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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Da leitura 64



Auspiciosamente, o jornal Público de hoje, e por artigo bem informado de Luís Miguel Queirós (1962), levou a cabo a celebração de Agatha Christie (1890-1976), no dia preciso em que passam 50 anos sobre a morte (12/1/1976) da célebre escritora inglesa de livros policiais. A colecção Vampiro publicou 66 obras da autora, tendo sido suplantada em número apenas por dois outros autores: Erle Stanley Gardner (95) e Georges Simenon (73). LMQ destaca vinte dos mais importantes livros traduzidos para português, através de concisas sinopses dessas obras, em 3 páginas do jornal.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Da colecção Vampiro



A partir de hoje, ficaram-me a faltar 63 títulos para completar a colecção Vampiro, no seu antigo formato (680 números). Um pouco maltratado (e usado) este número 331, Crime... com Elas, de Mickey Spillane (1918-2006), acabou por me ser oferecido pela dona da loja, dado o seu estado pouco estimado.
Com Lesley Charteris e Peter Cheyney, Spillane pertence àquele número de escritores policiais que eu considero de terceira ordem de qualidade e que sempre descurei comprar. Os livros são mais feitos de violência e pancadaria do que de verdadeira e inteligente trama policial. Daí que estes e mais três ou quatro nomes destes escritores policiais preencham, em grande parte, os vazios que me faltam na Vampiro.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Do que fui lendo por aí... 49

 

Não levo muito a sério as descrições de refeições ou receitas surgidas em livros de cariz policial. Mas há que referir o facto de que raramente um detective tem um cozinheiro particular em casa, como é o caso de Nero Wolfe, figura central dos policiais de Rex Stout (1886-1975). Invariavelmente, o detective de ascendência montenegrina, acompanha as refeições, ainda que sofisticadas de Fritz, com cerveja. O que, no meu entender, revela um certo mau gosto de eventual "gastrónomo", provável contágio de quem vive na América, já há muito. Pior seria, no entanto, que acompanhasse com coca-cola, esta refeição que vem descrita na página 151 (capítulo 14), de Crimes em Série (Vampiro, nº 564) que ando, intermitente, a ler há meses. Aí vai:

"Passámos o resto do dia em conferência, exceptuando o tempo para as refeições. As refeições foram deprimentes. Os borrachos marinados em natas leves, envoltos em farinha temperada com sal, pimenta, noz-moscada, tomilho e bagas de zimbro esmagadas, salteados em azeite e servidos sobre uma tosta, regados com geleia de groselha e molho de natas ao Madeira, são um dos petiscos preferidos de Wolfe, geralmente consome três, mas já o vi comer quatro. Nesse dia, eu (Archie Goodwin) quis ir comer para a cozinha, mas não. Tive que me sentar e comer os meus dois borrachos, enquanto ele debicava sombriamente as suas ervilhas, com salada e queijo. A refeição ligeira da noite de domingo foi igualmente má. Ele come geralmente qualquer coisa barrada com queijo e anchovas ou pâté de foie gras ou arenques em molho de natas azedas, mas, aparentemente, o voto incluía o peixe. Comeu bolachas com queijo e bebeu quatro chávenas de café. Mais tarde, no escritório, comeu uma taça de pecans e depois foi à cozinha buscar uma escova e uma pá para limpar as cascas que estavam sobre a secretária e o tapete."

Uma bela salgalhada, sem dúvida! Foi por isso que eu referi, no início do poste, que: não levava muito a sério as descrições de refeições  nos romances policiais.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Divagações 168

De policiais, ultimamente, tem sido um fartote, sobretudo em leituras. É certo que, de há muito, deixei de procurar encontrar as 20 sacrossantas regras clássicas de S. S. van Dine, em relação às tramas policiais, observadas já antes, escrupulosamente por Poe ou Conan Doyle, e já um pouco pervertidas, depois, por Agatha Christie ou Erle Stanley Gardner. A boa educação foi-se perdendo pelo caminho...


