Há palavras que são, inexoravelmente, finais e fatais num diálogo. Comentários a postes que barram a possibilidade de quaisquer acrescentos posteriores, de relevância útil. Pela inteligência dessa observação, definitiva, mas também, às vezes, pela estultícia despropositada do comentário desencontrado. Neste último caso, uma espécie de tiro ao lado, ao poste a que são dedicados. Que não tem em conta a questão essencial da postagem, talvez por dispersão do raciocínio da visita, ou por que ela se concentra em minudências secundárias, que apenas fazem parte da moldura envolvente do assunto que se quis abordar. Também a ironia, de que se usou, pode tornar-se numa floresta de enganos, para o visitante distraido ou desprevenido. Há também outras origens para estes despropósitos.
Porque há muita gente que gosta de se ouvir, em vez de querer, honestamente, dialogar.
Frequento, com alguma regularidade, um Blogue de que não sou seguidor oficial. É feito por uma figura pública conhecida, que também frequenta jornais e canais televisivos, como cronista bissexto e comentador encartado de questões políticas. A menos que os postes que publica sejam de natureza reflexiva, as suas postagens, sobretudo de ordem política, concitam inúmeros comentários, maioritariamente, reaccionários, alarves e, algumas vezes, a rondar o insultuoso. Acresce o facto de serem anónimos, quase sempre. E de serem, como comentários, meros tiros ao lado, de baixo mau gosto... Mas também por lá existe muito comentador entusiástico e redundante, que aplaude sempre, seja o que for, em pura pose de subserviência activa e acrítica.
Por outro lado, o administrador desse Blogue, numa magnânima postura democrática (?) tudo permite e publica. Talvez para seu próprio gaúdio circense, numa pose altaneira de manipulador de marionetas. Não deixo, no entanto, de pensar que esse Blogue fica absolutamente diminuido em qualidade, por essas rémoras parasitas, que lhe sujam o dorso... Mas o Diplomata é que sabe, as linhas com que se cose, em sua casa.