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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Apontamento 98: Bem-vindos à "Disneyland" portuguesa


Como é meu costume, gosto de jogo limpo, avisando os eventuais leitores para particularidades das minhas opções, neste caso de leituras.

Sucede que nunca apreciei os bonecos “Disney”, “minies” e companhia, assim como nunca engracei com “Barbies”, de trampa, ou outro tipo de bonecada de duvidoso gosto, tanto faz.

Também não fazem parte do meu universo infantil “discursos em forma de bola de chiquelete”, de construções reduzidas, antecipando o “jargão” cibernáutico actual.

Vem todo este palanfrório a propósito do efeito nocivo da globalização sobre as nossas cidades, impondo cópias, tiradas a papel químico, do submundo cultural.

Nas ruas da cidade alastram os bandos que espalham o seu ruído através de altifalantes, passeiam-se umas figuras tristes, que me fazem lembrar o “mundo Disney”, ou seja, um sonho americano, globalizado, de pacotilha, sem nenhuma referência cultural. O cenário da cidade continua a transformar-se num filme de horrores, com imagens iguais de qualquer país possível, sem nenhuma referência histórica, social e cultural concreta. Tanto se pode passar por este enquadramento no Sul como no Centro ou no Norte da Europa, tanto faz, apenas com a diferença do clima ameno em Portugal.

Convenhamos que a maior parte dos turistas não vem com intuitos culturais.

Acontece, no entanto, que a submissão a essas “hordas” nos modifica a nossa paisagem, ajudada por uma legislação que, lentamente, transforma o comércio local em “áreas turísticas tipo Disney”.



A última notícia, de hoje, foi o encerramento do REI DAS MEIAS, no Largo Bordalo Pinheiro, para dar lugar a quê ? À falta de imaginação, mais um Hostal, certamente !

Como a memória é curta, e as eleições próximas, convém lembrar que a Lei do Arrendamento, que criou a base para tamanha razia no comércio tradicional, foi alterada em 2012. Pertence, pois, a responsabilidade a determinados pafunços, da fauna dos coelhos e galinhas cristas, gente aculturada nada e crescida em lugares distantes, feitos basbaques perante esta nova “Disneyland” à portuguesa.




Prefiro a sinceridade da mensagem do “antigo” Rei das Meias que, a partir do fim do mês, manda mais duas empregadas para trabalhar “para a Segurança Social”, como elas me confirmaram, de viva voz.

Post de HMJ

sábado, 28 de setembro de 2013

Apontamento 21: Boas Notícias



Ao que parece, e ainda bem, é o comércio tradicional a marcar pontos nas escolhas dos consumidores. Embora forçada pela crise, agrada-me a tendência, como início de uma batalha maior, dos consumidores, pela defesa da liberdade de escolha e contra a “unicidade” do gosto, contra o poder excessivo – quiçá mafioso – dos grandes grupos na imposição de preços, prazos de pagamento e modos de produção, aos produtores.
A notícia divulgada hoje num jornal nacional encontra, no meu jornal de referência, DIE ZEIT, algumas reportagens, que tenho acompanhado com muito gosto, sobre a sobrevivência de algumas manufacturas, ditas artesanais, que ainda sobrevivem nos países do Sul da Europa. O mais recente destacava a “indústria vidreira” artesanal em Espanha.
Lembrei-me, obviamente, da indústria vidreira nacional. O depósito da Marinha Grande, na Rua de S. Bento, onde se encontrava tudo e o trabalho dos artífices nos enchia o olho.
Além disso, um passeio pela Rua de S. Bento, a Rua dos Fanqueiros – para ver os tecidos – ou outras ruas da Baixa, não se compara aos “balões fechados” dos “Centros Comerciais e Grandes Superfícies”.

Não tenho dúvida de que, em consciência e com esclarecimento, o homem acabará por defender a dignidade do trabalho do seu próximo, porque lhe reconhece a sua dedicação e o seu esforço que os farsolas dos “Soares dos Santos e quejandos” apenas sabem sugar em proveito próprio.
Post de HMJ