Com as duas pilhas (19 volumes da XIS e 21 da colecção Vampiro) que resolvi abater como se fossem torres, lendo-as, tive que abordar autores de terceira e quarta ordem (P. Chamber, Michael Underwood, K. Royce, Ben Benson, eu sei lá...) E, ao fim-de-semana, na RTP2, lá vem o jovem Montalbano com a sua Lívia, o Mimi e o Fanzio, em doses duplas coroar, pela Sicília, o remate dos enredos policiais.
A dar o tom, aqui fica a boa voz de Olivia Sellerio, numa canção da banda sonora da série referida.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Policialmente falando


Já tive mais paciência para ver uma série policial na televisão, mas às vezes reincido.
Por outro lado já li o que havia para ler de S. S. van Dine, e não era muito. E de Conan Doyle. Os Maigret, de Simenon, também já foram todos. Estes são para mim os escritores de primeira água. Quanto à segunda divisão, classifico Stanley Gardner, Ellery Queen, Rex Stout e Agatha Christie.
Desta última Senhora, nunca consegui suportar a voz adamada e os tiques afectados da representação estereotipada de David Suchet, nas séries televisivas. Em cinema, creio que o melhor Poirot ainda foi Albert Finney.
Mas ontem, por mero acaso, na Fox Crime, deparei-me com John Malkovich na figura do detective belga. Sempre achei este actor de segunda ou terceira categoria e não me merece grande entusiasmo. E a série é uma adaptação em três episódios do romance The A. B. C.  Murders, de Agatha Christie, que foi traduzido para a colecção Vampiro, portuguesa, sob o número 167, com o título Os crimes do ABC.


A representação dos actores é banal, Malkovich incluído, que compõe um razoável Poirot, sem tiques de maior e alguma sobriedade. A re-criação televisiva alterou algumas coisas da trama original do romance policial. Nesta versão, o inspector Japp, da Scotland Yard, já morreu, após breve reforma. Neste primeiro episódio, pelo menos, o capitão Hastings, fiel amigo e companheiro de Hercule Poirot (qual alter ego do dr. Watson), também não apareceu.
Mas nota-se a marca e o dedo miraculoso da roteirista Sarah Phelps, que permite boas expectativas.
Por isso, no próximo domingo não vou perder, às 22h00 na Fox Crime, o segundo episódio da série.

sábado, 19 de novembro de 2016

Livros ao Sábado


Com a noite de ontem, quem diria a soalheira manhã de hoje!?
Não imaginava ir ver a feira de usados na rua Anchieta, neste sábado ainda de Verão de S. Martinho. Mas achei mais caros os preços (proximidade do Natal?), embora houvesse várias bancas de livros a 5 euros. E, numa delas, inúmeros Vampiros a 1 euro: trouxe 6 Nicolas Freeling (1927-2003), meu actual escritor policial de estimação e mais 4 outros autores sortidos, que me estavam em falta. Para completar a antiga colecção da Livros do Brasil, faltam-me agora só 69 volumes.
Para coisa mais séria, ainda me abalancei a um Ezra Pound (1885-1972), que estava em conta - 3 euros. Que trouxe, para o fim-de-semana.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Última safra


Ontem, foi um fartar vilanagem!...
Depois do almoço, uma caverna de Ali-Babá, desarrumadíssima, onde milhares de livros se desordenavam em prateleiras e no chão, ali para a Estrada de Benfica. Optei pelos policiais, acima, mais La neige était sale, de Simenon. Destaque para a capa de Jorge Colombo, no volume da Colecção Xis que, habitualmente, era ilustrada por Edmundo Muge. Esportulei 5 euros.

Já mais tarde, o meu Alfarrabista de referência. Que levara a efeito recentemente uma venda temática, no sábado passado e que eu preanunciara (poste "Última hora", de 30/5/2016). Foi muito falada esta quermesse. E concorrida. Até ocasionou artigos em jornais, com fotografias e tudo.

Deparei-me com os despojos da batalha, mas ainda havia alguns troféus. Porque ainda comprei uma primeira edição de  contos de Graham Greene, e algumas outras obras que me interessavam. Foram 15 euros bem empregues. E devo ter leitura para todo o Verão.
Hoje, não saio de casa, para evitar mais tentações...


