Uma das primeiras coisas que eu fazia, quando pelas férias regressava a casa, na juventude, e depois de pousar as malas que trouxera, era descer ao pequeno quintal minhoto e ver como estavam as rosas e o estado do limoeiro. Dava pouca atenção aos jarros, se os havia, que cresciam abundantes e brancos, na sua insólita sugestão fálica, encostados à parede mais húmida da casa. Normalmente, cortava uma rosa madura e levava-a para dentro, para pôr numa jarra da sala de jantar. Hoje, tenho que me contentar com as varandas da casa, onde não crescem rosas. Na altura própria e breve, colhemos frésias amarelas, que trazem consigo um aroma fresco e lavado, e dão cor e perfume à mesa da cozinha.
Este ano, tirando as cerejas que mantiveram o seu sabor de ácida doçura, quer os morangos, quer os pêssegos me pareceram deslavados ao gosto. Veremos as uvas como se vão portar... Porque até os figos me pareceram mais aguados e desinteressantes. Por outro lado, o limoeiro, mais velho, na varanda a leste, só tem a crescer 4 limões, quando, no ano passado, nos presenteara com 5. A falta de sol terá sido fatal para as safras. E a pródiga oliveirinha que, em 2017, nos brindara com 115 rechonchudas azeitonas, neste ano da graça de 2018, não chegará decerto às 50. Até as hortênsias deram um sinal inequívoco, ao resumirem-se, avaras, a dois míseros bouquets, esbranquiçados e anémicos na sua pequenez.
Bem posso eu, vulgar campesino transplantado, com esta infelicidade, mas que dirão os pobres dos agricultores olhando os seus campos e árvores, minguados...