Mostrar mensagens com a etiqueta Coelho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coelho. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Mercearias Finas 205

 

Não serão das mais utilizadas, na gastronomia portuguesa, as carnes de coelho e de pato, mas eu aprecio-as bastante. Um bom Coelho à Caçador, depois de passado, no tempero, por uma competente vinha de alho, pode bem ser um petisco saboroso e, quebrando a regra tradicional, eu só lhe substituo a batata cozida por frita.
Mas desta vez foi um peito de pato estufado, com umas airelas (arandos) em calda, e batatas fritas bem estaladiças, que vieram à mesa. Ultimamente, venho dando importância, no Douro, à casta Touriga Franca que era, de há muito, imprescindível no Vinho do Porto.
A casta fazia parte deste Flor das Tecedeiras 2008, que bebemos, do lote em companhia da Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão, nos seus 14º, de taninos já domados pela idade. E que estava muito bom portando-se à altura e qualidade do almoço, de há dias atrás.

domingo, 5 de abril de 2015

Uma boa Páscoa, soalheira!


Quem diz Páscoa, dirá, ou imaginará (creio): cabrito, amêndoas, folar, vinho fino, coelhos...
Pois aqui fica o nosso coelho gigantone, para desejar uma boa Páscoa, a todos os que nos visitem.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Civilidade (29)


Diz-nos o Padre João de N. Sra. da Porta Siqueira, no seu "Escola de Politica, ou Tratado Practico da Civilidade Portugueza" (Porto, 1803) que, ao convidarmos alguém, para almoçar ou jantar em nossa casa, devemos ter em atenção o gosto e preferências dos nossos convidados. É o que eu faço, normalmente, mas houve uma vez, aqui há uns anos, que me esqueci. E, logo que abri a porta, ao casal de amigos, perguntei de chofre: "Gostam de coelho?"; e ele me respondeu de imediato: "Não sei! Nunca comi..."
Fiquei petrificado, até porque o almoço já estava quase pronto, e não havia tempo para alternativas. Felizmente era um coelho bravo e, talvez por amizade ou deferência, eles comeram e não se queixaram.
Mas voltando ao Padre João, é assim que ele diz como se deve trinchar um coelho: "Fende-se desde o pescoço, correndo ao longo do espinhaço; e depois estes lombos se vão cortando às postas atravessadas para os ministrar; o mais se parte á vontade."
Este ministrar é que me deixou bastante curioso...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Comic Relief (69)


Disseram-me que era uma antevisão do Congresso do PSD. Eu acrescentaria: muito branqueada. Não sei é se os coelhos também comem nabos... Fica-me esta dúvida por resolver.

Agradecimentos cordiais a AVP.

domingo, 16 de outubro de 2011

Mercearias Finas 39 : Coelho na abóbora, tinto Douro e jerimus

O coelho era português, e manso, as abóboras de Constância e o vinho tinto duriense (d'Eça 2009), de Sabrosa, que não tendo pujança excessiva, compensava com uma elegância inesperada e acolhedora nos seus 13,5º graus aveludados, já. Marcado, absolutamente, pelo aroma e sabor inconfundíveis da Touriga Nacional - eflúvios de violeta cálida, envolvida em fumos de tabaco e chocolate. A garrafa foi toda, e quase pedia mais...


O coelho foi aconchegado e assado no forno (como manda o "Chico Elias", de Tomar), no interior de uma cucurbitácia média, mas nutrida. Para não ficar sozinho fizeram-lhe a cama e rodearam-no de aipo, cebola, um cheirinho de salsa, pequenas tiras de pimento rútilo, algumas rodelas de chouriço, três ou quatro gotas de piri-piri. No útero róseo-alaranjado da abóbora, quentinho, adormeceu - e fez-se.


Entretanto, as cabaças pequenas e mais jovens, que não chegaram a ser cantil de romeiros e peregrinos, secas, ou mera decoração de mesa, foram sofrendo tratos de polé, em vida e sumarentas, até adquirirem uma consistência de polme maleável, poroso e amarelado - daí, talvez, o nome de abóboras manteiga. Fritas se transformaram em "bolinhos de jerimu", com polvilhos leves de fino açúcar e canela. Puro esplendor divino, como manã bíblico, que se desfazia na boca.
Gastronómico domingo, digno de deuses!

A HMJ, pela confecção perfeita; a AVP, pela sábia indicação do vinho d'Eça 2009, tinto.