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sábado, 29 de julho de 2017

Mercearias Finas 124


Como as donas de casa costumam fazer, anualmente, as limpezas de Primavera, arejando a casa, também eu, como adegueiro doméstico, tenho por hábito, fazer a limpeza de vinhos brancos (mais antigos), pelo meio do Verão. Antes que eles fiquem passados de todo e imbebíveis. Que os tintos são mais longevos, habitualmente e se forem bons.
Calhou, anteontem, a vez a um Colheita seleccionada, branco, 2006, da Adega de Pegões, que já tinha muito pó na garrafeira, e era o dux veteranorum. Por essa altura, Jaime Quendera pontificava, sabiamente, por lá, como enólogo. Era trunfo a favor, mas os 11 anos de vida desse Branco (castas: Arinto, Chardonnay e Antão Vaz) acentuavam o meu cepticismo.
Mas a rolha saíu inteira, sinal positivo, e o pé era pouco - nem foi preciso decantar este Branco com 14º, bem medidos de pujança.
E foi uma agradável surpresa. Velho na cor (amarelo carregado), com aroma distinto e sabor ameno. Tinhamos massas italianas com carne picada, a que HMJ agregou, inspiradamente, folhas de aipo e uns restos de brócolos. E o vinho de Pegões combinou bem. O melhor estava, no entanto, para vir, quando encetámos a sobremesa: figos e umas lascas de meloa algarvia, entre o doce e o apimentado. O Pegões branco de 2006 mostrou aí toda a sua raça e subtileza longeva. Parecia um Sauternes dos bons  ou um Colheita Tardia de grande qualidade. Sobressairam sabor e doçura comedidos. Deus o abençoe - que já se foi, neste Verão de 2017.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A evitar, absolutamente (2) : Vinho tinto Vespral reserva 2007 (no Lidl)


Quem me lê no Arpose, com alguma persistência (virtude que não é, de todo, portuguesa), poderá ficar com a ideia de que só bebo vinhos excelentes, caros e de altíssima qualidade. É errado esse pensamento, procuro sobretudo beber vinhos "honestos" (obrigado, António!), bem feitos e que cumpram, mesmo que humildemente, a sua obrigação. Não desdenho sequer beber vinho das modernas "boxes", de 3 ou 5 litros, desde que cumpram os serviços mínimos. Agora, quando tenho pela frente um prato requintado ou um queijo especial, procuro sempre um companheiro líquido à altura, um vinho que lhe possa fazer frente.
Mas passemos ao que me traz. Em 17 de Novembro de 2010, aqui no Arpose, recomendei (Recomendado: seis), incondicionalmente, o vinho catalão "Vespral Reserva 2006" tinto, que se vendia no Lidl. Não sendo excepcional (era honesto), tinha uma boa relação qualidade/preço (1,89 ou 1,99 euros). Fui acompanhando, até recentemente, esta colheita de 2006, e comprando mais garrafas que ia consumindo, com agrado. Várias visitas (Portugal, Alemanha, Polónia, Espanha, Alemanha, América do Sul e do Norte, França...) vieram consultar o poste ao blogue. Entretanto as garrafas do Vespral, embora da mesma colheita de 2006, mudaram de rótulo - achei estranho. Há dias, comprei mais 2 garrafas, e nem sequer reparei que já eram da colheita de 2007, muito embora mantivessem no lote as nobres castas Tempranillo (Tinta Roriz ou Aragonez) e Garnacha. Estou à vontade e sinto-me no direito de dizer (pelo elogio que lhe fiz anteriormente): não comprem o 2007, o vinho é uma zurrapa. Tem gás a mais, e copiosamente. Adocicado e mau. Deitado, descuidamente, no copo, faz quase tanta espuma como a cerveja. Parece vinho verde tinto "doce" minhoto que, bebido sem moderação, provocava desarranjos gastro-intestinais. A evitar, completamente.

P.S.: desculpem a imagem desfocada da garrafa que encima o poste.