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Da Holanda, em particular


Não é sequer dos meus escritores policiais preferidos, mas o inglês Nicolas Freeling (1927-2003) rodeava de ingredientes muito interessantes as obras que tinham o inspector holandês Van der Valk como protagonista central. Falava dos costumes, de gastronomia, do ambiente paisagístico holandês, com à vontade e propriedade. Talvez porque, apesar de britânico, vivera na Holanda, casara com uma holandesa e tinha uma avó dessa mesma naturalidade, com o apelido Vierling.
O livro (em imagem) que acabei, ontem, de ler, "Na pista do crime" (Sand Castles, 1989), foi o último que Freeling escreveu da série de Van der Valk que foi  adaptada pela BBC, em televisão. Comprei-o numa abada de Vampiros, que adquiri, usados, no Montijo, algumas semanas atrás, por 1 euro cada. São várias, nesta obra acima referida, as referências aos holandeses, e bem curiosas. Por isso, vou proceder a algumas transcrições:

" Os holandeses são democratas: quando tratam alguém por Meneer estão a ser sarcásticos. Como por exemplo: «Meneer, não se importava, por favor, de retirar a ponta da sua bengala de caça de cima do meu dedo do pé?" (pg. 8)
" O quarto de casal dava para o mar. Tal como todos os quartos holandeses era mal ventilado e sobreaquecido." (pg. 14)
" Os holandeses não são dotados para as artes culinárias. Falta-lhes o instinto que os belgas tão bem possuem (quando se deixam persuadir a cozinhar os seus pratos típicos). (pg. 15)
" Primeiro, a paixão dos holandeses pela luz eléctrica; as ruas podiam não estar mais iluminadas do que uma aldeia remota do Texas, mas no interior de uma sala de estar de doze metros quadrados, era vulgar encontrarem-se dez lâmpadas acesas." (pg. 17)

para a Sandra, no seu "Presépio com Vista para o Canal", que, com propriedade e conhecimento de causa, poderá apoiar ou refutar estas insinuações..:-)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Vampiros de segunda geração


Parece-me que agora é de vez. Pré-anunciada, frequentemente, a ressurreição da memorável Colecção Vampiro, o jornal Público, de Domingo, em extenso e informado artigo de Luis Miguel Queirós, atesta a sua concretização pela Porto Editora. E tenho que me congratular porque, nos primeiros números, haverá algumas reedições de S. S. van Dine (1888-1939), o meu escritor de policiais preferido, e de quem, por aqui, já falei.
Não sei é se o preço de 7,70 euros será justo. Para quem ainda compra antigos Vampiros, como eu (faltam-me 89 números, para completar a colecção original, composta por 703), sabe que, usados e em razoáveis condições, se podem adquirir entre 1 e 3 euros. Excepto os autores de culto, mais procurados, que podem ir dos 6 aos 12 euros (Agatha Christie, Simenon, E. S. Gardner). Preços intermédios (3 a 5 euros) custam normalmente os Hammet, Chandler, Ellery Queen, Sayers, van Dine...
Seja como for, foi uma boa notícia, esta da ressurreição da celebrada Colecção Vampiro.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Agatha Christie, em geminação com o Prosimetron


Na portuguesa colecção Vampiro policial, Agatha Christie (1890-1976) está representada por 67 obras, sendo apenas ultrapassada por Geoges Simenon (1903-1989), com 73 livros. Na primeira vintena de Vampiros, a escritora inglesa tem 5 obras e Ten little Niggers (Convite para a Morte) ocupa a décima oitava posição.

Tirando livros de temática religiosa (Bíblia, Alcorão...), as obras de Agatha Christie são daquelas que mais se vendem em todo o mundo, o que atesta também a popularidade dos livros policiais. MLV, no Prosimetron, destacou ontem a passagem dos 40 anos da morte (13/1/1976) da autora britânica, referindo Ten Little Niggers (1939), com mais de 100 milhões de cópias vendidas. E, hoje, MR, no Prosimetron, faz uma adenda, convocando o Arpose para um desafio...
Aqui ficam, por isso, imagens do meu exemplar da colecção Vampiro, para uma geminação cordial.


