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domingo, 29 de março de 2020

Mécia de Sena (1920-2020)


Irmã de Óscar Lopes e esposa de Jorge de Sena, Mécia de Sena faleceu ontem, poucos dias depois de completar cem anos de vivíssima existência. Mulher simples, mas de convicções, prolongou incansavelmente a memória do Marido, defendendo a sua obra sempre que foi necessário. Quase não valeria a pena referir o sabido: atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.
Tive o prazer de me cartear com ela, a propósito de assuntos que não vêm ao caso, mas que constam do registo do Arpose, e ainda mais afortunadamente me ter dado a conhecer, ao vê-la, por mero acaso, uma tarde na rua do Alecrim, nos anos noventa
É desse encontro que ela fala no cartão de Boas-Festas, datado de Dezembro de 1993, que reproduzo abaixo. E que, modestamente, aqui deixo a recordar a grande Mulher que ela foi.


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Revivalismo Ligeiro CCLXXXIV

Na boa sequência tabágica do poste anterior, aqui fica esta popular e antiga interpretação de Tonicha. Eu iria jurar que Amália também chegou a cantar este "Tu és o Zé que fumas...", mas não consegui encontrar o vídeo. Por isso, e embora com deficiente registo, relembremos a canção popular.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Osmose (12)


A Margot apareceu, sabe-se lá de onde, com ar aflito. Tinha vindo com o velho caçador, de bigode tricolor. Produto da idade e de ser um fumador compulsivo. Mas gostei de os rever.
Estávamos a meio de um lombo de porco, que a Graça, com suave e estético afecto, nos tinha assado. Julgo que o vinho era um Bucelas, porque era Verão. A luz batia, cristalina, sobre o tronco de árvore seca a que o Pedro dera honras de escultura, no pátio empedrado daquela casa antiga de Oeiras. Que já não era a de Algés - para mim, matricial e inesquecível.
Mas eu estava incomodado. O bulldog do Pedro lambia-me, dedicada e interminavelmente, com a língua esponjosa e espumante, as calças brancas de linho, por debaixo da mesa. Foi então que a Margot exclamou, intensa: "O rei Balduíno morreu!"
O casal belga ficou em silêncio, por minutos. Eu comecei a ficar exasperado: o bulldog, naquele seu ar tristonho, não parava de se espumar sobre as minhas brancas calças de linho...