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sexta-feira, 12 de junho de 2026

David Hockney (1937-2026)



Era um dos meus 3 ou 4 pintores vivos preferidos. Refiro-me a David Hockney que faleceu ontem, aos 88 anos. Tivemos o privilégio, HMJ e eu, de visitarmos uma magnífica exposição do notável pintor inglês na cidade de Colónia (Alemanha), no ano de 2012.




domingo, 6 de fevereiro de 2022

Apontamento 143: A História de um Rótulo

 


A garrafa, reproduzida acima, terá sido comprada em 2014 ou 2015 em Colónia no supermercado de um grande armazém, tipo El Corte Inglês. O rótulo parece único e especialmente criado, por Andreas Ganther, com motivos e o dialecto colonienses, para a apresentação do vinho em Colónia.

A História de um Rótulo – [Ideia/Conceito: Andreas Ganther/Thorsten Kiss/Marcel  Rahmati]

Vinho: Fabelhaft [Fabuloso] – Douro – Tinto – 2013

Rótulo 1

Rótulo 2

Rótulo 3

Rótulo 4

Rótulo 5

 


 

 





 

 





 

1 – A Constituição de Colónia

1 – Tudo na mesma

1 – O que há de ser

1 – Sempre correu bem

1 – O que acabou, acabou

2 – Nada continua como dantes

2 – [Fabuloso]

2 - [Fabuloso]

2 – Não conhecemos, não precisamos, lixo

2 – Que fazer ?

3 – Fica bem, mas cuidado

3 – Que conversa parva

3 – Queres beber um copo ?

3 – Partes o coco a rir

3 – Ficha técnica do vinho

 

Nota – As Figuras da História são as conhecidas figuras Tünnes e Schäl o [António, o apalermado e o vesgo], falando no dialecto de Colónia, usando máximas muito populares

O vinho foi comprado, há anos em Colónia, num grande supermercado que tinha os vinhos de Dirk Niepoort em promoção, com a presença do próprio.

Post de HMJ

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Idiotismos 46


Em finais dos anos 80 do século passado, tive ocasião de visitar no Gürzenich, em Colónia, uma magnífica exposição-venda de Livros Antigos, com inúmeras bancas de conhecidos alfarrabistas europeus e norte-americanos, principalmente. Do catálogo luxuoso, que pude consultar, constava apenas um livro português: Arte da Cavallaria de gineta, e estardiota, bom primor de ferrar & alveitaria... (1678), obra de António Galvão de Andrade (1613?-1689). O volume, obra-prima da impressão portuguesa, e em muito bom estado, estava precificado a 1.100 marcos alemães. Ainda hoje sai muito caro em Portugal, quer em leilões de livros, quer nos alfarrabistas.


Do longo título do volume, sobressai o termo estardiota (ou estradiota) que eu já conhecia e sempre achei exótico. Palavra que traduz uma forma própria e clássica de montar das senhoras, de lado. Hoje, creio que raramente se usa e as modernas amazonas cavalgam exactamente como os homens, com cada perna para o seu lado.
Alguns dicionários registam o termo como sendo: "arte de montar firmando-se o cavaleiro nos estribos e estendendo as pernas." Há quem anote o significado de soldado mercenário albanês, e quem dê a palavra como proveniente do italiano stradiotto (soldado).


Creio, no entanto, que cavalgar à estardiota era apanágio e privilégio de damas nobres e rainhas, que assim se faziam representar, mais femininas, compostas, e dignamente. Como a rainha Victória, em Balmoral, neste quadro de Charles Burton Barber, de 1876.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Recuperado de um moleskine (32)


Nos últimos dias, impetuosamente, o Reno subiu mais 6,80 metros e o Mosela, ultrapassando-o, 9. As águas já lambem as bermas das estradas, por causa das chuvas diluvianas oriundas da Floresta Negra. Nascem pequenas ilhas irreais, aqui e ali. E a viagem, pela marginal, até parece fazer-se de barco.
Três pombas, um corvo, duas rolas nervosas e uma pêga terão sobrado da arca e procuram um lugar seco onde pousar... Um homem, no caiaque, tenta contrariar a corrente do Reno, com gestos aflitivos ou, pelo menos, desordenados. Só um grupo de patos selvagens assume, em tudo isto, uma postura  calma e quase normal.
Como eu, depois, dentro do metropolitano aquecido me encaminho, já tranquilo, para Colónia.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Um museu à medida de Koblenz