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Das leituras e séries policiais


O Verão convida à leveza nas leituras. Imagine-se que, ontem, até comecei a ler um policial de Leslie Charteris ("O Santo recebe um SOS", nº 204 da Vampiro), que é um dos autores que menos admiro, no género. Dos meus Top5, Agatha Christie (1890-1976) não consta, mas ainda leio os seus livros com agrado. Sejam eles com a investigadora Miss Marple, com Tommy e Tuppence (Beresford) ou Poirot, que é o meu preferido. Há dias, porém, apanhei um filme, na televisão, baseado numa obra da escritora britânica, mas não o consegui ver até ao fim. Tinha um erro crasso de casting: quem fazia de Poirot era o canastrão do David Suchet que, além de ser mau actor, adopta um tom amaneirado, excessivo, de falar que eu não consigo suportar muito tempo. Para quem viu Hércules Poirot ser desempenhado por Peter Ustinov e Albert Finney, no mínimo o Suchet é uma pobre caricatura infeliz...

domingo, 28 de junho de 2015

O (des)prazer da leitura


É indiscutível que "A morte de Virgílio", de Herman Broch, é um livro de culto. Quero eu dizer com isto que as elites bem-pensantes o aconselham, como politicamente correcta e conveniente a sua leitura. Não desprezo estas indicações culturais, mas elas não me obrigam, religiosamente, nem as sigo cegamente. Tenho opinião própria, que prevalece, em matéria de leituras. Creio ser pouco influenciável neste aspecto e acho, também, que as listas de best-sellers são meros jogos viciados e comerciais, com valor semelhante às sondagens. Convém lembrar, por exemplo, que as montras das livrarias, hoje, são pagas pelas Editoras - é o outro lado. As duas faces da moeda: o populacho e o intelectualóide.
Depois da épica leitura de "Guerra e Paz", de Tolstoi, que encarei como desafio e compromisso, achei que estava em condições de arrostar com mais um dos esquecidos e abandonados volumes da minha biblioteca.
Calhou a vez a H. Broch. E lá reiniciei, cheio de boa vontade, a leitura de "A morte de Virgílio". A canícula dos últimos dias e um tédio, que me é próprio, ciclicamente, acompanharam as primeiras 128 páginas do livro, em que um onirismo barroco torrencial denuncia o cenário finissecular vienense que, artisticamente, tem em Klimt a expressão mais elegante e suportável. Se alguns excertos, nestas últimas horas de vida do Poeta romano, no exílio de Brindisi, são exemplares a configurar o processo da criação poética, pela pena de Broch, o circundante é excessivamente caótico, chegando mesmo a ser pernóstico pelo excesso. Lembrei-me de Pessoa (Ai que prazer/ Não cumprir um dever,/ Ter um livro para ler/ E não o fazer...) e abandonei, definitivamente, a leitura - chegava de penitência...
Bem mereço um Simenon, daqueles que guardo com avareza (para ler) e usura gulosa! Último dos Maigret que a Vampiro (nº 639), no seu antigo formato, traduziu e editou (Outubro de 2000), e que não li ainda. O título não é desconforme com o sentimento resultante das minhas leituras de Broch: A paciência de Maigret.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O regresso (?) da Vampiro


A ser verdade a notícia de que a Porto Editora terá comprado, à Livros do Brasil, os direitos da conhecida e celebrada Colecção Vampiro, policial, em breve e provavelmente, teremos de volta os seus novos títulos à venda - oxalá! E faço figas para que regressem no antigo formato e com capas dignas da sua clássica antiguidade conceituada, por onde pontificaram Cândido Costa Pinto, Lima de Freitas e Infante do Carmo.
Esta boa nova juntou-se à coincidência de, na semana passada, eu ter adquirido, usados, 5 volumes que me faltavam, ficando agora com 596 livros da referida colecção, até ao malfadado número 681 do desengonçado novo formato, que, de algum modo, ditou a agonia da Vampiro. E que baratos que eles foram: cinco livros, por 2 euros. Deixo aqui 3, em imagem, com capas de Lima de Freitas.

