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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Oração fúnebre


Herdado familiarmente de quem já o achava obsoleto ou com pequenas deficiências - imperceptíveis, para mim, que sou um ignorante e rude informático - o meu computador Sony lisboeta deu o berro. Quero eu dizer, morreu-me nos dedos, estava eu a ouvir, via Youtube, um concerto de Natal, em Viena, superiormente dirigido por Karajan. Fez um relâmpago silencioso, mas verde, começou a mostrar traços verdes finos e verticais, depois pequenas rectas negras intercaladas, e foi-se... Deu a alma ao criador. Ignorantemente esperançado, religuei-o quatro ou cinco vezes, e nada. Ecran absolutamente negro, vazio, obscuro como um buraco negro do Universo.
A Sony sabe-a toda. Faz os computadores com prazo de validade, mas não avisa os utentes. Este feneceu no último dia do ano de 2012. O número redondo deixa-me altamente desconfiado e faz-me pensar que, quem faz isto, tem um espírito matemático, doméstico, de horizontes limitados: deve ser infeliz. Ao menos, os frigoríficos que, hoje, no máximo duram 15 anos, avariam definitivamente em meses aleatórios do ano - o acaso, assim, é mais credível. A Sony é mais chapa zero: morra, pim! , como dizia o Almada, do Dantas.

Nota: esclareço que estou a usar o computador lisboeta e pessoal de HMJ. O meu acabou, de vez.