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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ómar Ortiz (1950)

O Circo

O poema salta de livro em livro
Como a Rapariga do trapézio
Que não pode dar-se ao luxo do esquecimento.
Os olhos deslumbrados do adolescente
Descobrem que as palavras
Tem o estranho sortilégio do funâmbulo.
É a memória, essa despensa de inutilidades,
Que conserva o espanto
E aquele esgar odioso do palhaço.

sábado, 30 de julho de 2011

Pelo aniversário de c. a.


Albatroz

Frente à janela o velho marinheiro
Sonha com baleias que navegam pela alma
E que o seu olho feroz não arpoou.
O seu coração é na verdade um único
Cemitério marinho. Não o do poema.
O que viaja nessa pequena vaga
Que lhe circula, lentamente, pela face.

Ómar Ortiz

Nota: expresso, ou não, cada poema traz em si um legado, uma herança de referentes, para além do seu impulso original e pessoal. Pela tradução deste poema de Ómar Ortiz (Bogotá, 1950) se podem notar vários ascendentes: Coleridge ("A rima do Velho Marinheiro"), "O Cemitério Marinho" de Valéry; e, porventura, o capitão Ahab do romance de Melville. As ilhas, em Arte, são uma ficção imperfeita.

para c. a. , com parabéns.