sábado, 1 de março de 2014

Policiais de segunda


Houve tempo, sobretudo na juventude, em que eu não era esquisito com os romances policiais que ia lendo, na Colecção Vampiro. Muito embora privilegiasse, entre os escritores clássicos e mais ortodoxos, as obras de S. S. van Dine. Com os anos, no entanto, fui-me tornando mais exigente, e fui excluindo das compras os livros policiais de Leslie Charteris (1907-1993), Mickey Spillane (1918-2006) e do inglês Peter Cheyney (1896-1951). Em todos eles, de uma forma geral, a intriga e mistério eram residuais, e a pancadaria predominava. Daí que, ainda hoje, dos poucos volumes que me faltam para completar a Colecção Vampiro, a maioria são dos três autores acima referidos.
Mas, em boa verdade, tenho de confessar que, na adolescência, vi e gostava de ver filmes "policiais" protagonizados por Eddie Constantine (1917-1993) que, invariavelmente, desempenhava o papel de Lemmy Caution, agente do FBI e herói de grande parte das obras de Peter Cheyney (para fazer ideia do ambiente, aconselho a visão do pequeno vídeo, abaixo...).
Por vezes, no entanto, há que dar uma segunda oportunidade a um escritor. Ontem e por desfastio, peguei no "Bahama Negra" (Vampiro nº 187) e comecei a lê-lo. Inesperadamente, vou na página 63 e estou a gostar. E, até aí, já houve um crime, há mistério, e ainda não houve nenhuma cena de pancadaria...

P. S. : chamo a atenção para a bela capa de Lima de Freitas.



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Para quem ainda tivesse dúvidas


Também na Inglaterra, Georges Simenon é considerado um clássico. O anúncio é do último TLS. E esta nova ronda de traduções da Penguin, inicia-se pelo que foi o nº 145, da Vampiro, em Portugal, com o título "Pietr, o Letão".

sábado, 1 de setembro de 2012

Geminando, para MR


Por vezes, perante a tradução portuguesa de um título, torna-se difícil localizar o original. Não será o caso deste Maigret, "Le Chien Jaune", a que o tradutor (J. Lima da Costa) apenas acrescentou o celebérrimo nome do inspector criado por Georges Simenon, por razões apelativas, com certeza.
No Prosimetron, MR abordou, desenvolvidamente, esta obra de 1931, hoje. Como não vem a iconografia deste nº 529, da colecção Vampiro, aqui fica, em geminação cordial. A capa é de A. Pedro. O volume policial, em português, foi editado em 1991.

sábado, 17 de março de 2012

Ele há horas felizes!...


Roubei o título deste poste a um estribilho dos cauteleiros que vendiam lotaria pela ruas e nos cafés, para tentar eventuais fregueses à compra de jogo. Já há muito que não ouço este grito aliciador, até porque, hoje em dia, os cauteleiros já são poucos. Mas, se o estribilho era apenas uma hipótese remota de sorte grande para o comprador, o título usado aqui, por mim, é num sentido afirmativo.
Estes pequenos magazines, na imagem, eram uma espécie de irmãos mais novos e mais pequenos da Colecção Vampiro, da Livros do Brasil , que começou a ser editada no final dos anos 40 do século passado. O Vampiro magazine começou a publicar-se pouco depois. De Março de 1950 é o primeiro número e tem, portanto, 62 anos de idade. Creio que se publicaram cerca de 30 números. Ainda comprei, no Porto, na minha adolescência, uns cinco ou seis exemplares diferentes. Novos, custavam Esc. 5$00, mas usados ficavam mais baratos, e apareciam, pouco, em quiosques-tabacarias que os vendiam em segunda mão. Mas, depois e em Lisboa, nunca mais vi nenhum à venda.
Eram apetecíveis pelo grafismo sugestivo das capas, de Cândido da Costa Pinto, que denotava alguma influência surrealista, mas também bom gosto estético. O conteúdo, com algumas traduções probas de Victor Palla, era muito informativo e diversificado. Os Vampiro magazines começavam por dar, em cada número, uma resenha biográfica e bibliográfica dos escritores policiais mais em voga ( Ellery Queen, Carter Dickson, Agatha Christie, S. S. van Dine, Dorothy Sayers, Georges Simenon...). Incluíam 5 a 6 contos policiais, traduzidos por Victor Palla. E ainda publicavam mistérios-problemas detectivescos, para os leitores resolverem, além de notícias várias e curiosidades sobre a temática.

