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sexta-feira, 15 de abril de 2022

Um CD por mês (28)



O meu primeiro contacto com gravações de música clássica de compositores russos terá sido, certamente, através de 2 singles comprados por volta de 1958. Da Telefunken, era a abertura da "1812", de Tchaikovsky (1840-1893), da Decca, um pequeno excerto das "Danças Polovtesianas do Príncipe Igor", compostas por Alexander Borodin (1833-1887).



Vieram depois, e por esta ordem, Mussorgsky ("Quadros de uma Exposição"), Prokoviev ("Cantata de Alexandre Nevsky", que Pasolini viria a usar no Evangelho segundo S. Mateus), Stravinsky e Shostakovich. Por último, e através das boas gravações que acompanhavam a BBC Music, me chegou aos ouvidos a música de Rachmaninov (1873-1943). De que aqui deixo um pequeno excerto coral de Vespers (obra musical estreada em 1915), atendendo à época pascal que atravessamos.




quarta-feira, 21 de julho de 2021

Um CD por mês (26)

 


Qualquer antologia ou selecção permite alternativas ou objeções, quando não suscita polémica. Em 1998 a EMI Classics ousou escolher as 25 melhores gravações de música clássica, registadas no século XX. Não tenho conhecimentos bastantes para ter uma opinião fundamentada e também não conheço a totalidade desses registos, mas atrevo-me a subscrever algumas dessas gravações e seus respectivos intérpretes:



5. Brahms: Requiem - IV: "Wie lieblich sind..." - Otto Klemperer - Philharmonia Chorus.
6. Haydn: Cello Concerto No 1 - Jacqueline du Pré - Daniel Barenboim - English Chamber Orchestra.
9. Chopin: Waltz No 7 in C, Op. 64 No 2 - Dinu Lipatti.
20. Dvorak: Piano Concerto in G minor - Sviatoslav Richter, O. B. Rundfunks - Carlos Kleiber.
25. Beethoven: Symphony No 9 - Chor and O. der Bayreuther Festspiele - Wilhelm Furtwängler.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Um CD por mês (25)


Victor e Marina A. Ledin, em 1997, referem num pequeno estudo sobre o compositor húngaro que: Franz Liszt (1811-1886) was an inveterate transcriber. Whether the melody was a simple folk song, a complex symphonic work, a lengthy chamber piece, an operatic aria, or a beautiful art-song, Liszt could not resist the urge to lovingly transform it into a piano work. Foi assim que, para além de um prolífico criador de obras originais, abordou glosando trabalhos de cerca de 100 outros compositores, entre eles Bach, Beethoven, Mozart, Donizetti... De Richard Wagner glosou Liszt algumas óperas, tais como Rienzi, Parsifal e Tannhäuser (registo, este, parcial no poste anterior).

Nos anos 90 do século passado, a etiqueta Naxos decidiu gravar a obra completa para piano de Franz Liszt, incluindo uma boa parte das transcrições elaboradas sobre a obra de outros compositores. Os CD têm como executantes pianistas da qualidade do magiar Jenö Jendó, por exemplo. Alguns desta série adquiri-os no Megastore Saturn, de Colónia (Alemanha). Parte deles, ao preço de 9,99 marcos alemães, o equivalente, na altura, a Esc. 1.000$00. O que, tendo em vista a qualidade, era um preço mais que justo.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Um CD por mês (24)



Não sendo  Johannes Brahms (1833-1897) um dos meus compositores preferidos, guardo uma especial estima pelas suas voluptuosas Danças Húngaras com que tomei contacto, pela primeira vez, em 1963, na Alemanha. Acontece que comprei, no Kaufhof de Bona, um simplório e banal single, em saldo, por 40 pf. (?), que continha as primeiras 6 danças, executadas pela Orquestra da Ópera de Viena, dirigida pelo maestro Hans Swarowsky (1899-1975). Ouvi dezenas de vezes este single, sempre com renovado prazer. 



