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sexta-feira, 20 de março de 2020

Revivalismo Ligeiro CCXLVI



Ora, reparem-me no homem das maracas!...

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Transições (4)


Uma das primeiras coisas que eu fazia, quando pelas férias regressava a casa, na juventude, e depois de pousar as malas que trouxera, era descer ao pequeno quintal minhoto e ver como estavam as rosas e o estado do limoeiro. Dava pouca atenção aos jarros, se os havia, que cresciam abundantes e brancos, na sua insólita sugestão fálica, encostados à parede mais húmida da casa. Normalmente, cortava uma rosa madura e levava-a para dentro, para pôr numa jarra da sala de jantar. Hoje, tenho que me contentar com as varandas da casa, onde não crescem rosas. Na altura própria e breve, colhemos frésias amarelas, que trazem consigo um aroma fresco e lavado, e dão cor e perfume à mesa da cozinha.
Este ano, tirando as cerejas que mantiveram o seu sabor de ácida doçura, quer os morangos, quer os pêssegos me pareceram deslavados ao gosto. Veremos as uvas como se vão portar... Porque até os figos me pareceram mais aguados e desinteressantes. Por outro lado, o limoeiro,  mais velho, na varanda a leste, só tem a crescer 4 limões, quando, no ano passado, nos presenteara com 5. A falta de sol terá sido fatal para as safras. E a pródiga oliveirinha que, em 2017, nos brindara com 115 rechonchudas azeitonas, neste ano da graça de 2018, não chegará decerto às 50. Até as hortênsias deram um sinal inequívoco, ao resumirem-se, avaras, a dois míseros bouquets, esbranquiçados e anémicos na sua pequenez.
Bem posso eu, vulgar campesino transplantado, com esta infelicidade, mas que dirão os pobres dos agricultores olhando os seus campos e árvores, minguados...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Divagações 62


Da memória comum, que se complementava por igual, uma parte apagou-se. Resta apenas um dos lados, fragmentário, insuficientemente fundamentado, já sem contraditório para apurar a verdade dos factos, sem mais perspectiva ou testemunho. Como se fosse apenas uma ficção longínqua, pouco credível.
A Póvoa já não faz eco, o mar silencioso, nem o puzzle faz sentido. Como se vão esbatendo o comboio de madeira e o rio Ave de Sto. Estevão, o poker e os primeiros shots da juventude, as injecções infantis dadas numa almofada de folhelho, as anilinas das análises inocentes, as corridas de caracóis no tanque grande do quintal da rua Francisco Agra...
E o imenso areal de Agosto vai ficando mais deserto e menos nítido.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Uma fotografia, de vez em quando (10)


O momento associa o labor doméstico, sugerido pelos novelos brancos de lã, entrançados, e a poesia sensível das rosas, abandonadas no colo da jovem que, pela dedicatória, no verso da foto, se chamava Célia. A fotografia é de 1948. Um carimbo, também no verso, indica: "António Silva / Repórter Fotográfico / Porto". O resto será tempo e silêncio. É pouco provável que esta simpática Célia ainda seja viva.

Um obrigado ao A. de A. M.. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Pequenino por pequenino...


...mais vale "motorizado", com veículo oferecido pelo Natal. O fotógrafo não era laico e, embora Padre (Carlos de Almeida), era um amador respeitado. E bondoso. O infante rechonchudo é que estava incomodado pelo sol de Inverno...

terça-feira, 8 de março de 2011

Março de 48


A fotografia é de 4/3/1948. E foi tirada na Póvoa de Varzim, mais concretamente, no chamado Passeio Alegre que, formalmente, se denomina, hoje, Avenida dos Banhos.
A criança está perto de completar 4 anos. O adulto já perfez 62, e irá morrer dentro de 5 anos, penosamente. Mas neste dia, talvez nublado, pouco antes da Primavera, parecem felizes, os dois. E nem parecem querer parar, para a pose, pelo movimento dos pés. A criança traz, com certeza, os bolsos cheios de rebuçados de avenca, de que gostava muito. E que o Tio lhe comprou no "Guarda-Sol", café que se vê à esquerda, na fotografia. O adulto traz "O Primeiro de Janeiro", dobrado e encostado ao peito, para ler mais tarde. Atrás é o infinito, para a frente, talvez a Rua dos Cafés, para onde se dirigem.
Há saudades que nunca nos largam...

para J. S., em Cambridge, pela onomástica, também. Mas sobretudo pelo aniversário.