Sem a riqueza do acervo do Museu Ludwig, de Colónia, o Mittellrhein-Museum de Koblenz integra, desde 2013, no centro da cidade e em edifício arejado e condigno, esteticamente bonito, vários focos museológicos, até essa data dispersos pela urbe renana. Variados segmentos, que compreendem a arqueologia, arte sacra, com um interessante grupo estatuário de madonas sorridentes, bem como um acervo pequeno, mas significativo de pintura antiga, de que eu destacaria um pequeno quadro representando Santa Ana, a Virgem e o Menino, de autor desconhecido, do início do século XVI;



muito próximo, se pode apreciar, do flamengo Lucas van Valckenborch (1535-1597), uma Torre de Babel (1585), finamente executada, apesar de nos lembrar outras obras da nesma época, sobre o mesmo tema, de outros pintores, embora talvez menos conseguidas.



O retrato está abundantemente representado, por obras de pintores regionais, menos conhecidos, alguns dos quais muito sugestivos na sua expressividade humana. O Mittellrhein-Museum tem também um acervo interessante de pintura moderna e contemporanea que integra, entre outras, pinturas de Munch e Nolde.
E quero por aqui arquivar, por gosto pessoal, uma pequena paisagem fluvial de Turner, de 1842, que muito me agradou e surpreendeu.



Ora, foi assim que gastamos, culturalmente, a nossa Quinta-feira, matinal, com prazer e proveito, em Koblenz, sem Sol, mas também sem que a chuva nos incomodasse.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Esquecimentos e omissões


Das ex-colónias portuguesas, tirando, eventualmente, o dito Estado da Índia (Goa, Damão e Diu) - que, da Índia, têm vindo vários visitantes ao Arpose - só faltava que alguém de Timor viesse ao Blogue. Aconteceu hoje, às 5h34, e o visitante dirigiu-se a um poste antigo de 8/3/2012, intitulado Lembrar Ruy Cinatti (1915-1986), poeta esquecido que tanto amou Timor. Alguém, por lá, o terá recordado.
Similarmente, ontem (hoje), no blogue amigo Prosimetron, JAD evocou o historiador Oliveira Marques (1933-2007). Assim se vai tentando alimentar a memória dos vivos, com a lembrança dos mortos queridos. Mas, penso, que é uma tarefa inglória neste nosso tempo de glórias efémeras e memórias curtas. Em que incensámos ontem o que amanhã sepultamos, para eleger um novo ídolo.
No entretanto, as Academias vão lembrando, burocraticamente, os seus maiores, como lhes compete, mas estas evocações ficam restritas às suas instalações geográficas e não chegam ao povo, nem às gentes das ruas. Como nos cemitérios, as inscrições biográficas e afectuosamente saudosas vão sendo delidas, nas lápides votivas, pelo bater inclemente do Sol, diariamente. Até que já não podem ser decifradas, pelas omissões das letras.
Quantos poetas, quantos historiadores, quantos escritores, quantos nomes ilustres se foram apagando, no tempo!...
( Por isso, não foi sem algum cepticismo e alguma melancolia, que eu fui escrevendo estas palavras.)

domingo, 2 de outubro de 2016

Uma fotografia, de vez em quando (87)


O Museu Käthe Kollwitz, em Colónia, sendo relativamente pequeno, é muito agradável, bem projectado e rico de conteúdo quer pela obra gráfica, quer pela escultura e pintura que acolhe, da artista alemã homónima.
Presentemente, inaugurou no seu espaço uma mostra da obra fotográfica de Annelise Kretschmer (1903-1987), artista que integrou o movimento Neue Sachlichkeit (Nova Objectividade), tendo sido uma das mulheres pioneiras a gerir o seu próprio  estúdio, em Dortmund, com 26 anos apenas.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Apontamento 91: Cidades e Ambiente



Quando pensamos em diversos assuntos que nos apoquentam, tanto do ponto de vista dos princípios como nas suas implicações, frequentemente negativas, na vivência quotidiana, vale a pena não recusar a opção anterior de um determinado modelo de cidade. Em cima, uma praça no centro de Colónia, dedicada a Friederich Ebert, que se transformou, como se vê abaixo, num amontoado de pedra.



