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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

sexta-feira, 22 de julho de 2022

segunda-feira, 2 de maio de 2022

quarta-feira, 23 de março de 2022

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

domingo, 28 de julho de 2019

Bibliofilia 178


Nos meus tempos de frequentador assíduo de leilões de livros, ficou-me a lembrança de algumas figuras características, nas suas preferências apaixonadas, da singularidade de alguns comportamentos humanos, no aceso das almoedas. Se uns licitadores eram discretos, outros mostravam a sua exuberância ruidosa, outros ainda o seu mau feitio e birras. Quanto a temáticas, havia um discretíssimo licenciado em Farmácia que se abalançava, tenso, a livros quinhentistas, um general na reserva que não perdia uma camoniana, um industrial corticeiro que comprava muito e diverso, um alfarrabista sorumbático que não perdia nunca um lote de livro raro que começasse a licitar...
Quanto a camilianistas, lisboetas, nunca dei por nenhum muito importante, mas havia os que vinham do Norte, quando o leilão era significativo, como este da Soares & Mendonça, que foi organizado pelo alfarrabista portuense Manuel Ferreira. E que tem um gostoso prefácio do bibliófilo e grande jornalista Raul Rêgo (1913-2002), que aqui deixo em partilha, pela sua qualidade intrínseca.


Não faltavam nesta riquíssima almoeda de Fevereiro de 1968, as muito raras edições originais camilianas de A Infanta Capellista (1872) ou do célebre folheto Matricidio sem Exemplo..., (capa em imagem, abaixo) que terão feito porventura as alegrias dos afortunado arrematadores.
Não tive oportunidade de assistir a este importante leilão, porque me encontrava, em Mafra, a cumprir o serviço militar, mas vim a adquirir, mais tarde, o catálogo desta almoeda da Soares & Mendonça, por 9 euros, no meu alfarrabista de referência - em boa hora.

para MR, obviamente, e com estima.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Revivalismo Ligeiro CCXXXIX



O Arpose tem andado muito animalista, ultimamente. Daí convocar-se, propositadamente, a cadela de Paul McCartney - Martha.

domingo, 16 de setembro de 2018

Osmose 96


Dou por mim, num destes extremos ocidentais, olhando o areal por onde, aqui ou mais além, há cinquenta anos, mais mês menos mês, rastejei, um dia, como um cão, em exercícios militares, seguramente estúpidos e humilhantes. A raiva era consoladora, nessa altura, mas não podia ter expressão muito visível. A prática, posterior, indiciava já, no entanto, quer nas repartições castrenses quer nas paradas marciais, a agonia de um regime.
Olhando o areal da foz do rio Grande (em 1968, era o Lizandro), dou-me a pensar, inexplicavelmente, na Europa. E o mesmo sentimento me assalta, como outrora. Talvez, também, pela mediocridade das chefias. Ainda que os povos, arregimentados, se resignem, é ao velório da Europa a que estamos a assistir. Tal como a conhecemos, como união dos povos ocidentais, numa solidariedade que se vai desagregando, mais e mais, inexoravelmente.
Amém.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Reacções ao passado


Fotografias muito antigas, nos seus sépias delidos, muitas vezes fazem-nos sonhar. Ou, ao menos, imaginar, sobretudo quando não temos sobre os locais fixados ou figuras inscritas, quaisquer referências concretas. Assim também uma pintura abstracta, bem conseguida, que repercute sobre a nossa imaginação.
Haverá, contudo, outro tipo reacções sobre coisas ou acontecimentos passados. Modas que foram o ai-jesus de um tempo, podem hoje fazer-nos sorrir, benevolamente, ou mesmo rir. As saias-balão de outrora parecem-nos, agora, uma espécie de sacos de batatas. E os antigos fatos de banho, com as suas alças e folhos?
Há dias, ao folhear uma Revista de Occidente, de Junho de 1968, fui surpreendido por um anúncio singular publicitando uma Água de Colónia espanhola. O nonsense criativo era notório. A mescla publicitária, associando crime e literatura, a um perfume, criava uma enorme surpresa, em que o humor, ocupava também um espaço insólito no desprevenido observador...

sábado, 11 de agosto de 2018

Ser ou não ser, por


Surpreendi-me, a mim mesmo. Eu, que não tenho espírito bélico, embora tenha a dose de agressividade inerente a qualquer ser humano, depois de pensar um pouco, acabei por alinhar com Manuel Alegre e com o PCP, que defendem a reintrodução do Serviço Militar obrigatório, que existiu até 2004, creio, em Portugal. De Janeiro de 1968 até Março de 1971, também passei por ele. E se alguns momentos houve negativos, nesse cumprir cívico, o balanço que hoje faço é positivo.
Disciplinou-me, numa altura em que eu levava quase uma vida boémia, reforçou-me, grandemente, o sentido de organização, despertou-me, na prática, os sentimentos de solidariedade que eu tinha muito teóricos e robusteceu-me a consciência política. Por outro lado, criei, pelo menos, duas amizades para toda a vida. E, isto, são aspectos importantes e que contam.
Acresce, actualmente, que o ogre norte-americano fechou o guarda-chuva de protecção sobre a Europa, e alguma da nossa juventude anda muito mal habituada, além de não lhe vir a fazer mal o criar sentimentos de solidariedade para com os outros, bem como começar a usar regras de disciplina, ordem e boa educação. Mesmo que temporariamente através de rituais que parecem formais e inúteis.
Sou a favor.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Voltar ao local do crime


