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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A abrir


Tocam sinos matinais, propagando-se no ar frio do primeiro dia de 2018.
O Silvester, como por aqui chamam ao último dia do ano, até contou com a Lua Cheia e o seu luar para, intermitentemente, intensificar a vista  do fogo de artifício que, das casas particulares, se foi ouvindo e vendo, até ao auge da meia-noite.
Às 11h15, está Sol, mas até já choveu um bom bocado. Para o dia primeiro de Janeiro, os 12 graus positivos, que se respiram no amplo terraco da casa, representam uma benesse inesperada do Ano Novo. Pássaros aventuram-se até aos ramos despidos das árvores, e os corvos, crocitando, vigiam do alto.
E, como do meu rifoneiro já esgotei os provérbios alusivos aos meses do ano, assim reinicio e reabro o Arpose, falando do tempo - que é sempre um tema apropriado -, neste início auspicioso de 2018, em Koblenz.
Podem ir entrando, com o pé direito...

sábado, 30 de dezembro de 2017

Cuspidor, irreverente e malandreco


Sem o impudor inocente do Manneken Pis, de Bruxelas, também Koblenz tem o seu jovem adolescente que cospe, de 3 em 3 minutos, um jacto forte e inesperado de água sobre o turista desprevenido que o contempla. Dá pelo nome de Schängelbrunnen, e situa-se na Willi-Hörter-Platz, desde 1941.
Cuidem-se!...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Os acantonamentos nacionalistas, ou o estreitamento dos horizontes (culturais)


Na Lisboa antiga dos anos 60, eu era um felizardo. Para além do acesso a uma pequena, mas bem escolhida, biblioteca da embaixada japonesa, por onde li (em ingles) várias centenas de haiku e outras poesias nipónicas, tinha na Av. Duque de Loulé, à minha vontade, várias centenas de clássicos norte-americanos, para ler, gratuitamente, no Centro Cultural estadunidense. Depois, havia uma Livraria Britanica, perto do Cais do Sodré, duas livrarias espanholas bem abastecidas, uma delas muito próxima da Almirante Reis. E ainda havia a Buchholz. Sem esquecer as grandes livrarias portuguesas que eram pródigas em livros franceses, ingleses, espanhóis e teutónicos. Na verdade, Lisboa, nessa altura, era muito mais cosmopolita (e lida), culturalmente.
Hoje, é a miséria que sabemos, apesar da FNAC, que foi encurtando o seu espólio de escolha, pouco a muito, mesmo em obras gaulesas. Fechou entretando a Portugal, a Clássica, e a Sá da Costa hoje transformada em antiquário empalhado, com livros a custos à moda do Porto, que pouco acrescenta ao panorama livreiro. Restam 2 ou 3 alfarrabistas importantes. Mas noutros países, o mesmo vai acontecendo. Aqui, por Koblenz, é impossível encontrar "L'Obs." ou o TLS, para comprar. E, quase esgotada a minha reserva de livros para ler, pedi conselho (a quem sabe) sobre uma livraria da cidade, onde eu pudesse escolher obras, em língua inglesa ou francesa. Depois de muita pausa, foi-me indicada a Reuffel, no centro de Koblenz. E lá fui.



O panorama foi desconsolador. De livros ingleses, tirando os dicionários, havia meia prateleira, e grande parte dos títulos (talvez 30)  era para consumo escolar do Liceu (Shakespeare, Huxley...). Trouxe um James Baldwin, Sonny's Blues. Os livros franceses sempre ocupavam mais comprimento, talvez duas prateleiras, e aí uns 100 títulos, quando muito. Em desespero de causa, de lá trouxe La Cache, de Christophe Boltanski. Autor para mim desconhecido, tirando o facto de ser colaborador do Libération e o livro ter recebido o Prémio Femina de 2015. Dois tiros no escuro, a bem dizer...


Parece poder concluir-se que, apesar do linguajar norte-americano globalizante e cheio de erros e abreviaturas internéticas que por aí se fala e escreve, os europeus väo lendo cada vez mais e apenas nas suas próprias línguas nacionais. Ao menos, em papel.
Patrioticamente?