Recentemente, a praça do Toural, em Guimarães, sofreu uma remodelação semelhante. Tiraram o velho jardim, tão característico, embora datado, das cidades portuguesas, para implantar um “descampado” de pedra.

Servem os dois exemplos para não nos desviarmos do essencial. O mal de “ensaiar” a “Cidade do Futuro”, com arranjos duvidosos, não é nacional. Como não é o desvio de tempo e dinheiro nas obras públicas, como demonstra a “obra de Stª Engrácia” do novo aeroporto de Berlim.

No meio, sobra-nos sempre o dia-a-dia, em que o “arranjo” ao acaso, sem atender a questões elementares de um bom ambiente cívico – e civilizado – nos estraga a luz e a vista da cidade.

Comecei o dia bem, passeando por um bairro junto do Palácio dos Coruchéus e o jardim do Campo Grande.


 Acabei, e mal, na Baixa, com aquele enxame de turistas de chinelo, a olhar parvamente para umas foleirices – visuais e sonoras – sem que haja entidade que fiscalize e oriente a ocupação do espaço público por semelhante menoridade.

O mesmo sucede com a instalação de uma cadeia de “fast food”, conspurcando não só com publicidade as escadas do Metro como também as ruas com o lixo espalhado pelo chão.



E tal como os meninos, mal ensinados nas pretensas aulas de Ambiente, continuam a deitar todo o lixo no chão, o Mc Donald’s do Chiado não tem caixote do lixo dentro da loja e alega que a Câmara Municipal de Lisboa não permite colocar recipientes à saída.


Bastava recuar um bocado para recuperar a noção de educação cívica e civilizada para tornar o dia-a-dia mais agradável.

Post de HMJ, para maria franco, numa partilha de preocupação cívica e ambiental

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Ver melhor


Quando eu era pequenino, lembro-me que praticamente só usava óculos de sol, na praia.
A meio da minha idade, alguém que vivera em África, onde eu nunca estivera, ensinou-me duas coisas: que os nativos raramente dispensavam o uso desse adereço, mesmo que chovesse; e que um negro de cabelos brancos era, forçosamente, muito velho - duas coisas que nunca mais esqueci. 
Com o tempo e a globalização, habituei-me a ver excessivamente as pessoas mais diversas a usarem óculos de sol, estivesse o tempo que estivesse. E dava-me a pensar comigo: devem ver o mundo ainda mais negro do que ele é, na realidade... Mas, por outro lado, dizia: isto é óptimo para as lojas de óptica! E para os ciganos que os vendem pela rua, contrafeitos.
Ora, logo pela manhãzinha, HMJ contou-me uma história divertida, que me pôs bem disposto. Como Lisboa, e embora há muito mais tempo, Colónia (Alemanha) tem muitos turistas. Que se dirigem, invariavelmente, para ver a Catedral, como, na capital portuguesa, têm de, obrigatoriamente, viajar no eléctrico 28 ou subir, em rebanho acarneirado, ao elevador de Sta. Justa. Todos lêem pela mesma cartilha, acefalamente. Quantos deles irão, em contrapartida, ao MNAA? Porque ao Museu dos Coches vão eles: reza da cartilha globalizante...
Pois bem, o Deão da Catedral de Colónia estava a receber muitas reclamações de turistas, sempre pelo mesmo motivo: que a Catedral estava muito mal iluminada. O Deão acabou por responder-lhes, em entrevista: "Quando entrarem na Catedral, tirem os óculos escuros!" 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Apontamento 67: 8 de Maio de 1945




A data assinala a capitulação do exército alemão e o fim da 2ª Guerra Mundial. A foto mostra a destruição de Colónia, cidade quase fantasma já que uma parte considerável dos habitantes tinha fugido, dos ca. de 770.000 restavam, no final da guerra, uns 40.000.

