Mostrar mensagens com a etiqueta Covas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Covas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Mercearias Finas 140 (em louvor do frango assado)


As crianças começam por afeiçoar-se a sabores neutros: água, leite, blédines, pão branco, queijo flamengo simples, manteiga... O resto, só chega com o avançar da idade.
O tempo que eu demorei a habituar-me ao vinho!... Que o prazer da Canja me veio cedo, interrompido, é certo, por um osso inesperado que se me atravessou na garganta e demorou a sair, de uma vez. E me bloqueou, preventivamente, o gosto, por alguns meses.
O queijo, já holandês, e bem curado, mostrou-me que o neutro flamengo podia ser outra coisa melhor, mais tarde, inesperadamente, numa casa improvável de Vila Verde, paroquial. Quanto a doces, comecei pelas Broas de mel da confeitaria Colonial, vimaranense. Depois chegaram os Mil-folhas poveiros.
E foi pelo Dão que me converti às virtudes especiosas do vinho.
O frango foi atravessando várias fases quase sempre apreciadas, numa altura em que o "do campo" nem precisava de certificação. Eram todos rurais e criados a milho, mas a recordação mais amorável vai para os de Covas, saboreados em expedições nocturnas aos arredores de Guimarães, depois de jogatainas de poker nas férias grandes, quando saíamos de Urgezes, em grupo esfomeado, pela noite adentro.
Voltei hoje ao frango assado, que aqui estou a celebrar. De churrasco, competente e memorável.
Acompanhado por um branco (Tejo) Conde de Vimioso (2017), que nem passou pelo frigorífico.
Simples, económico e muito saboroso. O frango, claro!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Memórias de comer fora ou as novas refeições


                           "...a cozinha nova-rica, imitação pindérica da outra, onde os ornatos disfarçam a                                     substância, os rodriguinhos mascaram a essência."
                                             José Quitério, in Livro de Bem Comer (pg. 15)

José Quitério (1942) refere ainda e bem, no livro em epígrafe, que a nossa gastronomia, afora a "Perdiz à Convento de Alcântara", pouco tem de alta cozinha mas, em compensação, é muitíssimo variada e regionalmente muito rica e criativa.
Ganapo era, mal me fora, habituado a comer bem em casa, esportular mal uns tostões em "nova cozinha", que em Portugal não havia, salutarmente, nessa altura. Havia, sim, uns churrascos, fora de portas vimaranenses, já de frangos de aviário, mas bem braseados e acompanhados, que, depois de uns "kings" ou "pokers", jogados, nas férias grandes, pela noite dentro, deixavam os estômagos adolescentes um pouco desacompanhados e infelizes. Iamos então a Covas, a um restaurante modesto que fechava tarde, para petiscar uma ceia condigna e minhota... Mas não era, seguramente, essa fome de séculos lusitana que assegura por compensação deslocada, hoje, no seu esnobismo parolo descendente, as casas cheias dos avillezes lisboetas, que vão grassando como cogumelos, ou tortulhos - para usar a língua charra portuguesa. Deus lhes perdoe e os faça esquecer os famélicos avoengos que se bastavam com um caldo gorduroso mais uma magra sardinha, quando havia, e um naco de broa de milho. Se tanto tivessem à frente, nas pobres mesas de pinho de casas enfumaradas, pelas aldeias e pequenas cidades portuguesas de antanho. E, de manhã, antes da infrene labuta diária, à falta do cafèzinho com leite, mai-lo fresco pão com manteiga, o mata-bicho alcoólico desencadeava forças, paraísos artificiais e alegria. Hoje, felizmente, há o brunch, para esquecermos ou renegarmos os antepassados. Barata é a feira, global...

P. S.: à guisa de explicação, esta diatribe em prol da cozinha tradicional portuguesa explica-se melhor se eu disser que, ontem e em casa Amiga, por convite fraterno, comemos umas deliciosas "Tripas à moda do Porto", acompanhadas por um néctar excepcional do Dão, de que falarei mais tarde, e como bem merece.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Guimarães/ Cultura 2012/ Sugestões


Apesar da diminuição e decadência vimaranense no que diz respeito ao dinamismo industrial antigo (anos 50, 60), muitas das antigas fábricas foram adaptadas a equipamentos culturais com soluções inteligentes e esteticamente bem conseguidas. Assim, aqui vão sugestões de visitas (com suporte gastronómico de apoio) para um dia, em Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012:
1. a) deslocação a Covas (a 2 ou 3 Km. de Guimarães) às antigas instalações da fábrica têxtil Asa, transformadas em locais amplos de exposição. Até 20 de Maio, pode ver-se uma magnífica mostra da actividade de Nuno Portas, bem como uma perspectiva do que foi a arquitectura portuguesa na segunda metade do séc. XX. Saíndo, à direita, pode almoçar-se no Restaurante Sequeira. Bastante modesto, mas com cozinha tradicional, bem apaladada e honesta. E barato: prato do dia e vinho da casa, pode-se comer por cerca de 10,00 euros. Atendimento despretencioso e popular. A manhã pode ser, assim, bem aproveitada.
1. b) de tarde, visita ao Museu Alberto Sampaio e Largo da Oliveira. Descer ao Campo da Feira, que tem ao fundo a Igreja dos Santos Passos. Na antiga Fábrica de curtumes de António Martins Ribeiro da Silva, muito próxima da Igreja referida, ver uma exposição de design. O edifício fabril foi muito bem aproveitado. Finda a visita, revigorar forças, no Restaurante etc., com ementa variada e bem confecionada. Doses avantajadas, razoável carta de vinhos. Cerca de 15,00 euros, por pessoa. Comemos, lá, um rodovalho belíssimo, muito bem grelhado. Cuidado com as sobremesas, são enormes...