
Somerset Maugham, inglês, formado em medicina, mas conhecido sobretudo como escritor e dramaturgo, nasceu a 25 de Janeiro de 1874. Foi um escritor de referência, na minha juventude. O primeiro livro que li dele, "The Moon and six-pence" ( "Um gosto e três vinténs", traduzido na Colecção Miniatura, nº 49), em parte baseado na vida de Gauguin, deixou-me uma impressão tão agradável que fui comprando, ao longo do tempo, todos os livros que podia, de Maugham. Esse primeiro livro, que li aos 14 anos, foi-me recomendado por um professor de Inglês, no liceu, de nome Fabião, e que mais tarde vim a reencontrar, na Faculdade de Letras de Lisboa, como professor de holandês. Na Faculdade, também, havia uma obra de Somerset Maugham, de leitura obrigatória - não me recordo é do título. Para lá das peças de teatro, contos e romances, Maugham escreveu ainda livros de reflexões e memórias: "Points of view", "The Summing-Up", entre outros. Deste último, que é uma espécie de balanço da sua actividade de escritor, passo a traduzir o início do capítulo XLVI, da edição da Penguin Books de 1963 (pg. 116):
"Sou escritor, como poderia ter sido médico ou advogado. É uma profissão tão agradável que não surpreende que um vasto número de pessoas a tenha seguido, mesmo que não tenham especiais qualificações para a exercer. É excitante e variada. O escritor é livre de escrever onde quer que seja e na altura que escolher; pode permitir-se preguiçar se se sentir adoentado ou com falta de inspiração. Mas é também uma profissão que tem desvantagens. Uma delas é que, embora o mundo todo e cada homem nele, e todos os pontos de vista e acontecimentos sejam a sua matéria-prima, o escritor só poderá abordar aquilo que corresponde a uma secreta primavera que está nele. A mina é incalculavelmente rica, mas cada um de nós apenas pode retirar uma pequena parte desse minério. Por isso, no meio da fartura, o escritor pode morrer de fome. ..."