Post de HMJ

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Urbano, sobre Colónia e os alemães


Aqui há muitos anos atrás, para os portugueses, ultrapassar os Pirinéus, era quase uma aventura. Económica e politicamente. Hoje, outros destinos exóticos estão acessíveis (Coreia do Norte, Islândia...) e até dão livros, que se vendem bem. Nos anos 50 portugueses, objectivos europeus e mais modestos, eram também, como experiências, narrados por Natália Correia, Agustina, Ilse Losa e tantos outros escritores lusitanos. Está neste caso o volume Jornadas na Europa, de Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013), saído em 1958 (Publicações Europa-América), que fala assim da Alemanha:
"...Em Colónia, uma vez instalada estratègicamente a caravana, à hora do lanche, num luxuoso salão de chá, sobre um belvedere, de onde víamos a Catedral, as pontes e os cais do Reno, recomeçaram, com alta solenidade, longas e eruditas orações de boas-vindas. Tudo na nossa viagem se anunciava cronométrica, sèriamente organizado. Radicava-se no meu espírito a ideia de que o alemão não concebe a importância de perder tempo, meio indirecto de compreensão, nem a alegria pura da vagabundagem.
Escutando sucessivos discursos de hospitaleiros burgomestres, logo traduzidos em inglês e algumas vezes também em francês, foi-se-me tornado patente que o povo alemão necessita de fazer seja o que for sempre em função de alguma coisa, ainda que abstracta. Por isso compartimenta a vida e organiza tudo escrupulosamente: o método e o motivo são-lhe imprescindíveis, têm para ele como que um valor dignificante, na ciência, na economia ou mesmo no turismo. Daí a ausência de ironia que o torna vulnerável à nossa malícia. Não desconfiam, são criaturas inteiras, apaixonadas e violentamente submissas, executam todos os ritos com ingénua veemência. Daí, também, a sua força e o seu lirismo. ..." (pg. 74)

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Interlúdio 44


Porque duas amigas nossas vão, hoje, ao Hänneschen Theater (Teatro de Bonifrates), em Colónia, lembrei-me de colocar uma pequena amostra, para se ter uma ideia das suas representações. O Teatro remonta a 1926 e, tradicionalmente, os textos são ditos em Kölsch (dialecto de Colónia). Duas das figuras omnipresentes são: o Hänneschen (Joãozinho) e a Bärbelchen (Barbarazinha), que se podem ver, à direita, no pequeno vídeo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Pinacoteca Pessoal 46 : 2 escolhas do Museu Ludwig (Colónia)


Houve tempo em que não resistia a comprar livros com reproduções das obras dos meus pintores preferidos: Dürer, Botticelli, Van Gogh, Renoir, Modigliani, Dufy, Soutine... Mas cheguei à conclusão que, uma vez lido, raramente voltava a pegar no livro; a não ser, uma vez ou outra, para relembrar algum quadro específico, por algum motivo muito especial.
Por isso, comecei a evitar estas tentações, até porque os livros de arte, devido às reproduções a cores são, normalmente, caros. Contento-me, nos últimos tempos, em fazer uma escolha criteriosa de postais, das obras que mais gostei de ver, num museu ou numa exposição. Da última visita que fiz ao Museu Ludwig, de Colónia, trouxe 3 postais, de que deixo dois na imagem deste poste.
O quadro "Menina Espanhola" (1927), de Georg Grosz (1893-1959), e "Duas Raparigas a vestirem-se" pintado, em 1908, por Oskar Kokoschka (1886-1980). Esta última obra faz-me lembrar, talvez pelo tema, alguns quadros de Paula Rego.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Da Janela do Aposento 25: Livros, Livreiros e Editores