Comecei a ler Le Nouvel Observateur em finais de 1968, e talvez a comprá-lo no ano seguinte - creio. Foi, de algum modo, a minha cartilha teórica de aprendizagem política. Apesar de vários interregnos, na aquisição, maiores ou menores em espaços de tempo, nunca lhe perdi o contacto, até ao ano passado em que, pela geral perda de qualidade e abaixamento de nível, decidi deixar de o comprar, definitivamente.
Até anteontem, em que as saudades falaram mais forte.
Mas não tenho grandes ilusões...

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Geraladas


Às vezes (não tão poucas como isso...), somos envolvidos numa generalização abusiva e abastardada, em companhias pouco recomendáveis que nos diminuem de estatuto... Isso acontece com o vós indiscriminado, com as circulares a dizer nada (de que a Net anda cheia), meadas de algoritmos lorpas e  comuns, e ainda (mais raro, é certo) com o recomentário abrangente (e chapa-zero) de administradores de blogues, apressados, miopes em destrinçar a diferença entre sujeitos individualizados, numa mistura que me lembra os tempos de caserna, rancho e tropa, em que os sargentos não conseguiam ( ou não se preocupavam...) notar as diferenças de cada um. Afinal, terei de concluir que os portugueses não mudaram assim tanto, nestes últimos anos de democracia... Por  comodismo boçal, desatenção, sensibilidade grosseira, ausência de respeito pelos outros e por uma secular falta de sentido crítico, que vai sendo cada vez mais generalizada.

domingo, 7 de abril de 2013

Idiotismos 15 : jargão militar


Será caso excepcionalíssimo e raro, o eu poder localizar, no tempo e lugar, a entrada de uma palavra ou expressão no universo do meu léxico pessoal. Mas sei que a palavra pinchavelho me surgiu, pela primeira vez, em Janeiro de 1968, na então vila de Mafra. Pertencia ao jargão militar de um jovem tenente, Carneiro de apelido, instrutor do meu pelotão. E "pinchavelho" servia para tudo o que fosse pequena peça metálica (de parafuso a ponto de mira, ou cão) de uma arma, fosse ela a pesada Mauser, a leve metralhadora Uzzi, ou até a G3, que tinhamos de aprender a montar e desmontar.
Também o cultivo épico de um certo estoicismo físico era palavra de ordem, perante um acidente maior ou menor, um lanho leve ou profundo, uma dor. Diziam, logo: "Incha, desincha, e passa!" Fosse grave ou não, o desastre que nos atingisse. A expressão "tropa fandanga", para definir um grupo indisciplinado e tosco, veio-me ao conhecimento muito mais tarde. E só indirectamente por via militar. Mas a arte de guerra tinha, e ainda deve ter, um jargão amplo e expressivo, muito próprio.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Uso Pessoal 5

Obsv.: velhos apontamentos (1968) encontrados na mochila de um antigo ex-combatente, que o foi, à força.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Divagações 9 (e em sequência de Guimarães Rosa)


Não será muito comum, ao lermos um texto simples em prosa, na nossa própria língua, não o entendermos. Mas já me aconteceu a mim, excepcionalmente, uma vez: em Mafra, a 19 de Janeiro de 1968. Após cinco dias de reclusão obrigatória e absoluta no Convento (recruta da tropa) e o início gradual do "massacre e lavagem ao cérebro" desses tempos militarizados, quando saí, na sexta-feira, ao fim da tarde, comprei sofregamente o DL ("Diário de Lisboa") e comecei a lê-lo, num Café mafrense. Apercebi-me, então, que não conseguia entender o sentido do que lia. Reconhecia as palavras, mas elas não se me organizavam em realidade, nem traduziam sentidos.
De uma forma já normal, isto mesmo pode acontecer, a outro nível, ao lermos poesia, na nossa própria língua. Conhecemos os vocábulos, mas escapa-nos o sentido do poema. Mais frequentemente, quando lemos poesia numa língua estranha à nossa, é possível ocorrerem equívocos de interpretação. Ou através duma compreensão errada, criarmos outra realidade para que se ordene, em nós, um sentido (outro?) que não estava no poema, ou no verso original, quando foi escrito. Aqui, no entanto, poderá ocorrer o feliz acaso de se ir ao encontro de uma nova realidade virtual, subjectivamente, objectiva.
Tudo isto se aproxima, perigosamente, da simbologia de Babel e das línguas de fogo do Pentecostes. Ou, simplesmente, daquilo que se denomina a ambiguidade da Poesia, para sermos mais claros.