Mostrar mensagens com a etiqueta Conde de Farrobo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Conde de Farrobo. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pequena história (4) : Adelina Patti


Filha da soprano Catarina Basili, que chegou a cantar no S. Carlos (1836), contratada pelo Conde de Farrobo, e do tenor Salvatore Patti, a cantora de ópera Adelina Patti (1843-1919) era uma mulher dotada de grande beleza. Era também uma soprano de grande qualidade e Verdi admirava-a muito. Mas era também uma diva caprichosa e fazia pagar bem caras as suas actuações.
Conta-se que um empresário americano a quis contratar, mas Adelina Patti pediu-lhe 50.000 dólares, por mês. E como ele achasse a quantia excessiva, retorquiu-lhe que nem o Presidente dos Estados Unidos ganhava tanto dinheiro. Ao que a diva Patti lhe respondeu: "- Pois, então, faça cantar o Presidente!"

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quotidianos lisboetas


Deviam estar a preparar alguma coisa nos jardins do Palácio do Conde de Farrobo, ao Chiado. Recepção, festa, ou vernissage, porque os canteiros estavam cuidados, os arbustos aparados e, por uma nesga de uma porta que dava para a rua, consegui ver 2 cozinheiros aperaltados a preceito e vários tachos e panelas sobre o fogão industrial da cozinha. Próximo, e de um caminhão parado na rua descarregavam vitualhas. Como sempre, à portuguesa, 3 moleques faziam o trabalho, e 5 "cavalheiros", muito direitos e aristocráticos, encostados à parede, davam ordens ou mandavam bocas correctivas aos oficiais mecânicos. Estava calor.
Eu já vinha da Bertrand, após ter resolvido, metafisicamente, uma dúvida difícil. Na mão direita eu tivera "Uma viagem à Índia" de Gonçalo M. Tavares, com prefácio de Vasco da Graça Moura, na esquerda sopesara, indeciso, de João Paulo Martins, "Vinhos de Portugal 2012", sem prefácio, a não ser do próprio autor. Mas eu só queria comprar 1 livro. Tinha que optar...
Entre os muitíssimos autores citados, de um dos livros, e os inúmeros vinhos referenciados, no outro, preferi o João Paulo Martins. Entre a poesia e o vinho, desta vez ganhou Baco. Também é verdade que havia alguma diferença de preços entre as duas obras, o que também conta, num orçamento limitado... 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Jacarandás, estorninhos e a O. C. D. E.


Timidamente, os jacarandás refloriram e os estorninhos regressaram à boa visibilidade lisboeta. Na Av. 24 de Julho, com atenção, já se podem descobrir no seu renascimento de memória biológica (vide Arpose, 15/6/2010, Dário Castro Alves) e genética brasileira, os cachos azúis e lilazes floridos, esparsos ainda, por entre a folhagem.
Vi também 4 ou 5 estorninhos, discretos, vindos de uma frondosa "ficus ficus", quase no Chiado, atravessar para o jardim da casa, que foi de nascimento, do Conde de Farrobo. Não eram ainda aquelas nuvens densas que se cruzam e recruzam, sobre o Tejo, ao fim do dia, entre Outubro e Novembro. Mas deu para perceber, além da temperatura, que Lisboa entrara no Outono.
Depois, no Telejornal, veio um senhor mexicano (de "paupérrimas feições"[ Guimarães Rosa]) da O. C. D. E., mas sem "sombrero", falar aos portugueses do "Inverno" que se aproxima rigoroso e inevitável, e como contrariá-lo: mais IVA, mais IMI, mais IMT... Raio de globalização, onde até os mexicanos nos vem dar receitas para viver!...
Olho para o semi-círculo de luzes que, no escuro e ao longe, demarcam o Tejo e a terra firme ribeirinha. O luar e o céu limpo deixam ver Palmela das almenaras do Condestável , para dar coragem a D. João I, cercado em Lisboa pelos espanhóis, e digo para mim mesmo: ao menos, deem-nos uma estação de cada vez! Senão, morremos todos embuchados.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Em louvor do melro



Convivial e citadino, ou quase rústico e campestre, o melro acompanha-me desde cedo. Já não é o de Guerra Junqueiro, nem o da Gulbenkian que foi parar a um poema de João Miguel Fernandes Jorge mas, com certeza ,um parente afastado dos dois. Quer o melro urbano que vem do antigo jardim do Conde de Farrobo e que começa a cantar, do alto de uma velha chaminé no coração de Lisboa, antes de nascer o sol; quer este, "outrabandista", que, hoje, iniciou o seu trinado antes das cinco da manhã. Quem começa assim o dia, tão de negro e laranja, deve ser feliz. Saudêmo-lo, pois, na sua jovialidade e companhia matinal!