O assunto em epígrafe tem sido matéria de muitas conversas com amigos, olhando não só para o panorama nacional como em comparações com o Centro da Europa, nomeadamente a Alemanha. Quanto aos últimos, torna-se difícil, ao leitor, acompanhar as "concentrações do capital", que actua na penumbra, dificultando uma visão clara sobre a passagem de algumas editoras, nossas referências no passado, para mãos duvidosas. O livro, como produto genuíno, pouco lhes interessa, o que se vem notando pelo miserável grafismo das capas, os misérrimos títulos e conteúdos publicados, vendidos a peso em "templos de papel". Por cá, nas FNAC's, Bertrand's e quejandos e lá, sobretudo em Colónia, nas Thalia's, Meyersche, etc.
Livreiros são outra espécie em extinção. Cá, resta-nos um livreira "outrabandista", com o devido respeito, porque ela mantém a sua Livraria Escriba como antigamente. Uma verdadeira gruta de Ali-babá, num espaço pequeno. Em Colónia resiste um, Senhor do Livro, que dá pelo nome de Klaus Bittner.


Recentemente, voltei a entrar na sua livraria, apreciando as novidades e o bom gosto dos livros à venda, captando as sapientes apreciações do livreiro no aconselhamento aos clientes que o solicitem. Também foi lá que comprei o último livro de Cees Nooteboom, Cartas a Poseidon [em tradução portuguesa].


O livro de Nooteboom, feito de observações e reflexões a partir e sobre um quotidiano pessoal, resulta um pouco desigual no apelo à leitura dos seus apontamentos breves. O que surpreende é a sua ligação ao universo mitológico da antiga Grécia, como o título sugere, demonstrando a sólida formação clássica do autor.  


E o que continuo a apreciar é o gosto estético dos livros da editora Suhrkamp, receando pelo seu futuro com negócios nebulosos e desavenças dos seus accionistas e herdeiros.

Post de HMJ

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Pés frios

Voltaram as pombas e as gaivotas, em profusão matinal. E o Sol levantou-se vermelho, no horizonte, a leste. Os corvos lisboetas, não os vejo, e os estorninhos, se vierem, hão-de aparecer mais tarde, ao cair da noite. O Tejo é um espelho de cegueira, para quem o olha, na manhã bem fria, mas o rio vai liso e sem barcos, enquanto o Reno era constantemente cruzado por compridos e rasos batelões-contentores, num dinamismo comercial intenso.
Trago a lembrança da neve, caindo em flocos suaves sobre Andernach. Não a via há mais de 48 anos, mas o frio de Lisboa é bem mais difícil de suportar que o de Colónia (diz-me JAD, que é da humidade). Os meus pés gelados, até alta madrugada, apesar do édredon de penas suavíssimo, tiveram saudades das noites alemãs.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Viagens, gastronomia e emigração

Se nos apearmos na estação de metropolitano de Zülpicherplatz, desembocando no Hohenzollernring, vindo um pouco atrás, deparamos com a original, e única na especialidade, em Colónia, Livraria Gleumes. Há lá de tudo que se possa imaginar, em relação a viagens, sejam os destinos mais improváveis ou exóticos, até mesmo recônditos, os lugarejos. Até os minuciosos mapas do Exército Português lá poderemos encontrar... Convém é chegar um bom bocado antes das 18h30, porque o horário de encerramento é rigoroso, e a livraria muito bem fornecida.
Mas, às 19h00, subindo um pouco mais, pelo lado direito, mas em direcção à Clodwigplatz, aberto e já a servir jantares, o Bistro Pinot di Pinot recebe-nos gentilmente, com boas escolhas de peixe, carne e vinhos. Quem vier, nestes tempos mais próximos, há-de encontrar para atender uma espécie de Cabrita Reis, menos emproado, ou seu "clone", depois de uma cura de emagrecimento - e sem charuto, mas com aquela bem cuidada barba e bigode, muito bem aparados. É português, como 2/5 do pessoal do restaurante que, de italiano, só tem o dono venerando, alguns pratos e a magnífica garrafeira. O serviço é excelente.
Aconselho, vivamente, os filetes de Rodovalho, com molho de mostarda e salada a condizer. E, se ainda houver, recomendo um Montepulciano dos Abruzzo, de 2007, tinto, com 12,5º, que está no ponto, para uma noite fria. Poderão ter a sorte que o empregado português traga, depois do café, uma grappa destilada de Barolo, em cálice apropriado e alto, que deixe voar os eflúvios aromáticos -  uma especialidade!...
Se, à saída, o empregado luso, sósia do Cabrita Reis (emagrecido e elegante), porque reparou no SG filtro, Vos pedir, delicadamente, um cigarro português, não lho neguem. Porque ele é humano, e tem saudades. Do sol, do filho pequeno que está longe e da Figueira da Foz, neste frio de rachar, outonal, de Colónia.

