15/20 anos atrás, me chegou ao prato batata de tão fraca qualidade como agora. Na maior parte dos casos, vem de França, para as grandes superfícies. Mesmo que a dividam em batata para cozer e batata para fritar e assar. Farinhentas, descoradas, insípidas - uma lástima...
Longe vai o tempo em que elas começavam a aparecer, primeiro, da Lourinhã e do Montijo, depois iam amadurecendo nas Beiras, até chegarem, finalmente, de Trás-os-Montes - bons tempos de produção nacional, porque a batata era, quase sempre, boa. Agora, só através de deslocações às terras saloias e por ofertas amigas, vindas de Constância ou da Lourinhã, temos o gosto de as saborear no seu sabor inteiro.
Claro que a França, com a parte de leão que recebe da PAC para a sua agricultura, pode bem vender o rebotalho da produção aos Santos e aos Belmiros, ao preço da uva mijona, para eles encherem os bolsos, depois, e as grandes superfícies de toneladas de péssima batata, para consumo do pagode luso.
E vem tudo isto a propósito porque, no domingo passado, dois magníficos linguados grelhados iam-se perdendo no meio de reles batatas cozidas, francesas... que acabamos por deixar no prato, quase todas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Bibliofilia 55 : o "Agricultor Instruido..."



São sempre interessantes estes livros sobre Agricultura; mais ainda, os desta época das Luzes, em que coexistem sabedorias ancestrais, mezinhas populares e conhecimentos pré-científicos, para ajudar quem deles se servia. Este "Agricultor Instruido com as prevenc,oens(sic)...", de Fr. Theobaldo de Jesu Maria, editado em 1790, parece ser raro, e comprei-o este ano, em Lisboa, por 22,00 euros. E já o utilizei, aqui, em dois ou três postes anteriores.
Por outro lado, este título do capítulo XXII (Dos Rabos), dá que pensar... E até para concluir que a língua portuguesa foi ganhando pudicícia, e vergonha, com o tempo, substituíndo algumas palavras e nomes maliciosos, por outros mais anódinos sem resquícios de licenciosidade. Lembremos a Porcalhota que passou a chamar-se Amadora para maior dignidade dos seus habitantes. Ou Punhete, que ganhou o poético nome de Constância. Mais estes Rabos que se transformaram em Rábanos...Assim seja, portanto!

domingo, 16 de outubro de 2011

Mercearias Finas 39 : Coelho na abóbora, tinto Douro e jerimus

O coelho era português, e manso, as abóboras de Constância e o vinho tinto duriense (d'Eça 2009), de Sabrosa, que não tendo pujança excessiva, compensava com uma elegância inesperada e acolhedora nos seus 13,5º graus aveludados, já. Marcado, absolutamente, pelo aroma e sabor inconfundíveis da Touriga Nacional - eflúvios de violeta cálida, envolvida em fumos de tabaco e chocolate. A garrafa foi toda, e quase pedia mais...


O coelho foi aconchegado e assado no forno (como manda o "Chico Elias", de Tomar), no interior de uma cucurbitácia média, mas nutrida. Para não ficar sozinho fizeram-lhe a cama e rodearam-no de aipo, cebola, um cheirinho de salsa, pequenas tiras de pimento rútilo, algumas rodelas de chouriço, três ou quatro gotas de piri-piri. No útero róseo-alaranjado da abóbora, quentinho, adormeceu - e fez-se.


Entretanto, as cabaças pequenas e mais jovens, que não chegaram a ser cantil de romeiros e peregrinos, secas, ou mera decoração de mesa, foram sofrendo tratos de polé, em vida e sumarentas, até adquirirem uma consistência de polme maleável, poroso e amarelado - daí, talvez, o nome de abóboras manteiga. Fritas se transformaram em "bolinhos de jerimu", com polvilhos leves de fino açúcar e canela. Puro esplendor divino, como manã bíblico, que se desfazia na boca.
Gastronómico domingo, digno de deuses!

A HMJ, pela confecção perfeita; a AVP, pela sábia indicação do vinho d'Eça 2009, tinto. 


domingo, 6 de março de 2011

Mercearias Finas 27 : a Favada

Não fossem as favas, de proveniência castelhana, toda a refeição teria origem genuinamente nacional. E com muito orgulho, porque a Favada estava um esplendor! E o vinho, um tinto da seleccionada colheita de 2003 da Adega Cooperativa de Pegões (com Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira e Cabernet Sauvignon), portou-se galharda e cumpridamente bem. Nos seus 8 anitos de vida e treze graus e meio, abriu lindamente e deu luta. Ao chouriço de Portalegre, ao entrecosto dum porco que viveu no Montijo, a uma morcela de sangue, alentejana, e ao cheirinho duns coentros muito frescos, que vieram de Constância. Em abono da justiça e da verdade, há que dizer que as pequenas favas espanholas eram muito tenras e boas.
Como ainda havia quase 1/3 do tinto Pegões 2003, finalizou-se com um bom queijo de Seia (desta vez não era babão!), misto de leite de cabra e ovelha - apetitoso. Também acompanhado de um pão semi-integral (retirado a tempo do congelador e amornado no fogão), cozido a forno de lenha, em Negrais. Onde estivemos, aqui há dias, a comer um saboroso leitão, no "Tia Alice", ladeado por um cuidado arroz de miúdos, do dito. Mas, hoje, foi a Favada que, repito, estava um esplendor. Viva o colesterol!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Limoeiro em Fevereiro de 2011


A safra citrina de 2010, por razões exteriores de uma oferta generosa de limões oriundos de Constância, mantem-se, ainda, a 70% no tronco parental, da varanda a Sul. Os 4 limões já consumidos, anteriormente, provaram a sua excelente qualidade, e eram muito sumarentos.
Mas, pré-anunciando a Primavera, o limoeiro recomeçou, fiel e tradicionalmente, a florir. Coexistem assim 2 gerações, neste mês de Fevereiro de 2011. Muito embora a "mortalidade infantil" seja sempre grande (falta-nos aqui um Dr. Albino Aroso), em Março haverá, com certeza, dezenas e dezenas de botões floridos, de que cerca de 10% se irão transformando em pequenos limões. Da evolução daremos conta, no tempo e progressivamente.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mercearias Finas 26 : vai um arroz de espigos com pataniscas de bacalhau?



Hoje, o almoço, vai ser "jaquinzinhos" com um arroz malandrinho de tomate. Mas, há dias, foram mesmo as pataniscas de bacalhau, estaladiças de bem fritas, acompanhadas de um belíssimo arroz de espigos ou netos de umas couves de Constância ( Tomaz de Figueiredo chama-lhe arroz de goldras, da sua Arcos-de-Valdevez). Quase esverdeado, estava o arroz pela cor dos espigos, e muito saboroso. Foram bem acompanhadas, as pataniscas e o arroz, por um branco Dona Ermelinda de 2009, das Terras do Sado. Que tinha, por si, Arinto, Chardonnay e Fernão Pires, sabiamente doseados pelo criativo enólogo Jaime Quendera. Este vinho branco foi medalhado, em Bruxelas, com ouro, e custa à roda de 5,00 euros - merece-os. Aliás, esta Casa Ermelinda Freitas, cujas vinhas crescem em Fernando Pó, é produtora de excelentes vinhos.
Mas, hoje e como disse no início, vão ser os "jaquinzinhos". E terão a companhia, modesta mas honesta, dum Dão branco Monástico (da UCB), à base da casta Encruzado, assim meio-fresco, não gelado. Bom apetite!