E, durante muito tempo, estive convencido que Brahams só compusera seis danças húngaras. Só mais tarde, por volta de 1985, é que descobri que, pelo menos, existiam 21 danças, ao comprar um CD da TMI, com a gravação dessas obras musicais, pelo maestro Alfred Scholz (1926-1999).

terça-feira, 16 de março de 2021

Um CD por mês (23)

 


Foi por um feliz acaso que, em finais do século XX, eu, ignorante de música portuguesa antiga e erudita, desse, algures (?), por 2 CD da Naxos da temática que, agradado e surpreendido, logo adquiri. Fiquei assim a conhecer algumas obras de Duarte Lobo (1565-1646) e Manuel Cardoso (1566-1650), notáveis compositores nacionais, que começaram por estudar música em Évora e, depois, acabaram por se fixar em Lisboa.



Os registos, pasme-se!, foram efectuados em Oxford (1993) e Copenhaga (1995). E, que eu saiba, não tiveram qualquer subsídio ou mecenato (que seria natural e louvável) por parte da Secretaria ou Ministério de Cultura português, na altura...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Um CD por mês (22)


Estou tentado a escrever que é uma edição de luxo da Deutsche Gramophon, este conjunto de três discos sobre a obra lírica de Franz Liszt (1811-1886), com  interpretações primorosas de Dietrich Fischer-Dieskau (1925-2012), acompanhado ao piano por Daniel Barenboim (1942). As Lieder foram gravadas entre Novembro de  1979 e Janeiro de 1981, em Berlim e  a obra foi posta à venda, pela casa editora, em meados de 1981.



Os 3 CD, guardados num pequeno estojo, vem acompanhados por um cuidado livrinho explicativo, de 78 páginas, incluindo os poemas, que foram musicados por Liszt e que abrangem um grupo de poetas que vão de Petrarca a Goethe, e de H. Heine, Schiller e Victor Hugo, entre outros. Julgo ter comprado esta preciosidade no Saturn, em Colónia. E digo preciosidade porque estas composições não são frequentes. 

sábado, 9 de janeiro de 2021

Um CD por mês (21)


Pianista autodidacta, Walter Gieseking (1895-1956), nascido em França embora de ascendentes alemães, desde cedo foi considerado um competente intérprete de Mozart, Mendelssohn, Grieg e Ravel. Dotado de uma memória prodigiosa e vasta obra executada e gravada, a EMI Classics - Références, achou por bem, em 1998, incluir Gieseking na sua colecção nobre. Sinónimo, em música erudita, de uma consagração, em literatura, comparável à conhecida colecção da Bibliothèque de la Pléiade. Creio que terá sido em 1999 que comprei este duplo CD, na Valentim de Carvalho, ao Rossio.




domingo, 4 de outubro de 2020

Um CD por mês (18)


Terá sido por volta de 85, do século passado, numa altura em que eu tinha tempo livre e poucas obrigações, que ao fim da tarde, ao sair da estação, vindo de Sintra, dobrei a praça D. João da Câmara para o Rossio e me internei na Valentim de Carvalho, onde acabei por comprar, afortunadamente, este magnífico CD da Philips, com composições de Robert Schumann (1810-1856), para oboé e piano.


A interpretação de Brendel e Holliger é primorosa nesta gravação de 1979, saída no ano seguinte. Já muitas vezes a ouvi e são talvez das músicas de Schumann que antecipo melhor de memória ao escutá-las.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Um CD por mês (17)


Dei por Karl Jenkins (1944) através da BBC music, mais concretamente dum pequeno CD-bónus que acompanhava um dos números da revista inglesa e que incluía um pequeno excerto da composição musical Palladio (1995), em que a também galesa Catrin Finch (1980), harpista talentosa, interpretava a obra, dirigida pelo compositor. Jenkins, vindo da banda rock Soft Machine, convertera-se à música erudita...



Mais tarde, ouvi também o intróito Mare Crisium de Imagined Oceans *, tocado pelo Karl Jenkins Ensemble. Não descansei enquanto não adquiri o CD, mas em Portugal não se encontrava ainda à venda.Tive sorte nesse Agosto de 1999 (?) ter ido à Alemanha e, na cidade de Colónia, ter visto no megastore da Saturn o CD à venda. Custou-me, na altura e conforme a etiqueta, 33,50 marcos alemães.
A gravação da Sony Classical, de 1998, tem um registo impecável.


