Mostrar mensagens com a etiqueta 2019. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2019. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de dezembro de 2019

Opções


O aspecto gráfico do TLS (nº 6087) mudou, recentemente, de forma radical. Duvido que para melhor.
Entretanto, o conteúdo manteve-se tradicional. E, como em todos os anos, o jornal literário ouviu 63 personalidades (escritores, críticos, intelectuais...) sobre as suas escolhas de livros publicados ou lidos em 2019 que tivessem colhido as suas preferências.
Curiosamente, no conjunto dos depoimentos apenas três nomes se repetem: Vladimir Nabokov (Think, read, speak), Michel Houellebecq (Sérotonine) e Jean-Baptiste Del Amo (Animalia); em relação a poetas, apenas W. H. Auden é referido mais do que uma vez.
Não sei, no entanto, a que se deva atribuir esta falta de consenso e convergência: se ao excesso de edições, se à ausência de um cânone de qualidade, nos tempos actuais. Ou simplesmente à diminuição de exigência de tudo aquilo que se vai publicando nos dias de hoje e, também, dos próprios leitores, i. e., consumidores.

domingo, 6 de outubro de 2019

Os matrecos


Voto desde 1969, há 50 anos, portanto. Apenas falhei umas Europeias, por estar doente e acamado.
Estou à vontade, por isso, para me insurgir com a enormidade percentual (44/49%) da abstenção nestas eleições portuguesas legislativas de hoje. Com 21 opções possíveis, estas criaturas que não votam não podem ser tratadas com delicadeza, mas como marginais da vida pública. Autênticos matrecos, ou na feliz expressão de alguém, que eu conheci: gentinha que anda na vida por ver andar os outros.
Embora eu não advogue o voto obrigatório, como na Bélgica, estas criaturas só me merecem desprezo.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Inventário da safra


A hortelã vai bem, folhas verdinhas e cheirosas. Numa teimosa existência, por entre a secura de um Agosto um pouco pardo, o pequeno pé de salsa resistente conseguiu sobreviver e já vai em três caules fininhos progredindo em direcção à luz solar.
As rústicas e espontâneas beldroegas vão na sua segunda produção, vigorosa e alargada. Estão aqui, estão a dar para uma segunda sopa, este Verão. Vão dar é trabalho a depenicar os ramos, mas compensa bem a minuciosa tarefa.
No limoeiro da varanda a leste, o serôdio broto bejamim do fim de Junho, atrasado embora, lá vai crescendo e recuperando, a acompanhar os irmãos verdes, mais velhos. E vão cinco limões, com o prematuro e último.
Da oliveira, na varanda a sul, já se colheram os frutos - 56. Exactamente igual a 2018 ( mas que grande coincidência!), mas muito inferior à safra de 2017, que produziu 119. Mas, ao menos, as azeitonas são bem rechonchudas e parecem suculentas. E já se puseram a curtir...


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Em resumo


Foi um 10/6 caseiro e burocrático, para não dizer regionalista de horizontes, ligeiramente bélico e bucólico, e com discursos croniqueiros, serôdios, de barba por fazer de alguns dias. Balofos ou opados, em suma.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Gerações


Alguns frutos aguentam-se bastante tempo em árvore, sem apodrecerem ou cairem. Os citrinos, por exemplo. Mas, verdadeiramente, eu não sei quando é que os limões param de crescer e amadurecer. Quando o amarelo começa a predominar totalmente sobre o verde, da sua superfície rugosa? Em Janeiro do ano a seguir à safra? Quando os rebentos das folhas, ainda tenras, começam a brotar, novamente dos ramos?
Consoante o clima, pode acontecer que, em Fevereiro, o limoeiro esteja nupcialmente florido de brancura e beleza. Em condições adversas de tempo, a floração pode ser mais tardia, porém.
Por isso me interrogo se devo cortar os 3 últimos limões da safra de 2018, para que a nova geração de 2019 comece a dar flor e fruto, sem a concorrência paterna ou a sobrecarga de frutos anteriores - se é que isso seja fundamental...

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Divagações 140


As coisas importantes, para quem gosta de reflectir, precisam de repousar um tempo, antes de serem contadas. Perde-se o pormenor, mas ganha-se e avulta a riqueza exclusiva do essencial. E a análise dos factos acaba por ser, normalmente, mais justa. O tempo acrescenta razões, explica motivos que, na altura, pareceram desajustados e excessivos, atenua a emoção de julgamentos apressados.
Ganha quase tudo a devida proporção da verdade.
É por isso que, talvez agora, se possa começar a  pensar no 2018, que acabou, há dias. E sem pressas. Mas também resgatar alguns propósitos para este novo ano. Eu seria modesto e pouco ambicioso. No que vou escrevendo, gostaria de ser mais comedido nos adjectivos, que são sempre uma tentação caracterizante (São Simenon me valha!...) e mais cauteloso nos advérbios de modo - o que já não é pouco, convenhamos.

para AVP, que me tem falado nos também...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Mais um ano


Vai algo neutra a cor e despida de adereços a iconografia para o novo ano de 2019.
Os muitos por que já passei, não me dão margem para alimentar esperanças excessivas, nem ilusões ingénuas para o futuro próximo. Sobretudo se tiver em conta os muitos ogres e tiranos (erdogans, trumpes, putins, orbáns, jinpingues...) que estão ao leme de tantos países, neste nosso Mundo. E o fosso que se foi cavando, cada vez mais profundo, entre os muito ricos e os excessivamente pobres. Para além da exclusão, quase militarizada, que acantona fatalmente em guetos, e condena à morte no mar ou atrás de grades e de muros aqueles que procuram as ilusórias vias rumo a uma vida melhor.
Que a realidade contrarie a minha previsão algo pessimista - só podem ser os meus votos do presente.
Votos que endereço, cordialmente, a todos os que passaram e vão passar, no futuro ano, pelo Arpose.