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sábado, 4 de julho de 2020

Varinas



Ora, hoje, vou intrometer-me numa secção do Arpose, que não costuma ser da minha responsabilidade, a saber, as Mercearias Finas, pela simples razão de ter sido eu a trazer para casa o jornal com a embalagem da latinha em epígrafe.

Como recebi de herança familiar materna que qualquer objecto novo tem que ser apreciado e avaliado quanto antes, lá enriquecemos o nosso jantar, normalmente frugal, com um pãozinho de feitura caseira e o conteúdo da latinha acima reproduzida.

Embora acolhendo frequentemente iniciativas que visem a promoção do produto nacional, tanto pela qualidade como pela proximidade de produção, acontece que alguns lances depois se revelem fracasso pela "provincial modernice" que introduzem.

O "chefe" insitiu na introdução, pouco justificada, de canela, estragando, com esse lance, o conjunto do sabor dos peixinhos.

Esse bater de palmas a qualquer gesto das criaturas instalou-se, há tempos e bem cedo, no universo de uma população infantil e juvenil. Crescendo neste domínio pouco racional e acrítico da prestação individual, assistimos, depois, a um país de brilhantes: fazedores de versinhos promovidos a poetas, cozinheiros em lugar de chefes de impérios - frágeis à espera da salvação do contribuinte - merceeiros saltando para a categoria de empresários, CEO's e quejandos, sem esquecer outros que, pela formação académica, deviam ser mais objectivos.

Quando a família não sabe domar os rebentos, também não se peça depois aos professores conscientes que emendem tanto desmando.

Post de HMJ


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Produtos Nacionais 8 : Conservas


Pode ser que a memória me esteja a pregar uma partida, mas tenho na ideia que há muitos, muitos anos atrás terei entrado nos escritórios da Fábrica de conservas "A Poveira", a que um relógio antigo, na parede, e as madeiras castanho-claras dos móveis davam um ar de grande dignidade. Pela mão do meu Tio Jorge? Não posso afirmar, com rigor - já terá sido há tanto tempo...
Mas as conservas de "A Poveira" eram as preferidas, lá em casa. Depois passaram-se dezenas de anos em que as não provei mais, até ontem, num lanche ajantarado, em que voltaram à mesa. Eram 3, as enormes sardinhas ali, bem acamadas e saborosas, na lata, banhadas por um apaladado e rubro molho de tomate.
Não vale a pena, por questão de preço, preferir as conservas marroquinas (os fabricantes aprenderam connosco, aliás), nem mesmo as espanholas. Estas da Póvoa de Varzim é que são boas. E é por isso que aqui as destaco e recomendo, patrioticamente.

Nota: No melhor pano cai a nódoa - diz o povo. Então não é que, na embalagem (em imagem) de papel, chamam à cidade: Póvoa da Varzim!?...Já não bastava os ignorantes dos locutores da televisão lhe chamarem Póvoa do Varzim - outra enormidade! Póvoa de Varzim é que é, e sempre foi.