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Crónica sucinta dos antecedentes


O Helmut , aperaltado e dominical, trazia o ganso num cesto, muito bem acomodado. Congelado, claro, mas que chegava quase aos 6 quilos. A Karola, varoa sólida e renana de rosto prazenteiro, era portadora das delikatessen e da alegria. Várias compotas de manufactura doméstica, bolachinhas natalícias de oferta. O casal simpático somava, entre si, século e meio de idade, mas ninguém o diria. Isto foi no Domingo, matinalmente, seriam umas 9h30.
Às 7h00 de Segunda-feira, HMJ acantonou-se ao forno, dando voltas ao bicho, de hora a hora, e aspergindo-o de molho para que mantivesse a tenrura e macieza de pele. Meia-hora antes do comer ir para a mesa, iniciou-se o arroz de miúdos, já a couve roxa estava no ponto e as herzogin kartoffeln, substituídas por batatas fritas, que vieram a meu benefício. Que os pomos de recheio, no papo do ganso, também já rescendiam, divinais. A ágape iniciou-se às 12h45.
Nada faltou. Mas ainda sobraram uns fiapos tenros da ave natalícia, que estava saborosíssima...

Em Koblenz, neste ano gracioso de 2017, a 25 de Dezembro.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Uma ilha citadina, por entre o Reno e o Mosela


Oberwerth é uma espécie de Mouchao (adicionar o til, por cima do "a"), à moda da Alemanha. Ou seja, é uma ilha, na cidade de Koblenz, no meio do Reno, já depois deste rio ter absorvido o Mosela, após o singular triangulo do Deutsches Eck, donde também se pode ver a pesada Festung (Fortaleza) do Ehrenbreitstein. Por lá dormi uma noite, na existente Pousada de Juventude, da altura, num Agosto dos meus ainda verdes anos.



Oberwerth é uma ilha fluvial tranquila, com pouco comércio, muito arborizada e com uma fauna, sobretudo aves, bastante diversificada. É uma zona residencial, por excelencia.
Quando, pela primeira vez (1963) estive no Deutsches Eck, os dois rios reunidos podiam distinguir-se, perfeitamente, pelas suas cores diferentes, ao longo do horizonte visível.
Hoje, infelizmente, tem a mesma cor. Poluida, embora pouco.

Mas será em Oberwerth que o Ganso Assado constituirá o prato forte do nosso Natal familiar, a 25/12/2017, acompanhado por um vinho tinto de Baden, de que já experimentámos a boa qualidade...
Bom Natal, a todos, seja com peru ou bacalhau!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Balancete de um Dezembro heterodoxo


Evitando convocar, para aqui, John Lennon, imagine-se:

- um céu cinzento que nada promete.
- a morrinha galega de Rosalía, que polvilha a rua e os caminhos, por onde andamos.
- 9 (ou 11) periquitos Alexandre, formando uma colónia inesperada e alacre, numa aldeia à beira Reno.
- uma jovem empregada simpática, mas indiferenciada e ignorante, num quiosque de Koblenz, que nada sabia de revistas estrangeiras, nem sequer onde estavam arrumadas, nos escaparates.
- a recordada memória de 8 gatos (Miki, o pomposo "Il Divo" - que assim lhe chamei -, o Santos...), mais a Rita, muito vivaz rafeira que veio do Brasil. E  ainda 7 porcos-espinhos, quase prontos a hibernar.
- mais o ganso assado com couve roxa, mais um Primitivo tinto, italiano, ontem à noite, servido pelo Mario, croata que mais parecia italiano, na sua loquocidade gesticulante, e que, pelo seu aspecto físico, passaria muito bem por filho de Bashar al-Assad, na sua vera imagem.
- duas ou mais grappas, de Barolo, Chardonnay, Muscat, distribuídas por estes 3 dias, para acalentar o desconforto, relativo, de longes terras, e escrevinhar com gana estas notícias renanas, que por aqui deixo.

E agora acrescentem a personagem invisível do desesperado Blogger a escrever um poste, evitando o til e outros preciosismos ortográficos lusos, que o soberano computador renano, ostensivamente, ignora...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Pai Reno

Não é da importância económica do Reno que pretendo falar, mas, sim, da ligação afectiva dos habitantes ao rio. Julgo que a epígrafe diz tudo, é o pai Reno [o Vater Rhein] para aqueles que vivem junto dele, para o bem e para o mal.
Lembrei-me, a propósito, de uma canção carnavalesca sobre o tema, evocando o Reno e as colinas cobertas de vinha.

