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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Há coisas que não têm preço...



De mão gentil e via CTT, acabei de receber o último (nº 170) e único volume da colecção Miniatura que me faltava, vindo do Norte. Durante anos pensei, erradamente, que a série contava apenas 169 livros.
Este volume, com capa de Infante do Carmo, tem contos de grandes escritores, para além de Oscar Wilde: Shaw, Virginia Woolf, T. Hardy, Forster...
O meu agradecimento reconhecido, a quem de direito. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Adenda

 

A leitura prolongada, no tempo, dos Bloc-notes de François Mauriac (1885-1970) fez-me reunir os livros do romancista francês, a ver os que me faltariam. De parte, ficaram os 5 pequenos volumes da colecção Miniatura, que tenho completa e em estante própria. São os números 50, 61, 81, 95 e 109.



Todos eles com lindas capas executadas por Bernardo Marques para esta série da editora Livros do Brasil. A estética apurada do seu traço motivou-me para lembrar, por imagem, como eram cuidadas muitas das capas de antigamente. E o apurado sentido estético de alguns gráficos portugueses.




segunda-feira, 11 de maio de 2020

A sorte dos livros


Há livros que, após um sucesso retumbante, se apagam para sempre na obscuridade e no esquecimento. Não terá sido o caso de La Peste, de Albert Camus (1913-1960), que ainda é hoje um dos top-ten da Gallimard, a seguir a Le Petit Prince, de Antoine de Saint-Exupéry e de L'Étranger, do mesmo Camus.
Publicado em 1947, La Peste vendeu 22.000 exemplares na primeira semana e 100.000 até ao final desse ano. E embora a crítica literária não lhe tenha sido muito favorável, bem como o autor que o considerava um livro falhado, o público leitor excedeu as expectativas de compras, na época.
Integrada na Colecção Miniatura (nº 55), com capa de Bernardo Marques, a obra foi editada, em Portugal, em finais dos anos 50, e reeditada recentemente. E embora só obliquamente o tema se possa associar à peste bubónica ou a uma pandemia, dado que o texto é uma metáfora sobre o nazismo, a Itália e a França, países europeus mais atingidos pelo Covid-19, apressaram-se também a reimprimir  o livro...
Assim ressurgiu A Peste.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Mauriac


O título desta obra de François Mauriac (1885-1970) serviu-me muitas vezes para classificar, sucinto, figuras excessivamente dogmáticas, com alguma ironia; e, outras, para apelidar comportamentos demasiado puritanos. Quarta-feira passada, porém, na nossa habitual tertúlia cordial da semana, o livro veio à mesa na voz de H. N., que o recomeçara a reler, por mero acaso, no meio de uma entediante função de vigilância, rural, de que a família o tinha investido, por rigoroso e sabedor.
O romance de Mauriac logo se lhe impusera pela qualidade narrativa, sobretudo em cotejo com o que vai aparecendo por aí... Vieram-me à memória, por associação, os densos ambientes das minhas leituras passadas dos livros do romancista católico e francês, mas também a obra de Graham Greene (1904-1991) que tinha a mesma confissão religiosa, mas cenários geográficos mais alargados de configuração romanesca. Creio que não é apenas, por cronologia, mas Mauriac está mais esquecido.
Injustamente, creio. Se o inglês Graham Greene, pelos vários continentes, instala no Homem um inato pecado original ou sentimento de culpa que ele carrega inexoravelmente, talvez sem lhe saber a causa, Mauriac é sobre a Mulher que se debruça, quase sempre. Provinciana e prepotente, dominadora e malsã. Manipuladora de famílias e sentimentos num perímetro que se situa, com frequência, em redor de Bordéus. Como se essa geografia trouxesse consigo a raiz do Mal, como marca de um destino fatal.

para H. N., com as melhores lembranças.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Em sequência de Simenon, e apoio iconográfico do poste anterior