Pois há dias, numa "hora feliz", e em Campo de Ourique, num pequeno alfarrabista, deparei-me com cerca de duas dezenas de Vampiros magazines, em óptimo estado e a preço convidativo. Comprei treze e, pela quantidade, fizeram-me desconto: paguei 12,00 euros, por todos. Ele há horas felizes!...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ruth Rendell



Nunca gostei dos policiais escritos pelo agora agente da cultura F. J. Viegas. Dou de barato que sou um ortodoxo em relação a romances policiais, mas ninguém poderá dizer que sou insensível a uma prosa enxuta e objectiva, seja ela da melhor tradição inglesa, ou numa tradução, limpa, portuguesa que, afora as gralhas ( as editoras, agora, poupam sempre na revisão), faça sentido e onde se note a qualidade original e a marca de um bom escritor.
Neste início de ano, ando ainda às voltas com a literatura dita policial: na berlinda, o nº 483 ("A sleeping life") da Colecção Vampiro, Enigma na Escuridão, de Ruth Rendell (1930), considerada uma das melhores escritoras de policiais, da sua geração. Até estou de acordo quanto à qualidade da sua escrita. Ora atente-se neste bem interessante bom naco de prosa (em tradução de Raul Sousa Machado):
"...A idosa senhora estava rodeada de preparativos para o almoço da família. No chão, a um lado da poltrona, estava uma panela cheia de batatas mergulhadas em água, e as cascas, também imersas, jaziam noutra panela próxima. Quatro maçãs próprias para assar esperavam os seus cuidados. Numa travessa estava uma boa dose de massa para bolos, já misturada e batida. Aparentemente, era deste modo que a mulher, apesar da sua idade vetusta, contribuía para as lides caseiras. Wexford lembrou-se de Parker ter dito que a avó era um espanto, e agora começava a compreender porquê.
Durante uns momentos ela não lhe deu atenção, servindo-se porventura dos privilégios do seu estatuto matriarcal. Stella Parker deixou-os a sós e fechou a porta. A velha senhora abriu ao meio a última das vagens, um exemplar enorme, e disse-lhe, como se fossem velhos conhecidos:
- Quando eu era rapariga, costumava dizer-se que se se encontrarem nove ervilhas numa vagem e as pusermos sobre a porta de entrada, o primeiro homem a passar será o nosso único e verdadeiro amor.
Dito isto, atirou com as nove ervilhas para dentro da malga e limpou os dedos esverdeados ao avental. ..."

sábado, 23 de julho de 2011

Raymond Chandler


Raymond Chandler, nascido nos Estados Unidos a 22 de Julho de 1888, é ainda hoje considerado uma referência do romance negro ou policial. Mas começou a escrever tarde, aos 51 anos, iniciou-se com "The Big Sleep". Acontece que Chandler, pouco antes executivo superior de uma companhia petrolífera, fora despedido por alcoolismo e pelas imensas faltas que dava. Dedicou-se, então, a escrever contos e romances policiais. Até à sua morte, em 26 de Março de 1959, escreveu 7 romances policiais (todos traduzidos na Colecção Vampiro: 101, 118, 135, 147, 155, 164 e 213), vários contos publicados em "pulp magazines", e diversos argumentos cinematográficos em parceria com William Wilder. Dos livros em imagem, refira-se que "O Imenso Adeus" ("The Long Goodbye"), nº 101 da Colecção Vampiro, foi traduzido por Mário Henrique Leiria, com capa de Cândido Costa Pinto. O segundo, com capa de Lima de Freitas, tem o número 135, na mesma colecção. O protagonista principal dos romances de Raymond Chandler é o detective Philip Marlowe.