Divagações 34

Quando se regressa, de longe, é preciso algum tempo e algum espaço. Para desfazer as malas. Para habituar os olhos a outra luz, para rearrumar a alma.
O silêncio ou a música podem ser o cenário necessário ou, ao menos, suficiente. Até se fecharem, de novo, as gavetas. E, de noite, voltarmos a saber o sítio exacto dos interruptores, para acender as luzes da casa.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Discos pedidos

Tem faltado música ao Arpose, ultimamente. O bicho-computador ambulante e emprestado, que tem andado comigo, näo me consegue dar música, nem sequer ouvi-la do Youtube. Mas, hoje, com os 3 graus matinais de Koblenz, a nevar já na Turíngia, e antes da última "transumancia" para Colónia, daqui a pouco, eu optaria, em contraste, por colocar:
- René Aubry - Scirocco (2 minutos e 24 segundos); ou
- Astor Piazzolla Oblivion (3 minutos e 52 segundos).
Que seria, prometidamente, o último poste teutónico que eu poria, na Alemanha. Os meus Amigos e Seguidores podem experimentar, entretanto, se assim desejarem. Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Coisas de peso


Lembro-me que, na minha já remota juventude, uma das coisas que se aconselhava a quem fosse para a tropa era: tentar passar despercebido e nunca se oferecer, como voluntário, para nada.
Ultimamente, tenho reparado que as publicações estrangeiras, quando falam da crise e dos problemas da zona euro, referem sempre a Grécia, a Espanha, às vezes, a Irlanda e a Itália, mas esquecem, sistematicamente, Portugal. E ainda bem... Porque "andar nas bocas do mundo" só faz aumentar os juros da dívida que vamos pagando aos usurários.
A Alemanha, hoje, chegou-se, uma vez mais, à frente, com 2 notícias de peso:
- nasceu um elefante no Jardim Zoológico de Colónia;
- a agência de ratos Moody's desclassificou a nota de nada menos do que 17 bancos alemães.
Já lá dizia o nosso Camões, para continuarmos em metáfora zoológica: "Perdigão perdeu a pena/ não há mal que lhe não venha..."

domingo, 8 de julho de 2012

Costumes atávicos


É uma dicotomia que, quando posta em confronto, é difícil de opção definitiva: a saúde mental, ou a saúde física. Eu próprio nunca me tinha apercebido de que, entre muitas outras coisas comuns, os judeus e os árabes praticam ambos a circuncisão. Operação que os ocidentais (homens, pelo menos, creio) encaram de forma oblíqua e incómoda.
Entretanto, o tribunal de Colónia (Alemanha) considerou que a circuncisão de uma criança devia ser considerada como "uma ferida corporal infligida, e passível de uma condenação" pela Justiça humana. Diga-se, em abono da liberdade democrática, que foi (apenas) uma interpretação meramente racional. Mas este simples acontecimento, ou facto, contribuiu para o impensável: unir, numa estreita aliança de repúdio, os árabes e os judeus, na cidade de Colónia. Oxalá continuem fraternos!
Concluiria, com ironia e a favor da Paz, que há males que vêm por bem...