No entanto, a força das águas e as cheias no Inverno transformam, para o bem e para o mal, o querido pai, frequentemente, em pai mauzinho [der böse Vater Rhein!]. Foi com esse título que recebi, ontem, uma foto do Reno, a subir, na antiga Confluentia dos rios Reno e Mosela.


E para os residentes de Oberwerth, um ilha no Reno até ao séc. XIX, a água pode vir dos dois lados e, eventualmente, obrigar ao abandono da casa.

Portanto, cuidado com o "pai tirano" !
Post de HMJ, para R + MG

domingo, 4 de dezembro de 2011

Coblença, cidade deserta


66 anos após o fim da Segunda Guerra foi declarado, em Coblença, o estado de emergência. A razão, como o ARPOSE já referiu, é a detecção, no Reno, de uma bomba de 250 kg, semelhante a que vemos na imagem, para além de outras mais pequenas.


Segundo informações recolhidas, a bomba tinha a capacidade de arrasar um quarteirão inteiro de uma cidade. A foto seguinte demonstra, de forma surda, mas eloquente, a destruição de Coblença durante a guerra.


Haverá, certamente, nos sete lares de idosos evacuado e no meio de 45.000 habitantes retirados das suas casas, durante o dia de hoje, pessoas que ainda se lembram da Segunda Guerra, ao vivo.
Que o dia de hoje, com os incómodos infinitamente menores e a contemplação da bomba, desactivada e já sem poder de destruição, reavive a reflexão e a clarividência política em defesa de uma Europa solidária e de paz. 


Post de HMJ

sábado, 3 de dezembro de 2011

Nem tudo são rosas, para os alemães...


Fora algumas dores de cabeça e vergonha que a Sra. Merkel provoca nos alemães mais esclarecidos e democráticos, perante as suas atitudes rígidas e rusticamente reprováveis em relação à UE, nem tudo são rosas na vida dos alemães, hoje em dia. Só dos seus rendimentos, são-lhes retirados todos os meses, 5%, por causa do contributo para tornar a ex-RDA comparável à ex-RFA, depois da Queda do Muro de Berlim. E isto, até 2020, pelo menos. Mas, depois, ainda há mais agruras inesperadas...
Nos últimos dias (alterações climáticas?), o Reno corre com caudais mínimos e obrigou a restrições no transporte fluvial. Mais: deixou a descoberto uma bomba de grandes dimensões, no rio, não activada e lançada pelos Aliados no final da II Grande Guerra, junto a Coblença. Investigações recentes, localizaram, junto a esta, uma outra bomba mais pequena, mas potencialmente mais perigosa, no fundo do Reno, também inactivada, ainda.
Assim, amanhã domingo, 4 de Dezembro, cerca de metade (45.000 habitantes) da  população de Koblenz será evacuada de suas casas para o Ehrenbreitstein, para Escolas, e Edíficios Públicos de maior dimensão, para que estas 2 bombas possam ser retiradas e desactivadas, em segurança, por entidades competentes. Não bastava a Sra. Merkel, para os alemães ainda terem de arcar com as sequelas e consequências velhas do nazismo. Nem tudo são rosas... 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ao acordar


Uns, com uma ridente Primavera, outros com um serôdio Inverno...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O tempo conforme a roupa


Em Portugal (Lisboa), uma antecipada Primavera, na Alemanha (Coblença) neva. O Norte de África: a ferro e fogo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Willkommen, Renate!


Pelo menos vais ganhar uma imprevista Primavera, e já não é pouco!... Um abraço antecipado!

domingo, 28 de novembro de 2010

Imagens de alegria


Habituado às imagens da Virgem Maria, portuguesas, de semblante carregado, hieráticas ou, no mínimo, neutras de aspecto, fiquei agradavelmente surpreendido, aqui há uns bons anos, ao ver, num museu de Coblença, várias imagens de Nª. Sra. com rosto alegre, quase divertido, e bem dispostas. Mais recentemente, o meu Amigo António mostrou-me algumas fotografias que tirara a imagens da Virgem, do séc. XIV, num museu da Catalunha, que também expressavam boa disposição.
Pergunto-me, muitas vezes, em que é que se fundamentaram os franceses para dizerem: "les portugais sont toujours gais."...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Para quem se queixa do frio...





"...Fui ver: a neve caía
do azul cinzento do céu..."
Augusto Gil (1873-1929)
P.S.: as fotografias foram tiradas em Coblença-Alemanha. Numa delas, vê-se o rio Reno .
Foram tiradas por M. J. Gschossmann.