* Os treze títulos em latim foram atribuídos aos locais que se supõe terem sido áreas marítimas da Lua .

sábado, 1 de agosto de 2020

Um CD por mês (16)



Celebra-se este ano o centenário do nascimento de Federico Fellini (1920-1993). Realizador italiano, cujos filmes, na sua maioria, tiveram auspicioso acompanhamento de bandas sonoras criadas de propósito pelo grande compositor Nino Rota (1911-1979). Que, por sua vez, também trabalhou para Luchino Visconti e Coppola , entre outros cineastas.


Rota é dos tais casos dificeis de classificar. Se uma parte da sua obra cabe, perfeitamente, no cânone da música clássica, as composições para o cinema andam lá muito perto, pela sua qualidade.
O CD duplo de hoje foi editado em Itália, no ano de 2007.


sábado, 4 de julho de 2020

Um CD por mês (15)


O meu gosto por Brahms veio antes dos 20 anos, com as Danças Húngaras, mas abrandou depois. Schumann veio muito mais tarde, mas o gosto tem-se mantido fiel e atento. Talvez até acrescido.
Quanto a executantes, se Brendel foi um coup de foudre, Gould e Richter mantive-os à distância, o primeiro pela velocidade rítmica, o segundo pela força dos dedos (excessiva?) sobre as teclas do piano. Até que falei com um pianista (desactivado, profissionalmente, por questões de saúde) que me explicou algumas coisas...


Depois, estas versões autorizadas da Philips são obra de respeito e qualidade. Este conjunto de 3 CD foi editado no ano de 1994, na Alemanha.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Um CD por mês (14)


A projecção profissional, no estrangeiro, da violoncelista portuense Guilhermina Suggia (1885-1950) só será comparável talvez à que hoje goza a pianista Maria João Pires, internacionalmente. Casada durante 6 anos com Pablo Casals (1876-1973), que fora seu professor, Guilhermina viveu em Londres, episodicamente, onde, entre 1920 e 1923, o pintor Augustus John (1878-1961) a retratou. O quadro integra o acervo da Tate e capeia o CD da imagem acima reproduzida.


Afortunadamente e já neste século, consegui comprar na Valentim de Carvalho, a remasterização, de 2004, em  CD, de algumas das gravações primorosas da violoncelista, efectuadas em 1927, 1928 e 1946, com obras de Haydn, Lalo e Max Bruch. É deste último compositor que reproduzimos, na interpretação de Guilhermina Suggia, a composição musical Kol Nidrei, no poste seguinte.


A foto de Guilhermina Suggia, acima, creio que foi tirada nos jardins do Palácio de Queluz.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Um CD por mês (12)


O facto de cerca de 15% da população luxemburguesa ser luso-descendente explica a facilidade com que conseguimos encontrar, nos supermercados luxemburgueses, sardinhas de conserva portuguesas, cerveja Sagres, pastéis de nata ou até mesmo bacalhau curado. Mas também os alemães da Land Rheinland-Pfalz se deslocam ao pequeno país vizinho, pela proximidade, para fazerem compras, dado que os preços são mais em conta, por exemplo os dos cigarros. Pelo caminho, compram-se outras coisas...


De uma das vezes que, de Koblenz (Alemanha), nos deslocámos à cidade de Luxemburgo, em inícios dos anos 90 do século passado, fomos a um gigantesco Centro-Comercial, que incluía uma bem apetrechada discoteca com milhares de CD's. A dificuldade foi a escolha, mas como eu tinha começado a descobrir e a gostar das interpretações muito profissionais de Alfred Brendel (1931), optei por um conjunto de 9 CD's compreendendo diversas das primeiras gravações do pianista.


O acervo das composições é muito interessante, sendo de destacar todos os 5 concertos para piano de Beethoven, assim como os 2 de Liszt. Brendel é dirigido por diversos maestros, nomeadamente, por Zubin Mehta.
O conjunto das gravações da Tuxedo Music vai de 1956 a 1964 - uma espécie de juvenília do pianista. Foram reunidas na Suiça, em 1991. E dei pelos 9 CD's, na altura 1.845 francos luxemburgueses. Não me arrependi: valeu a pena.


segunda-feira, 9 de março de 2020

Um CD por mês (11)


