Do passado, o puzzle completa-se, quando as memórias se cruzam, havendo sobreviventes. O problema agudiza-se, no entanto, se nenhuma das testemunhas vivas recorda o acontecimento.
Aí, a única forma de comprovar a existência de um facto é encontrar um documento verídico e concreto, uma fotografia, por exemplo, que certifique o acontecido. A foto que se apresenta acima existe em França.
O acontecimento retratado ocorreu no Minho, a 6 (ou 8) de Abril de 1961. Nele estão representadas as forças vivas de um distrito (um governador civil, um presidente de câmara, um arcebispo, um arcipestre de Colegiada).
Um grupo de estudantes (14?), de capa e batina, fez a guarda de honra aos despojos ou relíquias de D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) e ao seu montante, que peregrinaram por todo o Portugal (confirmei Penafiel, Guimarães, Bragança), nessa altura. Nenhum de 4 estudantes contactados se lembra deste acontecimento.
Ocorre-me notar que ele decorreu pouco tempo antes da invasão da ex-Índia Portuguesa e pouco depois do deflagrar do terrorismo em Angola. Especulo se a organização desta peregrinação não se deveu a uma parceria Estado Novo e Igreja, no sentido de despertar o patriotismo das gentes de Portugal, para a longa guerra colonial que aí vinha?...