Há tendência um pouco generalizada para esquecer os roman durs de Georges Simenon (1903-1989), em benefício dos extraordinariamente populares, ainda hoje, Maigret. É entendível e fácil de perceber.
Se os polar do escritor belga estão praticamente todos traduzidos na colecção Vampiro (73 volumes) e pela Bertrand (49 livros), dos durs, só uma pequena parte foi vertida para português.
Também a Bertrand publicou alguns e na colecção Miniatura se podem encontrar (hoje, só nos alfarrabistas, claro!...) quatro títulos (n.º 42, 83, 89 e 107), que aqui vão em imagem.
Agora reparem nas magníficas capas de Bernardo Marques (1898-1962) e comparem com a indigência estética que capeia grande parte dos livros que, hoje, se publicam em Portugal...


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pequena história (31)


Tendo, ambos os livros, um cenário natural poderoso, e Blaise Cendrars (1887-1961) ter sido tradutor, para francês, de Ferreira de Castro (1898-1974), sempre pensei, até há pouco tempo, que "A Selva" (1930) tivesse sido escrito antes de "L'Or" (1925). Estava enganado. Esta ideia radicava, fundamentalmente, em eu saber que Cendrars tinha feito uma excelente tradução da obra-prima do escritor português, em 1938, para a Grasset. De tal modo a versão era primorosa que, com a sua crua mordacidade habitual, Almada Negreiros teria dito, ao ler a tradução de Cendrars, que seria óptimo que um bom tradutor pusesse em português a versão do escritor suiço, naturalizado francês... Um exagero, de facto!
Quer "O Ouro", de Blaise Cendrars, quer "A Selva", de Ferreira de Castro, são momentos altos da literatura universal.

Nota: o livrinho, em imagem, é o número 71 da Colecção Miniatura, traduzido por Freitas Leça (Mécia de Sena?), com capa de Bernardo Marques. O retrato de Blaise Cendrars é, visivelmente, de Modigliani.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Camusiana : original e traduções


Dificilmente, algum autor estrangeiro, neste caso francês, terá tido maior influência nas gerações portuguesas que liam e que perfizeram os vintes anos, na década de 60 do século passado. O seu lado solar, a sua generosidade e solidariedade militante, bem como o seu empenhamento nas grandes questões do tempo, fizeram de Albert Camus (1913-1960) uma referência incontornável.
A Livros do Brasil editou-lhe praticamente toda a obra de ficção e teatro, e até os célebres "Cadernos" memorialísticos e de reflexão, na conhecida colecção Miniatura. Outras editoras portuguesas publicaram, praticamente, todos os restantes livros. Creio que a única obra que não chegou a ser traduzida para português, terá sido este L'Été (1954), que aparece na imagem, na sua edição original.
Aqui fica uma pequena iconografia bibliográfica para celebrar o centenário do nascimento de Albert Camus.

Nota: as capas da Miniatura são da autoria de Bernardo Marques.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Vestir os Livros


Exibicionistas ou paupérrimas, berrantes ou banalíssimas, de uma indigência estética enorme, as capas dos livros portugueses perderam toda a beleza que os revestiu, quase sempre, no século XX. De Alberto de Souza a Sebastião Rodrigues, do clássico Bernardo Marques ao inovador Victor Palla, os nossos livros eram revestidos de capas lindíssimas e atraentes. Por onde andarão os grafistas e capistas portugueses de qualidade, hoje em dia? Creio que se poderão contar pelos dedos de uma mão, com boa vontade, os herdeiros dos magníficos antepassados, porque não lhes merecem o nome de sucessores...
Neste Dia Internacional do Livro e dos Direitos de Autor, foi este o tema que escolhi para o celebrar. Reproduzindo, com desenhos de Bernardo Marques, as capas de 4 dos primeiros volumes da original colecção Miniatura, da Editora Livros do Brasil, que ainda hoje dá gosto manusear. Porque foram lindamente vestidos, com creatividade e beleza.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Virgínia Woolf

Correndo embora o risco, pela quase sucessão dos últimos postes, de o Arpose parecer excessivamente british, não queria deixar de lembrar Virginia Woolf (1882-1941), cujo aniversário de nascimento (25/1) passa hoje.
Faço-o com as imagens do seu retrato pintado pela irmã, Vanessa Bell, e da capa da sua obra que prefiro: "Orlando - A Biography", traduzido, para a Colecção Miniatura (nº 136), exemplarmente, por Cecília Meireles. A escritora brasileira fez também uma pequena introdução que antecede o prefácio de Virginia Woolf. A quem não conheça, recomendo.