Se Lipatti ou Cortot convocam Chopin, não há dúvida que o pianista austro-americano Artur Schnabel (1882-1951) lembrará sempre Schubert, para além da sua gravação integral e exemplar das sonatas de Beethoven. E talvez tenha sido por isso que eu comprei na Valentim de Carvalho (ali, ao Rossio), nuns saldos em finais dos anos 90, um duplo CD da Pearl, com gravações do pianista. Estes registos de 1937/9, remasterizados em 1997, são de muito boa qualidade. O duplo CD da EMI Classics é que já não me recordo onde o adquiri, mas é uma produção de 1992, também excelente.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Um CD por mês (8)


Pela sua intensidade, eu creio que os recitais de órgão devem ser ouvidos com parcimónia e espaçados, para melhor serem apreciados. E a época natalícia é uma estação propícia à audição.
Daqueles compositores que melhor cultivaram essa arte musical julgo que apenas Dietrich Buxtehude (1637-1707), pela variedade das suas composições, se aproxima de Bach.
Foi ao registo integral  da obra para órgão de Buxtehude que René Saorgin (1928-2015) se abalançou de 1967 a 1970, em órgãos de boa qualidade e em igrejas da Holanda, Alemanha e Suiça.
A edição num conjunto de 5 CD foi posta à venda pela Harmonia Mundi, em 1993. E eu tê-la-ei comprado na Valentim de Carvalho, ao Rossio, nos finais do século XX. É magnífica.

domingo, 3 de novembro de 2019

Um CD por mês (7)


Se é seguro que li, ainda em 1968, a Arte de Música (Moraes Editores), de Jorge de Sena, a audição completa dos Quartetos para Violino, de Beethoven, não a consigo localizar com rigor. Talvez 1995 ou 1996.
Tinha lido algures que era o conjunto mais complexo e difícil da obra do Compositor.


E, realmente, as minhas primeiras impressões não foram, de todo, agradáveis, e tudo me soou a áspero e um pouco estranho, na sua aparente agressividade harmónica. Contudo, pouco a pouco, e ao longo dos 8 CD, nas suas 9h15 de audição, fui-me habituando à sua beleza algo selvagem.


A execução, pelo Medici String Quartet, é primorosa. E a Nimbus Records, em edição limitada, fez sair este conjunto de 8 discos no ano de 1994. A gravação decorreu de Dezembro de 1988 a Março de 1990, em Aldeburgh (Inglaterra).

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Um CD por mês (6)


Eu creio que Glenn Gould (1932-1982), como pianista, nunca me seduziu inteiramente. Mas também quem sou eu, tão ignorante em coisas musicais, para desmerecer a qualidade de grande executante que tantos atribuem ao profissional canadiano, apesar de o suporem bipolar e o acharem extravagante. Avancemos.

Eu creio que foi à volta de 1990 que eu comprei, no supermercado da Bayer, em Leverkusen, este duplo CD da Sony Classical, por 29,90 marcos alemães, com gravações de obras de Bach, Beethoven, Liszt e outros, executadas por Glenn Gould.
Talvez para tirar teimas, ou para me convencer.
De algum modo, ajudou, sem dúvida...

sábado, 7 de setembro de 2019

Um CD por mês (5)


Dificilmente se pode escapar a Beethoven (1770-1827), para quem goste de música clássica. E a Karajan, como seu intérprete preferencial, pelo menos, até há bem poucos anos atrás. Embora eu, garoto de 14 ou 15 anos, tivesse começado, na altura, por comprar e ouvir uma boa gravação, em LP (Arpose, 7/4/2012 - Retro [10]), da 9ª Sinfonia, tendo como maestro Jascha Horenstein (1898-1973).
Herbert von Karajan (1908-1989) veio mais tarde. E, apesar de considerar os seus desempenhos com excesso de poses teatrais, não posso deixar de lhe atribuir um enorme profissionalismo e de o incluir no pequeno grupo dos melhores maestros do século XX.
Em imagem, o primeiro CD, da Références - EMI, que é uma remasterização (1988) da gravação de 1948, da Nona, e tem a mais valia de contar com a interpretação, como soprano, de Elisabeth Schwarzkopf (1915-2006). A orquestra é a Sinfónica de Viena. O segundo CD é da Deutsche Grammophone (Karajan Gold) e foi editado em 1984, incluindo a 5ª e 6ª sinfonias de Beethoven. Karajan dirige, neste caso, a Berliner Philharmoniker. Escusado seria dizer que as gravações são excelentes.