Somerset Maugham : "uma secreta primavera"


Somerset Maugham, inglês, formado em medicina, mas conhecido sobretudo como escritor e dramaturgo, nasceu a 25 de Janeiro de 1874. Foi um escritor de referência, na minha juventude. O primeiro livro que li dele, "The Moon and six-pence" ( "Um gosto e três vinténs", traduzido na Colecção Miniatura, nº 49), em parte baseado na vida de Gauguin, deixou-me uma impressão tão agradável que fui comprando, ao longo do tempo, todos os livros que podia, de Maugham. Esse primeiro livro, que li aos 14 anos, foi-me recomendado por um professor de Inglês, no liceu, de nome Fabião, e que mais tarde vim a reencontrar, na Faculdade de Letras de Lisboa, como professor de holandês. Na Faculdade, também, havia uma obra de Somerset Maugham, de leitura obrigatória - não me recordo é do título. Para lá das peças de teatro, contos e romances, Maugham escreveu ainda livros de reflexões e memórias: "Points of view", "The Summing-Up", entre outros. Deste último, que é uma espécie de balanço da sua actividade de escritor, passo a traduzir o início do capítulo XLVI, da edição da Penguin Books de 1963 (pg. 116):
"Sou escritor, como poderia ter sido médico ou advogado. É uma profissão tão agradável que não surpreende que um vasto número de pessoas a tenha seguido, mesmo que não tenham especiais qualificações para a exercer. É excitante e variada. O escritor é livre de escrever onde quer que seja e na altura que escolher; pode permitir-se preguiçar se se sentir adoentado ou com falta de inspiração. Mas é também uma profissão que tem desvantagens. Uma delas é que, embora o mundo todo e cada homem nele, e todos os pontos de vista e acontecimentos sejam a sua matéria-prima, o escritor só poderá abordar aquilo que corresponde a uma secreta primavera que está nele. A mina é incalculavelmente rica, mas cada um de nós apenas pode retirar uma pequena parte desse minério. Por isso, no meio da fartura, o escritor pode morrer de fome. ..."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Referências : James Hilton



James Hilton, que morreu a 20 de Dezembro de 1954, foi um autor de referência, em toda a minha juventude. Ainda hoje estimo este escritor, pela sua forma simples e sensível de narrar. Nascido na Inglaterra, em 1900, depois fixou-se nos Estados Unidos, onde veio a falecer. Foi também argumentista de filmes, fora os seus romances de sucesso que passaram ao cinema.
Uma boa parte da sua obra, traduzida em português, integra a antiga colecção Miniatura, da editora Livros do Brasil:
- "E agora adeus" (And now good-bye -1931)- nº22 da Colecção.
- "Adeus, Mr. Chipps" (Good-bye, Mr. Chips -1934)- nº10, traduzido por Érico Veríssimo.
- "Horizonte Perdido" (Lost Horizon -1933)- na mesma colecção, com o nº4.
- "Não estamos sós" (We are not alone -1937)- nº16 da Miniatura.
James Hilton que, em "Lost Horizon", cunhou pela primeira vez a palavra Shangri-La (que passou a identificar-se com Utopia), escreveu ainda, em 1931, um romance policial, incluído na Colecção Vampiro com o número 50, cujo título foi traduzido para "Acidente ou crime?"
Nota: as capas dos livros, em imagem, são da autoria de Bernardo Marques.